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CORRUPÇÃO DERRUBA FATURAMENTO COMERCIAL DA FIFA PARA COPA 2018

Foto: Reprodução / CSM Sports & Entertainment

04/12/2017

Parceiros exclusivos diminuíram e quase não haverá apoio “dentro de casa”

A Fifa vai faturar cerca de 1,4 bilhão de euros com patrocínios na Copa do Mundo da Rússia em 2018. Apesar de alto à primeira vista, o valor é, na verdade, 8,2% menor do que foi no último Mundial, realizado no Brasil, em 2014. A principal causa é a corrrupção, que fez com que o número de parceiros exclusivos para o torneio diminuísse e ainda levou a uma quase ausência de patrocinadores chamados de regionais.

O resultado financeiro até aqui mostra que a mudança de estratégia da Fifa em relação a 2014 não deu muito certo. A entidade deixou de concentrar os patrocínios em algumas marcas e assim dar a elas uma certa exclusividade para escolher um outro modelo, com uma divisão maior por categorias, regiões e ativações, e assim ter a possibilidade de um número maior de pacotes para venda.

Além disso, também deixa claro que os recentes escândalos de corrupção em que a Fifa esteve envolvida deixaram o mercado com um pé atrás com a entidade. Em alguns casos, com os dois pés. Algumas empresas simplesmente sumiram do radar e nem sequer cogitaram envolver seus nomes mais uma vez com o da entidade.

A explicação fica mais simples quando se dá nomes aos bois.

A Copa do Mundo do Brasil em 2014 teve oito patrocinadores específicos para a competição. Foram eles: Budweiser, Castrol, Continental, Johnson & Johnson, Marfrig, McDonald’s, Oi e Yingli. Para a Rússia, esse número caiu pela metade. Apenas Budweiser e McDonald’s continuaram, e juntaram-se a elas a Hisense e a Vivo.

Quando se fala em apoio de empresas do próprio país-sede, a queda é ainda mais brusca. Em 2014, seis empresas brasileiras patrocinaram o Mundial: Apex-Brasil, Centauro, Garoto, Itaú, Liberty Seguros e Wise Up. Para a Rússia, apenas uma empresa regional fechou patrocínio, o Alfa-Bank.

Nem o que à primeira vista parece ser uma boa notícia para a Fifa de fato é. O número de parceiros fixos da própria entidade aumentou. No Brasil, eram seis: Adidas, Coca-Cola, Emirates, Hyundai, Sony e Visa. Para 2018, Adidas, Coca-Cola, Hyundai e Visa mantiveram a parceria e vão receber a companhia de Gazprom, Qatar Airways e Wanda Group.

O problema aí é que a russa Gazprom, maior exportadora de gás natural do mundo e patrocinadora da Liga dos Campeões da Europa há vários anos, deve apoiar a entidade máxima do futebol apenas nesse Mundial. A multinacional só ficou com um dos lugares vagos de parceira da Fifa pelo fato da Copa ser na Rússia.

O mesmo pensamento serve para a Qatar Airways, que patrocina em 2018, mas já de olho em 2022, quando estará em casa. Depois, também deve sair. Já o interesse do conglomerado multimídia chinês Wanda Group se baseia no sonho da China de sediar o Mundial de 2026 ou até de 2030.

De acordo com a agência de marketing esportivo e de entretenimento britânica CSM Sport & Entertainment, que produziu o gráfico mostrado acima, a própria concorrência entre as marcas é um fator preponderante para o não aumento do número de patrocinadores. Afinal, não faz sentido a Nike tentar apoiar uma entidade que já tem a Adidas como parceira. Ou a Pepsico com relação à Coca-Cola, a Volkswagen com relação à Hyundai, e assim por diante.

Para 2022, a Fifa já cogita mudar a estratégia mais uma vez e ainda torce para que os escândalos de corrupção fiquem bem longe nos próximos quatro anos. Ter um dos oito lugares dedicados a parceiros principais vago, assim como dois patrocínios exclusivos para o Mundial e 19 dos 20 espaços do escopo regional também sem ninguém para ocupar não é, nem de longe, um bom negócio.

DONO DO PSG E EX-SECRETÁRIO DA FIFA SÃO INVESTIGADOS PELA JUSTIÇA SUIÇA

Khelaifi foi novamente citado em investigação de possíveis irregularidades 
financeiras (Foto: Miguel Medina/AFP)

16/10/2017 

A Justiça suiça abriu um processo penal contra o proprietário do Paris Saint-Germain, Nassr Al-Khelaifi, e o ex-secretário geral da Fifa, Jerome Valcke. Ambos estariam ligados a uma prática de “concessão de direitos de imprensa das Copas do Mundo“, como anunciou oficialmente o Ministério Público da Suíça. Teriam recebido vantagens em troca de direitos de transmissão nas Copas de 2018, 2022, 2026 e 2030.

Foi aberta uma investigação no dia 20 de março deste ano por suspeita de “corrupção privada, fraude, gestão desleal, e falsificação de documentos” por parte de autoridades de diversos países. O processo penal conta com a colaboração de responsáveis da França, Grécia, Espanha e Itália, onde as buscas e apreensões tem sido “realizadas de forma simultânea”.

Por outros casos de corrupção, Valcke está suspenso por 10 anos pela Fifa 
(Foto: Sebastien Bozon/AFP)

Este é só mais um caso de corrupção na conta de Jerome Valcke, que está suspenso por 10 anos do cargo de secretário da entidade máxima do futebol mundial e, inclusive, não deve voltar a se envolver no setor. Como braço direito do ex-presidente da Fifa, Joseph Blatter, ele foi acusado de cometer diversas violações financeiras no período em que esteve no cargo, incluindo subornos, compra de votos e uso indevido de jatos particulares.


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CORRUPÇÃO FAZ FIFA SER REJEITADA POR PATROCINADORES

A Fifa teve um prejuízo de US$369 milhões em 2016, o triplo do valor 
das perdas do ano anterior (Foto: Wikimedia)

27/06/2017

Prisão de dirigentes da Fifa acusados de corrupção ainda repercute na obtenção de patrocínio para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia

No Museu do Futebol Mundial da Federação Internacional de Futebol (Fifa) em Zurique, os visitantes tiram fotos com a taça da Copa do Mundo, arriscam um palpite em um comentário de um jogo e olham as peças exibidas, como o documento original manuscrito das regras do jogo e o famoso cartão amarelo dado ao jogador de futebol inglês, Paul Gascoigne, em 1990. Mas os visitantes que querem ver os lençóis que cobriram os dirigentes da Fifa, ao saírem de um hotel suíço de luxo em 2015, após serem presos por acusação de corrupção, decepcionam-se, porque não estão em exibição.

Se o museu ignora esse triste episódio na história da Federação, seu balanço patrimonial é um reflexo do impacto da prisão de seus dirigentes na reputação da entidade. A Fifa teve um prejuízo de US$369 milhões em 2016, o triplo do valor das perdas do ano anterior e a previsão é de uma perda de US$489 milhões em 2017. As reservas financeiras, que ultrapassaram US$1 bilhão desde 2008, deverão diminuir para US$605 milhões no próximo ano.

Os prejuízos são resultado, em parte, do aumento do financiamento das associações de futebol e das mudanças contábeis no registro dos custos e da receita. Porém, os gastos da Fifa com advogados e processos judiciais nos EUA e na Suíça devido à acusação de corrupção aumentaram de US$20 milhões em 2015 para US$50 milhões em 2016. As demonstrações financeiras também indicaram uma série de investimentos com pouco retorno, incluindo o museu, que custou US$190 milhões e não tem atraído muitos visitantes.

A Fifa acredita que irá atingir seu objetivo de obter uma receita de US$5,6 bilhões no período de 2015-18, graças ao patrocínio da Copa do Mundo de 2018 na Rússia. Mas vários patrocinadores, como Sony, Emirates e Castrol, não renovaram seus contratos. Com menos de um ano antes do campeonato, a Fifa conseguiu apenas 12 patrocinadores para as 34 propostas de parceria oferecidas. Os organizadores do evento conseguiram o apoio do banco russo Alfa-Bank, com sede em Moscou, porém ainda não têm uma emissora para transmitir os jogos no país anfitrião. Na mesma etapa da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, a maioria dos projetos de parceria já tinha patrocinadores, com diversos acordos assinados com anos de antecedência.

A Fifa assinou com a Vivo, uma fabricante de smartphones, seu terceiro contrato de patrocínio com uma empresa chinesa. O interesse das empresas chinesas em apoiar a Federação talvez seja um sinal de recuperação de sua imagem após o escândalo de corrupção. Mas em maio, a Fifa substituiu um juiz e um promotor, que integravam seu comitê de ética por novos membros. Os dois foram responsáveis ​​pelas investigações que causaram a suspensão de Sepp Blatter, ex-presidente da Fifa e de outros dirigentes. Ambos alegaram que a demissão deles significava o “final do processo de reforma da entidade”. Portanto, ainda restam muitas perguntas sem respostas a respeito da transparência da administração da Federação Internacional de Futebol.

Fonte: Opinião & Notícia

Copa do Mundo de 2014 está na mira do FBI

Ricardo Teixeira foi o grande articulador da Copa de 2014
Getty Images
07/06/2015

O foco é investigar a relação entre Jérôme Valcke e Ricardo Teixeira

As investigações sobre casos de corrupção na Fifa se alastram e já envolvem cinco edições da Copa do Mundo: a da França (1998), África do Sul (2010), Brasil (2014), Rússia (2018) e Qatar (2022). 

No caso do Brasil, os contratos para o Mundial de 2014 entre a Fifa, parceiros comerciais e fornecedores serão examinados pela Justiça norte-americana. O foco é investigar a relação entre o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, e Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF e do Comitê Organizador da Copa (COL). Os dois estão na lista de suspeitos de crimes financeiros e fraude no futebol. Há três dias, o presidente da Fifa, Joseph Blatter, renunciou ao cargo e pediu a organização de novas eleições na entidade.

Investigação do FBI no "caso Fifa" pode chegar à Globo, diz revista

O FBI está investigando o pagamento de subornos para a escolha de sedes do Mundial e um possível esquema de corrupção para contratos de marketing e direitos televisivos. As denúncias aumentaram nos últimos dias após o depoimento de cartolas que admitiram repasse de verbas para manipular situações e jogos.

Uma delas foi relatada pela Federação Irlandesa de Futebol, segundo a qual a Fifa pagou US$ 5 milhões para encerrar o caso do toque de mão de Thierry Henry que deixou a Irlanda fora da Copa de 2010. Além disso, na quinta-feira (4) a Inglaterra se ofereceu para receber a Copa do Mundo de 2022, caso sejam comprovadas irregularidades na escolha do Qatar como país-sede.

"Temos estrutura para isso e fizemos uma ótima campanha de candidatura que, mesmo que não tenha tido sucesso, serve para sermos uma opção", disse o ministro da Cultura britânico, John Whittingdale.

Desde quando a polícia suíça prendeu cartolas da Fifa a pedido dos EUA, na semana passada, a Bolsa de Doha tem sofrido baixas com a instabilidade sobre a realização do Mundial no país. 


Fonte: R7

Para entender o escândalo de corrupção na Fifa, suprema entidade do futebol mundial



29/05/2015

ZURIQUE/SUIÇA - A Fifa, entidade suprema do futebol mundial, é alvo de investigações diferentes, uma dos EUA e outra da Suíça. Nove dirigentes da Fifa foram presos na Suíça, após serem acusados por suspeitas de corrupção envolvendo um montante de até US$ 150 milhões.

Por ANTONIO CARLOS LACERDA
PRAVDA.RU

Horas depois, autoridades suíças anunciaram que fariam sua própria investigação sobre o processo de escolha dos países-sede das Copas de 2018 (Catar) e 2022 (Rússia). A polícia suíça entrou na sede da Fifa, em Zurique, Suiça, e apreendeu provas eletrônicas.

Por que isso é importante?

A Fifa é o órgão responsável pelo futebol mundial. Nos últimos anos, sofreu acusações de corrupção, particularmente no processo de escolha da sede do Mundial de 2022 - o vencedor foi o Catar.

Em dezembro de 2014, a Fifa decidiu não divulgar sua própria investigação de corrupção - que, segundo a entidade, disse que o processo de escolha foi isento. O autor do relatório, o americano Michael Garcia, renunciou ao cargo.

A Copa do Mundo gera bilhões de dólares em receita. As prisões e a investigação lançam dúvida sobre a transparência e honestidade do processo de escolha nos últimos torneios.
  
Como o Brasil aparece na investigação?

Três brasileiros estão implicados no esquema de corrupção, de acordo com o departamento de Justiça dos EUA.

Um dele é o ex-presidente da CBF José Maria Marin - a nota do Departamento de Justiça não detalha as suspeitas contra ele. A CBF se manifestou a respeito da investigação por meio de nota dizendo que "aguardará, de forma responsável, sua conclusão, sem qualquer julgamento que previamente condene ou inocente."

A Justiça americana diz que José Hawilla, dono da Traffic Group, maior agência de marketing esportivo da América Latina, confessou os crimes. A Traffic é dona de direitos de transmissão, patrocínio e promoção de eventos esportivos e jogadores, além de empresas de comunicação no Brasil. Consultado pela reportagem, o advogado de J. Hawilla, José Luis de Oliveira Lima, afirmou que o dono da Traffic "apoia as investigações e prestou esclarecimentos devidos às autoridades americanas" e está em liberdade nos Estados Unidos.

O terceiro brasileiro investigado pelo FBI é José Lazaro Margulies, proprietário das empresas Valente Corp. e Somerton Ltd., ambas ligadas a transmissões esportivas.

A nota divulgada pela justiça norte-americana afirma ainda que investiga suposto pagamento e recebimento de suborno em um patrocínio "da CBF para uma grande empresa de roupas esportivas dos EUA".

A Justiça americana também cita a Copa do Brasil, organizada pela CBF, como uma das competições em que poderia ter havido corrupção na negociação de direitos de transmissão e marketing.

A Copa do Mundo de 2014, realizada no Brasil, não é citada especificamente no documento.

Como funcionaria o esquema?

A denúncia afirma que, de 1991 até o momento, autoridades da Fifa se envolveram em vários crimes, incluindo fraude, subornos e lavagem de dinheiro. A Justiça afirma que duas gerações de dirigentes usaram suas posições para fazer parcerias com executivos de marketing esportivo que impediam outros de ter acesso a contratos e mantinham os negócios para eles por meio do pagamento de propinas.

A maior parte dos esquemas, de acordo com o departamento de Justiça, envolve recebimento de propina de executivos de marketing para comercialização de direitos de mídia e marketing de diversas competições esportivas - entre eles Copa América, Libertadores e Copa do Brasil.

Quem são os acusados?

Foram presas figuras-chave do futebol na América Latina, América do Norte e Caribe.

Além dos brasileiros implicados, foi preso o presidente da Concacaf, Jeffrey Webb, visto com um provável sucessor do presidente da entidade, Joseph Blatter.

Uma outra figura-chave é Charles "Chuck" Blazer, ex-representante da Fifa nos EUA, que aparentemente se tornou informante do FBI. Ele confessou ser culpado e já devolveu US$ 1,9 milhão.

Joseph Blatter foi preso?

Não. O presidente da Fifa - e homem mais poderoso do futebol mundial - não está entre os citados nos indiciamentos dos Estados Unidos. Mas a justiça americana afirma que os envolvidos estavam a serviço da Fifa - da qual ele é presidente. Até agora, ele não se pronunciou. Blatter tem grandes chances de ser reeleito à Presidência da entidade na sexta-feira.

Blatter anuncia escolha da Rússia para sediar Copa de 2018; escolha causou polêmica.

Recentemente, ele foi forçado a negar rumores de que estaria evitando viajar para os EUA porque temia ser preso.

Por que eles foram presos?

O FBI está investigando a Fifa há três anos. As investigações tiveram início por causa do processo de escolha dos países sedes das copas de 2018 e 2022 (Rússia e Catar), mas foi expandida para analisar os acordos da Fifa nos últimos 20 anos.

A acusação do Departamento de Justiça dos EUA diz que a corrupção era planejada nos EUA, mesmo quando era efetuada em outros locais. O uso de bancos americanos para transferir dinheiro é uma peça-chave da investigação.

Por que a Suíça?

É a sede da Fifa - o registro da entidade como instituição de caridade faz com que pague impostos reduzidos.

A Suíça é conhecida como um país onde empresas pouco transparentes são bem-vindas, principalmente em relação a impostos. Mas seu acordo de extradição com os EUA é claro: pessoas envolvidas em crimes podem ser enviadas aos EUA.

Aparentemente, autoridades americanas aproveitaram o que o congresso anual da Fifa fez com que todos se reunissem em um país que não colocaria obstáculos à extradição.

Os suíços também parecem estar indo atrás da Fifa, com três investigações em curso - incluindo uma anunciada horas após as prisões, sobre a escolha das cidades-sede das próximas Copas.

Quanto dinheiro está envolvido?

Muito, supostamente.

A denúncia dos EUA alega a corrupção envolveu US$ 150 milhões, e isso não inclui outras transações pelo mundo. Um relatório anterior sobre corrupção no Caribe, que vazou, afirma que propinas de US$ 40 mil foram pagas a autoridades em envelopes cheios de dinheiro.

Quase toda a renda da Fifa vem da Copa do Mundo, o evento esportivo mais lucrativo do mundo - superando as Olimpíadas. A Copa do ano passado custou ao Brasil cerca de US$ 4 bilhões, e a Fifa lucrou mais de US$ 2 bilhões.

O custo das duas próximas Copas deve ser superior: a Copa do Catar deve custar mais que US$ 6 bilhões.

Só concorrer a sediar a Copa já tem um custo enorme: a federação inglesa gastou 21 milhões de libras para concorrer à Copa de 2018.

As Copas da Rússia e do Catar serão feitas em outros países?

Isso é improvável, mas não impossível.

A denúncia dos EUA aborda casos de corrupção no passado - a Copa de 2010 na África do Sul, por exemplo, é mencionada - mas não futuros. As investigações da Suíça devem ser mais frutíferas em relação a isso, mas seria preciso ter provas contundentes para fazer a eleição outra vez.

Catar enfrenta denúncia de maus-tratos a imigrantes que trabalham em obras da Copa

Mudar a Copa da Rússia seria difícil. Poucos países têm estádios, infraestrutura e dinheiro para sediar o evento em um prazo tão curto. A melhor opção seria a Alemanha, que sediou a Copa de 2006.

O Catar é bem mais vulnerável e foi inundado com denúncias e alegações de corrupção desde que foi escolhido como sede. Mas, mesmo depois de ter visto vários escândalos de corrupção, uma mudança inédita de um torneio de verão para inverno e um escândalo sobre mortes de trabalhadores migrantes, há chances de que eles ainda sediem a competição de futebol mais importante do mundo.

Mas, segundo o procurador americano Kelly T. Currie, a investigação não vai parar por aí.

"Após décadas, segundo a denúncia, de corrupção descarada, o futebol internacional organizado precisa de um novo começo - uma nova chance para suas instituições fazerem uma vigilância honesta e apoiarem um esporte amado pelo mundo. Deixe-me ser claro: essa denúncia não é o último capítulo da nossa investigação", afirmou.

Por sua vez, a Rússia reclamou de postura dos EUA com Fifa: "juiz do mundo". O Ministério das Relações Exteriores russo disse que as prisões de dirigentes da Fifa e executivos de marketing do futebol pareciam ser uma tentativa ilegal dos Estados Unidos de impor suas leis em Estados estrangeiros.

"Sem entrar em detalhes sobre as acusações que foram levantadas, apontamos para o fato de que este é outro caso de aplicação extraterritorial ilegal de leis norte-americanas", afirmou o Ministério das Relações Exteriores da Russia em comunicado em seu site.

O Ministério russo disse ainda que espera que as prisões não sejam usadas para manchar a imagem da Fifa e não coloquem uma sombra sobre as decisões da organização, incluindo as decisões de ordem pessoal.

"Mais uma vez, pedimos que Washington pare de tentar constituir-se como um juiz muito além de suas fronteiras e siga os procedimentos legais internacionais", acrescentou o Ministério da Relações Exteriores russo.

Fonte: Pravda


Investigação acusa Marin de receber mais de R$ 20 milhões em propinas

28/05/2015

Documento divulgado por Departamento de Justiça americano detalha acusação de suborno que o dirigente teria recebido pela Copa América e pela Copa do Brasil

O Departamento de Justiça americano divulgou um documento de 164 páginas em que detalha as acusações feitas aos dirigentes da FIFA presos em Zurique. Suborno, lavagem de dinheiro, fraude, obstrução de justiça, entre outros crimes, são listados em 12 casos ou "esquemas". O  documento traz vários personagens sem nome - mas frisa que suas identidades são conhecidas pela investigação. O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, é acusado de vários crimes - e especificamente de receber suborno em duas negociações. 

Documento detalha valores recebidos por Marín em negociações 
com "co-conspiradores" (Foto: Reprodução)

A primeira acusação contra o brasileiro é relacionada às próximas quatro edições da Copa América e envolve a Datisa, uma empresa criada em 2013 para, de acordo com o documento, pagar as propinas. Segundo a acusação, a empresa Datisa pagaria até US$ 110 milhões em subornos (cerca de R$ 340 milhões) para garantir os direitos da competição até 2023. Deste montante, a Datisa já teria pago cerca de US$ 40 milhões divididos entre os dirigentes. Esse dinheiro seria distribuído assim: por cada edição, os presidentes da Conmebol, da CBF e da AFA embolsariam US$ 3 milhões cada (R$ 9,6 milhões) e os presidentes de outras sete confederações sul-americanas, não identificadas no documento, levariam US$ 1,5 milhão cada (R$ 4,7 milhões). Como restam oito confederações (Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Venezuela e Uruguai), não é possível apontar quais presidentes teriam recebido a quantia. Ainda sobrariam US$ 500 mil (R$ 1,6 milhão) para um décimo-primeiro dirigente não identificado. A soma desses valores totaliza os US$ 20 milhões apontados na acusação.

Segundo os investigadores americanos, as duas primeiras "cotas"  (pelo acordo e pelo torneio de 2015) foram pagas. A Copa América do Centenário (que celebra 100 anos da competição) e será realizada nos EUA traria mais dinheiro - e propina maior: US$ 30 milhões (R$ 96 milhões) a serem divididos. 

O preço dos contratos e os subornos em cada edição da Copa América (Foto: Reprodução)

Ou seja - segundo os investigadores, Marin teria recebido pelo menos US$ 6 milhões (cerca de 19,2 milhões) até agora pela Copa América. 

(Foto: Reprodução)

Marin também é acusado de receber propina num contrato de uma competição nacional. No capítulo do "Esquema da Copa do Brasil", o relatório lista diversos personagens sem nome - identificados apenas por números e pela alcunha "Co-Conspirador" (no total, o relatório lista 16 Co-Conspiradores que atuam em diversas negociações. Apenas dois Co-Conspiradores são claramente identificáveis, o # 1, que é o ex-secretário-geral da Concacaf, Chuck Blazer. E o Co-Conspirador #2  é apontado  como dono da Traffic - ou seja - o empresário José Hawilla. Ambos assumiram a culpa perante a justiça americana).

No capítulo da Copa do Brasil, a investigação relata uma disputa entre duas companhias de marketing esportivo pelos direitos da competição a partir de 2013. Essa disputa teria se encerrado em um acordo celebrado em agosto de 2012. Vejam o trecho que relata o acordo entre Hawilla e o Co-Conspirador #6, concorrente da Traffic, que disputava os direitos da Copa do Brasil.

Diz o relatório:

"O Co-Conspirador #6 aconselhou o Co-Conspirador #2 sobre os pagamentos que tinha concordado de fazer ao Co-Conspirador #11. Co-conspirador #6 disse também ao Co-Conspirator #2 que o pagamento de suborno que ele havia negociado inicialmente com o Co-Conspirador #11 tinha aumentado quando outros dirigentes da CBF, incluindo o réu José Maria Marin (que havia se tornado presidente da CBF em 2012) e Co-Conspirador #12 também requisitaram propinas. Co-Conspirador #2 concordou em pagar metade do custo do suborno - a ser distribuido entre Marin, Co-Conspirador #11 e Co-Conspirador #12. Em 15 de agosto de 2012  essa soma foi de R$ 2 milhões - então equivalente a US$ 986.000"

Segundo a acusação, os "Co-conspiradores"  usaram a rede bancária dos Estados Unidos para realizar as transações - tanto domésticas quanto internacionais. A investigação foi além. Em abril de 2014, o relatório diz que Marin esteve em Miami para anunciar a Copa America Centenario e apresenta um diálogo que o então presidente da CBF teria mantido com o "Co-Conspirador #2" - no qual teriam discutido  o status dos pagamentos devidos a ele e ao Co-Conspirador #12 pelo esquema da Copa do Brasil. 

"A certa altura, quando o Co-Conspirador #2 perguntou se era realmente necessário continuar a pagar seu antecessor na presidência da CBF, Marin respondeu: "Já é tempo de vir na nossa direção. Certo ou errado?". O Co-Conspirador #2 concordou dizendo  ´Claro, claro, claro. Esse dinheiro tem que ser dado a você. Marin concordou: ´É isso. Está certo´´"

Ou seja - Marin dividiria R$ 2 milhões a cada ano de contrato na Copa do Brasil com dois outros dirigentes. O contrato ira até 2022 - logo os cartolas dividiriam cerca de R$ 20 milhões por três - cada um levaria aproximadamente R$ 6,7 milhões. Até 2015, o cartola teria recebido cerca de R$ 2,65 milhões.

QUEM É QUEM




Polícia faz operação surpresa e prende dirigentes da Fifa por corrupção


27/05/2015

Segundo o "The New York Times", policiais invadiram hotel cinco estrelas de Zurique e efetuaram prisões. Ex-presidente da CBF, José Maria Marin seria um dos acusados

A polícia da Suíça prendeu, na madrugada desta quarta-feira em um hotel de Zurique seis dirigentes da Fifa sob a acusação de corrupção. De acordo com o "The New York Times", a ação foi movida por um pedido de autoridades americanas. Os suspeitos poderão ser extraditados para os Estados Unidos. Delegados de quase todas federações de futebol estão em Zurique para a reunião desta sexta-feira que poderá dar a Joseph Blatter o seu quinto mandato como presidente da entidade. O único detido identificado até o momento, segundo a rede de notícias CNN, foi Jeffrey Webb, presidente da CONCACAF (Confederação das Américas Central e do Norte). O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, estaria entre os acusados pela justiça americana. O porta-voz da FIFA, Walter de Gregorio, disse que Blatter não está entre os acusados. 

- Ele não está envolvido de modo algum - disse.

Segundo o jornal, as acusações baseadas numa investigação do FBI que começou em 2011 apontam corrupção generalizada na FIFA nas últimas duas décadas - envolvendo a disputa pelo direito de sediar as Copas da Rússia (2018) e Qatar (2022) - além de contratos de marketing e televisionamento. O rival de Blatter na eleição, o príncipe saudita Ali Bin Al Hussein, comentou para a emissora inglesa BBC:

- Hoje é um dia triste para o futebol. É uma história em andamento - cujos detalhes ainda estão aparecendo. 

Ainda segundo o New York Times, 14 executivos serão indiciados por crimes como fraude, lavagem de dinheiro e extorsão. O jornal divulgou o nome dos indiciados. Eles seriam o citado Webb (Ilhas Cayman), vice-presidente da comissão executiva e presidente da Concacaf; Eugenio Figueredo (Uruguai), que também integra o comitê da vice-presidência executiva e até recentemente era presidente da Conmebol; Jack Warner (Trinidad e Tobago), ex-vice-presidente da Fifa e ex-presidente da Concacaf, acusado anteriormente de inúmeras violações éticas; Julio Rocha (Nicarágua), presidente da Federação Nicaraguense; Costas Takkas; Rafael Esquivel; Nicolás Leoz, ex-presidente da Conmebol; e o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF.


Os policiais efetuaram as prisões no belo e tradicional hotel de Zurique (Foto: Reuters)

Outro já identificado é Eduardo Li, presidente da Federação da Costa Rica. Após ser apreendido, o dirigente foi conduzido por policiais juntamente com sua bagagem e imediatamente deixou o hotel por uma porta lateral. Além dos dirigentes, cinco executivos de marketing também serão indiciados. 
A Justiça Suíça divulgou nota oficial informando que seis acusados foram presos e aguardarão processo de extradição para os EUA. Segundo a nota, as autoridades americanas acusam os suspeitos de receberem milhões de dólares em subornos. As escolhas de Rússia e Catar como sedes para as duas próximas Copas (2018 e 2022) podem ser o tema central das investigações.

Jack Warner presidente da Concacaf (Foto: Getty Images)
Joseph Blatter não está entre os acusados, porém seu nome figura na lista de investigados pela polícia. Segundo informações da TV americana "CNN", o FBI já vinha atuando sobre o caso há cerca de três anos.

A operação surpresa foi realizada por policiais à paisana, que se dirigiram ao balcão de registros do Hotel Baur au Lac e, já de posse das chaves, subiram aos quartos dos suspeitos, efetuando as prisões. Todos os acusados responderão, entre outras, por fraude eletrônica, extorsão e lavagem de dinheiro.

O escândalo das detenções em Zurique pode comprometer a tentativa de reeleição de Blatter à presidência da Fifa. O objetivo do dirigente era deixar encaminhado, na sexta-feira, o acerto para o seu quinto mandato à frente da entidade maior do futebol mundial.

Ainda na manhã desta quarta-feira, a Fifa informou que irá realizar uma conferência de imprensa às 11h (6h no horário de Brasília) em sua sede de Zurique.


Eckert minimiza diferenças com Garcia sobre investigação das Copas de 2018 e 2022

16/11/2014

O jurista de ética da Fifa Hans-Joachim Eckert minimizou as diferenças com o investigador Michael Garcia acerca das conclusões de um relatório sobre o processo de escolha das sedes das Copas de 2018 e 2022, dizendo que o parecer ainda não estava finalizado.

"Nós chegamos a uma etapa intermediária da investigação", afirmou o juiz alemão Eckert ao jornal Frankfurter Allgemeine neste sábado, dois dias depois de negar a reabertura do processo de escolha das sedes. 

"Ele pode agora prosseguir com a investigação rumo ao relatório final", teria dito Eckert, segundo o jornal. 

Entidade máxima do futebol mundial, a Fifa entrou em nova crise na quinta-feira quando Eckert disse que não havia fundamentação jurídica para reabrir a controversa investigação do processo que determinou a Rússia como país-sede da Copa do Mundo de 2018 e o Catar como sede do torneio de 2022. 

A entidade e os países-sede enfrentam acusações de corrupção e pagamento de propina.

Três horas após a declaração de Eckert, o ex-promotor norte-americano Michael Garcia, que conduziu a investigação durante 18 meses, disse que as 42 páginas do parecer de Eckert deturpam seu relatório de 430 páginas e garantiu que vai levar o caso para o comitê de apelação da Fifa.

A Fifa, que já confirmou o recurso de Garcia, tem enfrentado enorme pressão para publicar o relatório completo.

Os dirigentes do Catar, que têm repetidas vezes negado as acusações, também têm sofrido críticas pelo tratamento que o país oferece a trabalhadores imigrantes na indústria da construção.

Eckert disse à Reuters em Munique no início da semana que estava surpreso com a reação de Garcia. 
"Normalmente você conversa com a outra pessoa internamente se você não aprova algo", disse ele, acrescentando que não teve como entrar em contato com Garcia. 

"Pode ter sido tudo um grande mal entendido", sugeriu o jurista.

Fonte: BOL

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Comitê de Ética da Fifa declara Copas de 2018 e 2022 livres de corrupção

Comunicado afirma que não existem provas de suborno nas candidaturas
Foto: Divulgação
13/11/2014

O inquérito que investigou as acusações de corrupção nas candidaturas e no pleito para a escolha das sedes da Copa do Mundo de 2018 e 2022 considerou que ambas as edições do Mundial de futebol estão livres de problemas. Nesta quinta-feira, um relatório foi divulgado com o resultado de dois anos de investigações. A Fifa comemorou em uma nota oficial e disse que está "ansiosa" por continuar o trabalho com Rússia e Qatar.

"A Fifa saúda o fechamento alcançado. Assim como agora olha para frente e espera continuar os preparativos para a Rússia 2018 e Qatar 2022 que já estão em andamento", comemorou a entidade logo após a divulgação do resultado. 

Segundo o comunicado oficial, as vitórias de Rússia e Qatar para sediar as Copas de 2018 e 2022 estão em dúvida desde 2010, ampliando a polêmica em 2012 com uma reportagem do jornal inglês Sunday Times. A publicação denunciou suborno por parte da campanha qatari. A partir daí, ainda segundo o texto, o Conselho de Ética da Fifa iniciou uma investigação  em que ouviu representantes de todas as candidaturas, membros do Comitê Executivo da Fifa e outros integrantes da entidade.

"O presidente da câmara do Comitê de Ética da FIFA considera que a investigação sobre o processo de licitação foi conduzida em plena conformidade com as disposições pertinentes dos códigos de ética da FIFA", resume o relatório. 

"Segundo as investigações, a Câmara Decisória do Comitê de Ética da Fifa considerou que as evidências disponíveis não são suficientes para embasar qualquer indício de conduta errada da campanha da Rússia 2018 ou de qualquer indivíduo envolvido para comprometer a integridade do processo de votação das Copas de 2018/2022", aumentou. 

A candidatura do Qatar enfrentou diversas acusações de corrupção, mas um relatório de 42 páginas assinado por Hans Joachim Eckert, um especialista independente contratado pela Fifa, não as comprovou, de acordo com a BBC. Ele estudou todas as candidaturas e não encontrou provas de problemas com o país e com a votação realizada em 2010.

"No que diz respeito às investigações sobre a campanha do Qatar 2022, há certos indícios de potencial conduta problemática de alguns indivíduos específicos sob o ponto de vista das regras do Código de Ética da Fifa. (...) Apesar disso, o presidente da Câmara Decisória do Comitê de Ética da Fifa chega à conclusão que fatos potencialmente problemáticos e circunstâncias identificadas pela investigação sobre a campanha do Qatar 2022 não comprometeram, de maneira nenhuma, a integridade do processo de votação das Copas de 2018/2022", definiu.

O relatório de investigação chega a citar um amistoso entre Brasil e Argentina realizado em novembro de 2010 em Doha e financiado por uma empresa do Qatar. Segundo o texto, uma associação de futebol do país teria apoiado a realização do evento em troca de outro tipo de apoio, inclusive fazendo pagamentos à Federação Argentina de Futebol. A investigação, porém, concluiu que esta associação não tinha nenhuma relação com a candidatura do Qatar para a Copa de 2022.

Por outro lado, a conduta da Inglaterra para receber uma edição da Copa foi considerada problemática. Segundo Eckert, os ingleses se comportaram de forma antiética na sua campanha, tentando barganhar favores com o ex-vice-presidente da Fifa, Jack Warner – ele deixou a entidade em 2011, em meio a acusações e suborno.

O relatório final ainda critica o processo de votação das sedes das Copas de 2018 e 2022. Chama o sistema utilizado de "exaustivo" e diz que o fato de escolherem-se duas sedes ao mesmo tempo facilita qualquer tipo de negociação de votos por parte dos membros votantes da Fifa. No entanto, o relatório aponta que, apesar de haver indícios de troca de votos no pleito do dia 2 de dezembro de 2010, o Comitê de Ética não obteve nenhuma evidência conclusiva de fraude.

Por fim, o relatório dá sugestões à Fifa de como devem ser os pleitos para sedes das próximas Copas do Mundo. Entre as mudanças propostas pelo Comitê de Ética estão a proibição de membros votantes da entidade visitarem os países candidatos, regras mais rígidas na escolha das pré-candidatas e o limite de no máximo três finalistas por pleito.

Fonte: UOL

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