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PRESIDENTE DA FIFA, GIANNI INFANTINO É ALVO DE INVESTIGAÇÃO



01/05/2017

Essa é a segunda vez que Infantino é alvo de uma apuração de seu Comitê de Ética

O presidente da Fifa, Gianni Infantino, é alvo de mais uma investigação, sob a suspeita de ter agido para influenciar eleições de entidades regionais e agido de forma irregular ao aceitar serviços prestados por entidades privadas ou governos. A revelação foi publicada pela revista alemã Der Spiegel e confirmada pelo Estado de S. Paulo.

Essa é a segunda vez que Infantino é alvo de uma apuração de seu Comitê de Ética. Na primeira ocasião, em meados do ano passado, o caso foi encerrado. Mas a reportagem apurou que as alegações de irregularidades não pararam contra o presidente que havia prometido dar um fim à crise de credibilidade da entidade.

Desta vez, o centro do questionamento é o papel que Infantino teve na eleição da Confederação Africana de Futebol e que colocou fim a um reinado de mais de 20 anos de Issa Hayatou. Ahmed Ahmed, pouco conhecido até então, acabou vencendo. Semanas antes do voto, porém, Infantino percorreu o continente africano e agora seu comitê de ética apura se houve influência indevida.

Assim como na primeira investigação, o órgão de ética da Fifa também apura o uso de jatos privados pelo presidente. Desta vez, os investigadores alegam que receberam novos documentos.

O Comitê ainda afirma estar preocupado com a falta de independência entre o presidente e aqueles que controlam as contas da Fifa, inclusive o Comitê de Auditoria.

A nova crise ocorre menos de dez dias do encontro anual da Fifa, que desta vez está programado para ter sua sede no Bahrein. Infantino tinha como plano concretizar suas reformas e mostrar um novo rosto para a entidade. Além disso, com a Justiça norte-americana, continua a tentar demonstrar que a Fifa foi alvo de cartolas sem escrúpulos. Mas que não seria uma organização criminosa. Para isso, entregou milhares de páginas de documentos de uma auditoria interna que teria realizado.

A situação de Infantino vem no momento em que as entidades esportivas voltam a estar no centro do foco da corrupção. Investigações do FBI sobre a corrupção na Fifa se ampliam e revelam como um dos homens que se apresentava como um "reformador" no exporte mundial atuou para comprar votos e apoio.

No centro da investigação está Ahmad Al Fahad al Sabah, membro do COI e conhecido como um dos atores mais poderosos do esporte mundial. Foi seu apoio, por exemplo, que garantiu a escolha de Thomas Bach na liderança do movimento olímpico. Na Fifa, Al Sabah ainda age como um dos homens mais influentes e, desde a queda de Joseph Blatter, saiu em apoio aos integrantes da Uefa, entre eles o atual presidente Gianni Infantino.

Mas documentos do Departamento de Justiça dos EUA revelam agora que ele pagou US$ 850 mil entre 2009 e 2014 para que outro cartola - até hoje membro do Comitê de Auditoria da Fifa - identificasse outros cartolas que estivessem dispostos a entrar no esquema de fraude e garantisse apoio a seu grupo. O objetivo era o de permitir que a facção que o estava pagando ganhasse poder e influência dentro da Fifa.

O auditor da Fifa, Richard Lai, se declarou culpado diante da corte de Nova Iorque, revelando como havia sido "contratado" para recrutar outros cartolas em esquemas de corrupção. Na Fifa, ele foi suspenso temporariamente do futebol nesta sexta-feira.

Mas é o envolvimento direto de Al Sabah que abre uma nova crise no esporte mundial. O representante árabe foi um dos homens que desenhou as reformas da Fifa e se apresentava como a pessoa que poderia eleger qualquer dirigente. Nos documentos, porém, ele aparece como "co-conspirador 2", um alto funcionário da Fifa, da Federação de Futebol do Kuwait e do Conselho Olímpico da Ásia. Apenas Al Sabah mantinha tais cargos.

Em uma das reuniões, Lai pediu dinheiro para supostamente contratar treinadores para o time de Guam, onde era presidente da federação local. Al Sabah respondeu que poderia enviar US$ 200 mil. Mas, no lugar de dar os dados de uma conta oficial, Lai passou seus dados bancários pessoais, e não da federação. Segundo os americanos, o dinheiro saiu de uma conta no Kuwait para outra do HSBC, em Hong Kong. O dinheiro jamais foi usado para contratar treinadores.

SUSPENSÃO DE BLATTER MARCA FIM DE UMA ERA NA FIFA

Blatter nega ter participado de qualquer esquema de corrupção à frente da Fifa (AFP)

22/12/2015

Os 17 anos de Sepp Blatter à frente da Fifa parecem ter terminado de forma inglória: nesta segunda-feira ele foi banido por oito anos de qualquer atividade administrativa associada a esse esporte, o que marca o fim de uma era na administração da Federação Internacional de Futebol e na carreira do dirigente suíço.

Durante meses, o homem mais poderoso do futebol mundial teve a reputação abalada por uma série de acusações de corrupção.

Blatter nega participação em qualquer irregularidade e pretende apelar contra seu banimento, que foi decidido pelo comitê de ética da Fifa.

"Vou lutar até o fim", disse Blatter nesta segunda-feira em entrevista coletiva. "Após 40 anos (trabalhando no futebol), não pode ser assim. Não é possível."

Para muitos dirigentes e analistas de futebol, porém, a suspensão pode selar o fim da carreira de Blatter, 79, no futebol - esporte em cuja administração ele passou mais da metade de sua vida.

Ele já estava suspenso do cargo por 90 dias em função das investigações. Mas nas atuais circunstâncias parece impossível que permaneça na presidência da organização.

Blatter foi banido por acusações de ter assinado um contrato "desfavorável" para a Fifa e fazer um pagamento irregular de US$ 2 milhões em 2011 ao presidente da União das Federações Europeias de Futebol (Uefa), o francês Michel Platini, que também foi suspenso por oito anos das atividades ligadas ao futebol.

Para o juiz alemão Hans-Joachim Eckert, ambos não conseguiram demonstrar que o pagamento foi legítimo.

Platini, por sua vez, defendeu-se dizendo que a decisão teria como objetivo "sujar" seu nome e anunciou que também pretende apelar.

Outras investigações

Essa investigação do comitê de ética foi aberta depois que o procurador-geral da Suíça começou a apurar esses pagamentos irregulares.

Os problemas de Blatter, porém, não param por aí.

O presidente da Fifa também é investigado pelo comitê de ética por acusações ligadas a um acordo sobre direitos televisivos selado em 2005 com Jack Warner, ex-presidente da Concacaf, órgão máximo do futebol na América do Norte, América Central e Caribe.

Blatter na realidade anunciou sua demissão em junho, depois que autoridades da Fifa foram acusadas de corrupção pelo Departamento de Justiça dos EUA. Mas, na ocasião, ele disse que permaneceria no cargo até que fossem realizadas novas eleições.

Platini, da Uefa, também foi banido por oito anos de atividades ligadas ao futebol (AFP)

A demissão causou surpresa. Até porque dias antes Blatter havia sido reeleito para um quinto mandato sem precedentes na história da Fifa, com o discurso de que seria o homem certo para implementar as reformas necessárias na organização.

Aparentemente, porém, a dramática prisão de funcionários da Fifa em seus quartos de hotel em Zurique, quando eles se reuniam para um Congresso, no dia 27 de maio, fez com que a reeleição de Blatter e seu novo mandato fossem envoltos em um mar de incertezas.

História pessoal

Blatter nasceu em uma família humilde na cidade de Visp, nos Alpes suíços.

Sempre gostou de assumir papéis de liderança. Diz a lenda que era o rei do parquinho infantil em sua escola primária, na década de 1940, além de ser o único menino da região que sabia jogar futebol como um profissional.

Depois da escola, Blatter teve uma carreira pouco comum para um suíço nos anos 1960. Ele serviu o Exército, chegando ao posto de coronel. E nas Forças Armadas fez contatos que lhe seriam úteis mais tarde.

Blatter também trabalhou na indústria de relógios, e logo entrou no ramo de gerenciamento esportivo, atuando na Federação Suíça de Hóquei no Gelo antes de entrar para Fifa, como diretor técnico, em 1975.

Quando ele foi eleito pela primeira vez presidente da Fifa, em 1998, os suíços celebraram, como lembra Roland Buechel, membro do Parlamento do país e ativista pela transparência no futebol.

"Ficamos orgulhosos de ter um suíço à frente de uma organização internacional tão importante", diz.

Em Visp, a velha escola de Blatter foi rebatizada em sua homenagem. Seu retrato foi pendurado no hall de entrada da instituição e festivais esportivos passaram a levar o nome do presidente da Fifa.


Até hoje, ele costuma ter uma recepção calorosa quando visita a cidade.

"Ele é muito simples, muito acessível", diz Hans-Peter Berchtold, editor de esportes do jornal local Walliserbote.

Acusações

Berchtold diz que as pessoas da cidade estão cientes dos escândalos de corrupção envolvendo a Fifa.

“Ninguém é cego”, diz. “Todo mundo sabe que há problemas na Fifa. Mas acho que eles (os moradores que conhecem o presidente da entidade há muitos anos) não acham que Blatter deve ser responsabilizado por tudo.”

Berchtold defende que há muitos aspectos positivos da gestão de Blatter na Fifa que devem ser considerados em uma análise crítica, como a promoção do futebol em países em desenvolvimento, a primeira Copa do Mundo na África e, mais recentemente, o início do processo de reforma da entidade.

É nesse ponto, porém, que alguns críticos de Blatter discordam.

“Afinal, ele teve 17 anos para melhorar a governança da Fifa”, disse em entrevista à BBC em meados do ano Eric Martin, chefe do braço suíço da ONG Transparência Internacional (TI).

Em 2011, um painel independente propôs um pacote de reformas para a Fifa. A entidade, porém, escolheu ignorar recomendações que ampliariam a transparência sobre seus negócios, segundo Martin.

Além disso, enquanto alguns velhos amigos descrevem Blatter como alguém sensato e aberto ao diálogo, outras pessoas que trabalharam com ele o acusam de hostilizar quem lhe faz oposição.

Muitos criticam o fato de que, durante a corrida pela presidência da Fifa, Blatter rejeitou a possibilidade de um debate na TV com outros candidatos.

E, certa vez, quando questionado sobre qual sua resposta para as críticas a sua gestão, ele respondeu: Podia perdoar, "mas não esquecer”.

Fonte: BBC Brasil


JUSTIÇA SUÍÇA APONTA MAIS DE 120 TRANSAÇÕES SUSPEITAS NAS ESCOLHAS DAS COPAS DE 2018 E 2022

Justiça suíça aponta mais de 120 transações fraudulentas na atribuição 
de Mundiais | Foto:  Fifa / Divulgação / CP Memória

25/11/2015

Investigações caem sobre Mundiais que serão realizados na Rússia no no Catar

A investigação suíça sobre as condições da atribuição das Copas do Mundo de 2018 à Rússia e 2022 ao Catar revelou "mais de 120" transações financeiras suspeitas, anunciou o gabinete da procuradoria-geral da Suíça nesta quinta-feira.

Essas transações, apontadas pelos investigadores do escritório suíço de comunicação em matéria de lavagem de dinheiro, "foram coletadas nos processos judiciais em torno da atribuição dos Mundiais de 2018 e de 2022, em dezembro de 2010", disse o porta-voz do gabinete do procurador-geral.

Esse quantidade em agosto era de 103, mas o número ainda pode aumentar visto que as investigações ainda estão em curso. O escritório do procurador-geral suíço acrescentou que "até o momento, nenhuma autoridade do Catar foi ouvida em relação ao Mundial de 2022, mais de seis meses depois da abertura da investigação".

"Os membros do comitê organizador da Copa do Mundo do Catar são bem-vindos se desejarem falar com o gabinete do procurador-geral porque a opinião deles interessa verdadeiramente", prosseguiu o porta-voz. "O antigo presidente da Confederação Asiática de Futebol (o empresário do Catar Mohamed Bin Hammam, envolvido pelo dossiê de atribuição do Mundial-2022) é particularmente bem-vindo", acrescentou.

Bin Hammam, de 66 anos, que também esteve à frente da Federação do Catar e foi membro do Comitê Executivo da Fifa, foi expulso da instituição em 2011 por ter tentado comprar votos em sua campanha à presidência. As investigações da justiça suíça, que podem durar até seis anos, se desenvolveram em paralelo a uma investigação da justiça americana sobre a suposta corrupção no interior da Fifa. Segundo a acusação, cerca de 150 milhões de dólares em subornos e comissões teriam circulado pelas altas esferas do futebol há 25 anos.


JOSEPH BLATTER RECEBE ALTA DE HOSPITAL NA SUÍÇA E, SEGUNDO SEU ASSESSOR PESSOAL, ESTÁ 'MUITO FELIZ'

Segundo a assessoria, Joseph Blatter teve um mal-estar e problemas relacionados ao estresse

13/11/2015

Suíço de 79 anos foi submetido a exames médicos na última semana

Presidente suspenso da Fifa, Joseph Blatter recebeu alta do hospital em que foi internado nesta semana, em Zurique, na Suíça. A informação foi confirmada nesta quinta-feira pelo assessor do dirigente, Klaus Stoehlker, em entrevista para o canal de TV da agência Reuters.

Depois de ter sido submetido a exames médicos na semana passada, o suíço de 79 anos de idade precisou dar entrada no hospital, que não divulgou o motivo da internação. Sem fornecer maiores detalhes, sua assessoria confirmou que o dirigente teve um mal-estar e explicou que os problemas estariam relacionados com o estresse sofrido nas últimas semanas.

Envolto nos escândalos de corrupção que assolam a Fifa, entre eles o que envolve a investigação que apura um pagamento suspeito feito por ele a Michel Platini e provocou a suspensão dos dois dirigentes por 90 dias, Blatter agora teve a sua condição de saúde respaldada pela sua assessoria.

"Ele precisou ficar alguns dias no hospital, mas agora saiu, ele está em casa, em Valais. Ele está muito feliz e está relaxando alguns dias até o início da próxima semana, então estará de volta", afirmou Stoehlker, que depois assegurou que Blatter está "se recuperando muito rápido".

A notícia da alta de Blatter acontece no mesmo dia em que a Fifa confirmou que cinco dirigentes tiveram suas candidaturas aprovadas para participar da eleição que servirá para apontar o sucessor do cartola suíço, em 26 de fevereiro do próximo ano. Ali Al Hussein, Salman Bin Ebrahim Al Khalifa, Jérôme Champagne, Gianni Infantino e Tokyo Sexwale foram anunciados como candidatos, em informe divulgado nesta manhã pela entidade que controla o futebol mundial.

O comitê eleitoral da Fifa, que submete os candidatos a testes de integridade, aprovou cinco dos sete nomes apresentados, sendo que Platini, presidente suspenso da Uefa, ainda precisa aguardar que o exame de sua situação legal seja concluído, enquanto o liberiano Musa Bility, outro possível postulante ao cargo máximo do futebol, foi afastado da disputa.


Reino Unido vai investigar suposta lavagem de dinheiro na Fifa



29/10/2015

A escolha das sedes das Copas do Mundo 2018 e 2022 ainda alvo de investigação e, nessa semana, mais uma suposta irregularidade veio à tona. Dessa vez, pelo Reino Unido, que levantou a hipótese de lavagem de dinheiro no processo realizado pela Fifa em dezembro de 2010.

"Nós ainda estamos examinando questões em torno da possível lavagem de dinheiro", disse David Green, diretor do Escritório de Fraudes Graves (Serious Fraud Office, SFO), à BBC.

Segundo Green, há forte indício de lavagem de dinheiro envolvendo o Comitê da Austrália, que teria desembolsado 270 mil libras (R$ 1,6 milhão) ao então vice-presidente da Fifa  e presidente da Cocacaf, Jack Warner

"Não posso confirmar a afirmação de que o dinheiro passou por Londres. Certamente começou em Sydney e parece ter acabado em Trinidad. Pode ser a lavagem de dinheiro, sim. Há uma série de questões que ainda estamos verificando", explicou Green.

O diretor disse ainda que o SFO não pôde agir em relação às outras práticas de corrupção na entidade máxima do futebol. De acordo com ele, a organização não tinha competência para ir atrás Fifa sob as leis de suborno.

Fonte: UOL


Fifa: investigações não devem impedir Copa de 2018 na Rússia

Logo da Copa do Mundo de 2018 na Rússia em São Petersburgo

23/08/2015

As investigações criminais dos Estados Unidos e da Suíça sobre a corrupção no futebol mundial dificilmente impedirão a Rússia de manter o direito de sediar a Copa do Mundo de 2018, de acordo com fontes norte-americanas e europeias familiarizadas com os inquéritos.

Os promotores de Nova York e de Zurique estão examinando se houve irregularidades nas concessões do Mundial russo e no de 2022 para o Catar. O comitê executivo da Fifa tomou as duas decisões em 2010.

A análise destas decisões é parte de uma investigação mais abrangente sobre a Fifa e suas afiliadas, o que levou ao indiciamento de nove dirigentes em maio, incluindo várias pessoas que atuaram no comitê executivo da Fifa, e cinco executivos de marketing esportivo. Todos eles receberam várias acusações relacionadas à corrupção, como lavagem de dinheiro e fraude eletrônica.

Mas as autoridades da Suíça não acreditam que seu inquérito em curso sobre a Fifa irá revelar quaisquer indícios de má conduta que forçariam o organismo sediado em Zurique a reconsiderar a realização da competição de 2018 na Rússia, afirmaram as fontes.

Um dos motivos é que faltam menos de três anos para o torneio, o que tornaria uma mudança para outro país um pesadelo logístico em potencial.

A investigação russa tem sido especialmente difícil, porque os computadores usados pelo comitê que avaliou as propostas parecem ter sido destruídos, o que significa que muitos documentos não foram disponibilizados aos investigadores.

Em uma declaração em resposta a perguntas enviadas pela agência inglesa de notícias Reuters, o escritório de imprensa do comitê organizador local da Copa da Rússia declarou que os computadores e outros equipamentos foram arrendados pela equipe de campanha, e que ao final do processo foram devolvidos a seus donos.

– Os computadores se tornaram obsoletos e foram descartados por seu proprietário – informou.

O comitê também disse que a campanha russa foi bem sucedida por causa “da excelência do conceito” apresentado. A equipe de campanha, declarou, insistiu o tempo todo na transparência e nas melhores práticas internacionais de governança, e sempre operou “em total obediência ao espírito e à letra do Código de Ética da Fifa”.

O comitê ainda afirmou que irá cooperar com toda e qualquer autoridade relevante.


Investigação acusa Marin de receber mais de R$ 20 milhões em propinas

28/05/2015

Documento divulgado por Departamento de Justiça americano detalha acusação de suborno que o dirigente teria recebido pela Copa América e pela Copa do Brasil

O Departamento de Justiça americano divulgou um documento de 164 páginas em que detalha as acusações feitas aos dirigentes da FIFA presos em Zurique. Suborno, lavagem de dinheiro, fraude, obstrução de justiça, entre outros crimes, são listados em 12 casos ou "esquemas". O  documento traz vários personagens sem nome - mas frisa que suas identidades são conhecidas pela investigação. O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, é acusado de vários crimes - e especificamente de receber suborno em duas negociações. 

Documento detalha valores recebidos por Marín em negociações 
com "co-conspiradores" (Foto: Reprodução)

A primeira acusação contra o brasileiro é relacionada às próximas quatro edições da Copa América e envolve a Datisa, uma empresa criada em 2013 para, de acordo com o documento, pagar as propinas. Segundo a acusação, a empresa Datisa pagaria até US$ 110 milhões em subornos (cerca de R$ 340 milhões) para garantir os direitos da competição até 2023. Deste montante, a Datisa já teria pago cerca de US$ 40 milhões divididos entre os dirigentes. Esse dinheiro seria distribuído assim: por cada edição, os presidentes da Conmebol, da CBF e da AFA embolsariam US$ 3 milhões cada (R$ 9,6 milhões) e os presidentes de outras sete confederações sul-americanas, não identificadas no documento, levariam US$ 1,5 milhão cada (R$ 4,7 milhões). Como restam oito confederações (Bolívia, Chile, Colômbia, Equador, Paraguai, Peru, Venezuela e Uruguai), não é possível apontar quais presidentes teriam recebido a quantia. Ainda sobrariam US$ 500 mil (R$ 1,6 milhão) para um décimo-primeiro dirigente não identificado. A soma desses valores totaliza os US$ 20 milhões apontados na acusação.

Segundo os investigadores americanos, as duas primeiras "cotas"  (pelo acordo e pelo torneio de 2015) foram pagas. A Copa América do Centenário (que celebra 100 anos da competição) e será realizada nos EUA traria mais dinheiro - e propina maior: US$ 30 milhões (R$ 96 milhões) a serem divididos. 

O preço dos contratos e os subornos em cada edição da Copa América (Foto: Reprodução)

Ou seja - segundo os investigadores, Marin teria recebido pelo menos US$ 6 milhões (cerca de 19,2 milhões) até agora pela Copa América. 

(Foto: Reprodução)

Marin também é acusado de receber propina num contrato de uma competição nacional. No capítulo do "Esquema da Copa do Brasil", o relatório lista diversos personagens sem nome - identificados apenas por números e pela alcunha "Co-Conspirador" (no total, o relatório lista 16 Co-Conspiradores que atuam em diversas negociações. Apenas dois Co-Conspiradores são claramente identificáveis, o # 1, que é o ex-secretário-geral da Concacaf, Chuck Blazer. E o Co-Conspirador #2  é apontado  como dono da Traffic - ou seja - o empresário José Hawilla. Ambos assumiram a culpa perante a justiça americana).

No capítulo da Copa do Brasil, a investigação relata uma disputa entre duas companhias de marketing esportivo pelos direitos da competição a partir de 2013. Essa disputa teria se encerrado em um acordo celebrado em agosto de 2012. Vejam o trecho que relata o acordo entre Hawilla e o Co-Conspirador #6, concorrente da Traffic, que disputava os direitos da Copa do Brasil.

Diz o relatório:

"O Co-Conspirador #6 aconselhou o Co-Conspirador #2 sobre os pagamentos que tinha concordado de fazer ao Co-Conspirador #11. Co-conspirador #6 disse também ao Co-Conspirator #2 que o pagamento de suborno que ele havia negociado inicialmente com o Co-Conspirador #11 tinha aumentado quando outros dirigentes da CBF, incluindo o réu José Maria Marin (que havia se tornado presidente da CBF em 2012) e Co-Conspirador #12 também requisitaram propinas. Co-Conspirador #2 concordou em pagar metade do custo do suborno - a ser distribuido entre Marin, Co-Conspirador #11 e Co-Conspirador #12. Em 15 de agosto de 2012  essa soma foi de R$ 2 milhões - então equivalente a US$ 986.000"

Segundo a acusação, os "Co-conspiradores"  usaram a rede bancária dos Estados Unidos para realizar as transações - tanto domésticas quanto internacionais. A investigação foi além. Em abril de 2014, o relatório diz que Marin esteve em Miami para anunciar a Copa America Centenario e apresenta um diálogo que o então presidente da CBF teria mantido com o "Co-Conspirador #2" - no qual teriam discutido  o status dos pagamentos devidos a ele e ao Co-Conspirador #12 pelo esquema da Copa do Brasil. 

"A certa altura, quando o Co-Conspirador #2 perguntou se era realmente necessário continuar a pagar seu antecessor na presidência da CBF, Marin respondeu: "Já é tempo de vir na nossa direção. Certo ou errado?". O Co-Conspirador #2 concordou dizendo  ´Claro, claro, claro. Esse dinheiro tem que ser dado a você. Marin concordou: ´É isso. Está certo´´"

Ou seja - Marin dividiria R$ 2 milhões a cada ano de contrato na Copa do Brasil com dois outros dirigentes. O contrato ira até 2022 - logo os cartolas dividiriam cerca de R$ 20 milhões por três - cada um levaria aproximadamente R$ 6,7 milhões. Até 2015, o cartola teria recebido cerca de R$ 2,65 milhões.

QUEM É QUEM




Quem é quem: conheça os acusados e condenados no escândalo da Fifa

Esquivel, Rocha, Webb, Marin, Li e Figueredo: seis dos sete presos; Leóz 
(ex-presidente da Conmebol) e Warner (ex-Concacaf) também estão sendo 
investigados por corrupção ligada à Fifa (Foto: Agência AFP)

27/05/2015

Com José Maria Marín, lista de réus conta com 18 pessoas, entre dirigentes e empresários de marketing esportivo, além de duas empresas do grupo Traffic

A investigação do FBI que culminou na prisão de nove dirigentes da Fifa em Zurique, nesta quarta-feira, e o processo movido pela Justiça dos Estados Unidos envolve 18 pessoas. São quatro réus já condenados, que assumiram a culpa por diversos crimes, e outros 14 acusados (incluindo os dirigentes), sendo dois desses brasileiros: o ex-presidente e atual vice-presidente da CBF José Maria Marín e o empresário José Lázaro Margulies. Confira a lista dos envolvidos no escândalo abaixo:

DIRIGENTES PRESOS

José Maria Marín, brasileiro, 83 anos - ex-presidente e atual vice-presidente da CBF

Jeffrey Webb, caimanês, 50 anos - vice-presidente da Fifa e membro do Comitê Executivo, presidente da Concacaf e da federação de Ilhas Cayman

Eugenio Figueredo, uruguaio, 83 anos - vice-presidente da Fifa e membro do comitê executivo, ex-presidente da Conmebol e da federação uruguaia

Eduardo Li, costarriquenho, 56 anos - presidente da federação de Costa Rica, membro do Comitê Executivo da Fifa e do Comitê Executivo da Concacaf

Julio Rocha, nicaraguense, 64 anos - presidente da federação da Nicarágua e membro do comitê de desenvolvimento da Fifa

Rafael Esquivel, venezuelano, 68 anos - presidente da federação da Venezuela e membro do comitê-executivo da Conmebol

Costas Takkas, inglês, 58 anos - braço-direito do presidente da Concacaf

OUTROS ACUSADOS

José Lázaro Margulies, brasileiro, 75 anos - chefe da empresa Valente Corp. and Somerton Ltd. 

Alejandro Burzaco, argentino, 50 anos - chefe da empresa de marketing esportivo Torneos y Competencias SA (Argentina) e suas afiliadas

Aaron Davidson, americano, 44 anos - presidente da Traffic Sports USA Inc. (Estados Unidos)

Hugo e Mariano Jinkis, argentinos, 70 e 40 anos - chefes da empresa de marketing Full Play Group SA (Argentina) e suas afiliadas

Nicolás Leoz, paraguaio, 86 anos - ex-presidente da Conmebol e ex-membro do comitê executivo da Fifa

Jack Warner, trindadense, 72 anos - presidente da União de Futebol do Caribe, conselheiro especial da federação de Trinidad e Tobago, ex-vice-presidente do Comitê Executivo da Fifa e ex-presidente da Concacaf

RÉUS CONFESSOS

José Hawilla, brasileiro, 71 anos - fundador e presidente do grupo Traffic

Charles Blazer, americano, 70 anos - ex-secretário-geral da Concacaf e ex-membro do Comitê Executivo da Fifa

Daryan e Daryll Warner, trindadense e americano, 46 anos e 40 anos - filhos do também acusado Jack Warner, ex-membro do comitê de desenvolvimento da Fifa

Blazer (à direita) já foi presidente do Comitê Organizador do Mundial de 
Clubes da Fifa (Foto: Thiago Dias)

EMPRESAS CONDENADAS

Traffic Sports International Inc. (Ilhas Virgens Britânicas)

Traffic Sports USA Inc. (Estados Unidos)


Suíça abre investigação sobre escolha das próximas copas

Qatar: o escritório também apreendeu documentos e dados eletrônicos 
na sede da Fifa, a organizadora da competição - Karim Sahib/AFP

27/05/2015 

O escritório do procurador-geral da Suíça afirmou hoje que abriu uma investigação para apurar má conduta e lavagem de dinheiro relacionadas ao processo de escolha das sedes da Copa do Mundo de futebol em 2018 e 2022.

Os países que devem sediar as competições nesses anos são, respectivamente Rússia e Catar.

O escritório também apreendeu documentos e dados eletrônicos na sede da Fifa, a organizadora da competição.

Arquivos e documentos bancários serão usados no inquérito tanto na Suíça quanto no exterior, disse em nota o órgão.

Fonte: ESPN

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