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A COPA DE 50 EM PORTO ALEGRE



29/10/2016

O Estádio dos Eucaliptos foi reformado para a Copa de 1950, com a derrubada do antigo pavilhão de madeira, na Rua Silveiro – da época da inauguração, em 1931 –, e a construção de uma arquibancada de concreto. O Internacional recebeu ajuda da Prefeitura de Porto Alegre, C$500 mil, e 5% sobre a renda bruta dos dois jogos. Os sócios do Inter, no entanto, tiveram que pagar ingresso.

Originalmente, Porto Alegre teria três jogos da Copa de 1950: Uruguai x França dia 25 de junho, França x Bolívia a 28 de junho, e Bolívia x Uruguai a 2 de julho. Mas a França não veio ao Mundial, a partida Bolívia x Uruguai foi disputada em Belo Horizonte – no Estádio 7 de Setembro, o Independência, do América –, e Porto Alegre ficou com dois jogos do México, contra Iugoslávia e Suíça.

Na partida do México contra os suíços, os dois times entraram em campo com camisetas vermelhas. O Inter não podia ajudar, porque as suas também eram da mesma cor, e os mexicanos acabaram jogando com as camisetas de listras verticais azuis e brancas do Cruzeiro de Porto Alegre. 

Na verdade, até mesmo quatro partidas em Porto Alegre chegaram a ser cogitadas. Dia 18 de janeiro de 1950, o prefeito Ildo Meneghetti recebeu o presidente da CBD, o gaúcho Rivadávia Corrêa Meyer, e o da FRGF, Aneron Corrêa de Oliveira, quando se falou de dois jogos nos Eucaliptos e outros dois no Estádio da Montanha. Os clubes ficaram sabendo que teriam que melhorar os seus gramados, construir túneis de acesso, e obrigar os donos de cadeiras cativas a pagarem ingressos. A prefeitura se dispôs a pagar cercas de arame para isolar o público, e a fornecer os operários e o material de construção para a ampliação das arquibancadas.

O jogo Iugoslávia 4x1 México foi disputado dia 28 de junho de 1950, uma quarta-feira, e Suíça 2x1 México a 2 de julho de 1950, domingo.

OS JOGOS

Iugoslávia 4x1 México
28.6.1950, Eucaliptos, Porto Alegre, 12.000 espectadores, C$320.410,00
Iugoslávia – Mrkusic, Horvat e Stankovic; Zeljko Cjaikovski, Jovanovic e Djaijic; Mihajlovic, Mitic, Tomasevic, Bobek e Zlatko Cjaikovski
Técnico – Milorad Arsenijevic
México – Carbajal, Gutierrez e Ruiz; Gomez, Ochoa e Ortiz; Flores, Naranjo, Casarin, Perez e Velasquez
Técnico – Octávio Vial
Gols – Bobek 19, Zlatko Cjaikovski 22, Zlatko Cjaikovski 62, Tomasevic 81, Velasquez 88
Árbitro – Reginald Leafe (Inglaterra)

Suíça 2x1 México
2.7.1950, Eucaliptos, Porto Alegre, 9.000 espectadores, C$94.700,00
Suíça – Hug, Neury e Bocquet; Lusenti, Eggimann e Quinche; Tamini, Antenen, Friedlander, Bader e Fatton
Técnico – Karl Rappan
México – Carbajal, Gutierrez e Roca; Gomez, Ochoa e Ortiz; Guevara, Flores, Casarin, Borbolla e Velasquez
Técnico – Octávio Vial
Gols – Bader 12, Tamini 45, Casarin 88
Árbitro – Ivan Eklind (Suécia)


Estádio dos Eucaliptos - 1950

O REPÓRTER JOSUÉ GUIMARÃES

Em 1950, a revista “O Cruzeiro” era em termos de informação para o Brasil o que hoje é a TV Globo. Na sua edição de 22 de julho de 1950, por exemplo, a sua tiragem foi de 285 mil exemplares, contando que o Brasil tinha um quarto da sua população de hoje. E o correspondente da revista em Porto Alegre, cobrindo os jogos Iugoslávia x México (28 de junho de 1950, uma quarta-feira) e México x Suíça (2 de julho de 1950, domingo), era um jovem repórter, Josué Guimarães, que não gostou do que viu:

- Os rapazes do México possuem apenas vontade de ganhar, não têm conjunto e perdem a calma a todo o momento: quando o adversário costura, como foi o caso da Iugoslávia, vemos em campo 11 bons moços desorientados, chutando para o lado que estiver na frente – escreveu o jornalista para “O Cruzeiro”.

Autor de livros como “Camilo Mortágua”, “A Ferro e Fogo”, “Tambores Silenciosos”, o escritor Josué Guimarães tratou também de acompanhar os bastidores da Copa de 1950 em Porto Alegre, como aconteceu na véspera do jogo Suíça x México:

- No City Hotel fomos encontrar os rapazes helvéticos grudados num pequeno rádio de mesa instalado no salão de leitura: ali dentro não tínhamos o cortante frio das ruas, o aquecimento central convidava para as poltronas macias onde êles se acomodavam interessados pelo resultado de Brasil x Iugoslávia, e torciam contra o Brasil – constatou Josué.

Ele detestou tudo no jogo Suíça 2x1 México, e não apenas o futebol dos dois times: “Um juiz bisonho e um público escasso”, informou no olho da matéria, com fotos de Ed Keffel, que mostrou uma faixa acima do público das gerais, “TORCIDA SUÍÇA”. A estrela de “O Cruzeiro” era o jornalista David Nasser, que por sua vez resumiu depois a vitória do Uruguai sobre o Brasil numa manchete tão curta quanto amarga: “Derrota da máscara”.

COMITÊ ORGANIZADOR DA COPA DE 1950 EM PORTO ALEGRE

Presidente: Aneron Corrêa de Oliveira, presidente da Federação Rio Grandense de Futebol, FRGF

Recepção e atendimento: Otávio Abreu da Silva Lima, Júlio Lopes dos Santos Sobrinho, Osmar J. Martins, Jorge Melo Guimarães, Abelard Jacques Noronha, Pedro Moreira, Diogo Antônio Pastor, Osvaldo Lia Pires, Augusto Perez, Nestor Pereira, Rafael Risco, Carlos de Lorenzi

Alojamento e transporte: Divo Nilson Sperb, capitão Mareu Ferreira, Oscar Sperb e jornalista José Domingos Varela

Propaganda: Luiz Palhares de Melo e Associação dos Cronistas Esportivos de  Porto Alegre, Acepa, hoje Aceg

Fonte: Secopa

Cursos Online na área de Ciências Exatas e Tecnologia

COPA DO MUNDO 1950 - BRASIL

Ghiggia comemora gol da vitória do Uruguai sobre Brasil na final de 1950 
e cala o Maracanã (Foto: Agência AP )

22/12/2015

Após paralisação da Copa por 12 anos devido à Segunda Guerra, Uruguai conquista bicampeonato diante dos favoritos donos da casa, e 'Maracanazo' até hoje é lembrado

ESCOLHA DA SEDE

Desde 1938 o Brasil pleiteava ser sede de Mundial. A Alemanha também. Veio a Segunda Guerra. Duas Copas não foram realizadas - 1942 e 1946. No Congresso pós-Guerra da Fifa, em 1946, os alemães, semidestruídos, retiraram sua candidatura. Apenas o Brasil a manteve. E um país sul-americano voltava a ser o centro das atenções no futebol. Antes marcado para 1949, o torneio acabou adiado por um ano.

OS ESTÁDIOS

No Congresso da Fifa em Luxemburgo, A CBD encantou a Fifa quando apresentou a intenção de construir o maior estádio do mundo, com capacidade para 155 mil pessoas. A inauguração oficial do Maracanã, no Rio de Janeiro, aconteceu oito dias antes do começo da Copa, em 16 de junho de 1950. E o estádio acabou sendo palco da grande final, que teve contornos de tragédia para os brasileiros. Os outros foram todos remodelados.

Tabela - estádios da Copa de 1950 (Imagem: Globoesporte.com)


AS ELIMINATÓRIAS

A Segunda Guerra deixou marcas profundas em alguns países, o que tornou impossível a participação no Mundial no Brasil. Hungria, Tchecoslováquia e Polônia não tiveram condições. A Alemanha foi proibida pela Fifa de jogar. Com tudo isso, houve 32 inscritos nas eliminatórias, dos 72 países filiados. Brasil, como sede, e Itália, como último campeão, estavam classificados automaticamente. Argentina, Áustria, Bélgica, Birmânia, Colômbia, Equador, Filipinas e Peru desistiram durante as eliminatórias.  Dos 16 que restaram, Escócia, Índia e Turquia abriram mão das vagas. França, Irlanda e Portugal, convidados para serem os substitutos, declinaram. E o Mundial ficou com apenas 13 seleções, entre elas a Inglaterra, finalmente estreando em Mundiais.

O MASCOTE

Somente a partir de 1966 as Copas passaram a ter mascotes.

O CAMPEÃO

Com base no Nacional e Peñarol, as duas principais equipes do país, a Celeste Olímpica chegou ao Brasil bem desacreditada. Ninguém poderia imaginar que, pouco depois faria o Brasil inteiro chorar de tristeza na final. O caminho para provocar o Maracanazo começou fácil. Na primeira fase, pegou o grupo 4, o mais fácil, apenas com a Bolívia. E aplicou goleada por 8 a 0, no Independência. Depois, na outra fase, os quatro classificados se enfrentaram. O Uruguai empatou com a Espanha por 2 a 2 e ganhou de virada da Suécia por 3 a 2. Precisava vencer o Brasil para levar o bicampeonato. E conseguiu, por 2 a 1.

O ARTILHEIRO

Ademir Marques de Menezes era veloz dominando a bola. Habilidoso. Sempre difícil de ser marcado. E chutava maravilhosamente bem.. O Queixada foi o artilheiro da Copa, com 9 gols. Só não balançou as redes no empate por 2 a 2 com a Suíça, ainda na primeira fase, e na fatídica derrota para o Uruguai na decisão.

O CRAQUE

O Mundial de 1950 teve vários destaques. Se o Brasil tivesse conquistado a taça, fatalmente a disputa da coroa seria entre Zizinho, Ademir e Jair Rosa Pinto. Mas deu Celeste. E lá, outros três apareceram de forma marcante. O capitão Obdulio Varela foi um gigante, principalmente na final. O meio-campo Schiaffino era o cérebro do time. Mas o destino quis que o atacante Gigghia surgisse como o grande herói. Balançou as redes em todas as partidas do Uruguai e fez um dos gols decisivos mais conhecidos na história dos Mundiais. Até hoje, dá entrevistas falando sobre isso.

SELEÇÃO BRASILEIRA

Astro do Brasil com Ademir e Jair, Zizinho (F) 
é comparado a Da Vinci em 50 (Foto: Agência AFP )
Nunca uma seleção brasileira entrou tão favorita para ganhar um Mundial como a de 1950. O técnico Flávio Costa tinha em suas mãos grandes jogadores. Quando goleava por 6 a 1 a Espanha no Maracanã, dando show de bola, e a torcida cantava esfuziante "Touradas em Madri", não havia um brasileiro que não considerasse aquele time imbatível. Mas os problemas na preparação - o oba-oba ficou fora de controle até durante a concentração - atrapalharam a equipe, que na primeira fase goleou o México por 4 a 0, depois empatou por 2 a 2 com a Suíça e venceu a Iugolávia por 2 a 0. Depois, foram duas goleadas históricas, antes da tragédia para o Uruguai: 7 a 1 sobre a Suécia e 6 a 1 sobre os espanhóis.

A DECEPÇÃO

A Inglaterra abandonou o ar blasé sobre o Mundial justamente na Copa realizada no Brasil. Finalmente, o país aceitou disputar a competição, apesar de não reconhecer na seleção campeã a melhor do planeta. Mas o resultado em campo não confirmou o nariz empinado de quem imaginava ter o melhor futebol do mundo. O English Team só derrotou o Chile, na estreia (2 a 0). Depois, perdeu por 1 a 0 para os Estados Unidos, na grande zebra do torneio, e para a Espanha (1 a 0), despedindo-se da competição.

PARA A HISTÓRIA

A certeza da vitória do Brasil era tão grande que o jornal vespertino "A Noite", do Rio, foi às bancas na véspera com a seguinte manchete, acima da foto do time do Brasil posado: "Estes são os campeões do mundo."

A DECISÃO

No último jogo, contra o Brasil, o Uruguai só tinha uma opção: vencer. A seleção brasileira jogava com a vantagem do empate e um país inteiro à espera da conquista do tão sonhado título. Não havia um que não acreditasse. Mais de 200 mil pessoas se espremeram no Maracanã para comemorar mais do que propriamente torcer. O time ainda abriu o placar, com Friaça, a um minuto do segundo tempo, só aumentando a euforia. Mas, sob o comando de Obdulio Varella, a Celeste se agigantou. Tudo começou a mudar com o empate de Schiaffino, aos 21. E depois o gol da vitória de Ghiggia, aos 34, deu início ao Maracanazo, num dos maiores silêncios ensurdecedores da história do futebol. E o Brasil chora até hoje essa derrota.

EM 1950, PORTO ALEGRE RECEBEU DOIS JOGOS DA COPA DO MUNDO

Torcedores do clube ajudaram financeiramente com reforma de estádio.
Porto Alegre nos anos 1950, quando sediou dois jogos da Copa do Mundo
Foto: Reprodução/RBS TV

22/12/2015

Publicado em 24 de março de 2014 - Do G1 RS

Estádio dos Eucaliptos, do Internacional, foi escolhido para sediar o evento.

Porto Alegre comemora 242 anos na próxima quarta-feira (26) em clima de expectativa para a Copa do Mundo, que começa em três meses. Entretanto, esta não é a primeira experiência da capital como sede da Copa do Mundo.

A Porto Alegre dos anos 1950 recebeu com orgulho os jogos da Copa. Naquela década, era possível tomar banho no Arroio Dilúvio. A capital tinha prédios altos e um centro movimentado, além de casas humildes na periferia e um povo com fé, que já se reunia para fazer procissão de Navegantes.

“Não havia ônibus, o único sistema de transporte era o de bondes, que era um bom serviço. Também não existia telefone. O shopping de Porto Alegre era a Rua da Praia, que na época era luxo. As moças circulavam em uma direção, e os rapazes por outra. Os jovens ficavam contando quantos flertes tiveram”, lembra IB Kern, de 94 anos.

Os jogos da Copa em 1950 foram uma surpresa para a capital gaúcha, mas a escolha teve um motivo: o Brasil era um dos únicos países que poderiam receber o campeonato.  Após o término da Segunda Guerra Mundial, muitos países estavam debilitados.

Nas primeiras obras da Copa, o Estádio dos Eucaliptos, do Internacional, foi escolhido para o evento.  “Havia arquibancadas de madeira do lado de cá, o pavilhão era todo de madeira. Um dos lados não tinha arquibancada, tinha um barranco”, acrescenta IB.

Nestor Brunelli lembra o alvoroço que a 
Copa de 1950 causou na capital
Foto: Reprodução/RBS TV
“A Copa gerou um entusiasmo danado, tanto é que foi feito calçamento de pedra irregular nas ruas perto do campo, para deixar tudo prontinho”, conta Nestor Brunelli, de 85 anos.

Mesmo com a empolgação de sediar o Mundial, os moradores não deixavam de se preocupar com o dinheiro. Uma reportagem da época mostrava como era feita a conta para saber o quanto o Brasil iria ganhar com o campeonato.

As despesas eram de 21 milhões de cruzeiros, a moeda da época, enquanto o lucro seria de 9 milhões. A Confederação Brasileira de Futebol ficaria com mais de 30% desse valor.

Para a modernização do Eucaliptos, com uma arquibancada de concreto, o Internacional recebeu da prefeitura menos de R$ 500 mil, em valores de hoje. Não foi o suficiente, mas o clube teve mais ajuda para a obra.

“Parte foi paga pelos associados, tanto é que parte da brita meu pai doou”, garante Brunelli.

Atualmente, segundo o clube, o novo Beira-Rio é o único estádio da Copa sem "recursos públicos diretamente envolvidos". O orçamento estimado é de R$ 330 milhões.  Já para as obras de mobilidade urbana, estão previstos gastos de mais de R$ 800 milhões.

Entretanto, se a Copa de 2014 ganha em custos, pode haver empate no quesito “atraso nas obras pela cidade. Em 1950, o Eucaliptos só foi reinaugurado dois dias antes do evento. Mais tarde, a capital recebeu Iugoslávia x México e Suíça x México.

Opinião: O legado não planejado da Copa de 1950 e os possíveis 'elefantes brancos' de 2014

Crédito: Getty

22/01/2015

As diferenças entre os dois mundiais realizados no Brasil, em relação à organização

Vanessa Rodrigues 
Repórter
Goal Brasil
 
Em 1950, quando o Brasil sediou a Copa do Mundo pela primeira vez, não se havia ainda uma preocupação com o legado do evento ou com os 'elefantes brancos', estruturas que poderiam ficar sem uso após o torneio.  Mesmo assim, cinco dos seis estádios utilizados naquele Mundial seguem até hoje recebendo com certa frequência jogos da Série A e B do Campeonato Brasileiro. 

São eles: Ilha do Retiro (Recife), Independência (Belo Horizonte), Durival de Britto (Paraná), Pacaembu (São Paulo) e Maracanã (Rio). Enquanto o Estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre,  que pertencia ao Internacional, acabou demolido.

Construído para o torneio, o estádio Jornalista Mário Filho, o agora famoso Maracanã, se tornou um dos maiores símbolos do futebol do planeta e fonte de renda para os times cariocas. O Maraca extrapolou os limites esportivos e consolidou-se como cartão postal do Rio de Janeiro, o que contribuiu para a chegada de turistas e o aquecimento da economia da capital fluminense.

Vale ressaltar que as exigências da Fifa foram bem menores em 1950, comparadas às de 2014. A entidade visitou o Brasil apenas duas vezes, para checar as obras e para já ficar até o início do campeonato. Não havia caderno de encargos. A primeira obra no Maracanã estava orçada em cerca de 150 milhões de cruzeiros, mas acabou saindo por aproximadamente 230 milhões de cruzeiros. 

Assim como o evento, muito menor que o de 2014, o custo também não “assustou”. De acordo com a publicação "1950: O preço de uma Copa", o Mundial daquele ano custou no total R$ 437,5 milhões. Na última edição, somente a reforma do Maracanã teve o custo de R$ 1,4 bilhão. E de acordo com o Tribunal de Contas da União os gastos teriam sido contabilizados em cerca de R$ 25,5 bilhões. Foram usados 12 arenas para 32 seleções em 2014. Há 65 anos, eram 13 seleções em seis campos. 

Ao contrário de 1950, os organizadores da Copa 2014 esboçaram grande preocupação com o legado do evento. Mesmo assim, alguns estádios são sérios candidatos a 'elefantes brancos', gerando prejuízos. Mega-arenas foram construídas em cidades que não têm clubes na Série A, como a Arena da Amazônia, em Manaus, a Arena Pantanal, em Cuiabá, e o Mané Garrincha, em Brasília. 

A Copa do Mundo agora é um show midiático, esportivo, social e econômico. O país-sede deve comprovar ter plena condição de receber todos os envolvidos na competição: desde as delegações até os torcedores, que precisarão contar com toda uma infraestrutura. Investimentos são feitos em áreas como hotelaria, mobilidade urbana e telecomunicações. O gasto público com as obras passou então a ser fiscalizado por um controle de legitimidade que busca vetar irregularidades e garantir benefícios ao país.

Fonte: Goal


Carioca troca ingresso da final da Copa de 50 por um da final de 2014

Depois de 64 anos, final da Copa volta ao Maracanã 
Crédito: William West / AFP / CP

28/06/2014

Joedir Sancho Belmont irá assistir ao jogo dia 13 de julho ao lado do filho no Maracanã

Mesmo com o ingresso na mão, o carioca Joedir Sancho Belmont não conseguiu assistir ao último jogo da Copa do Mundo de 1950 no Maracanã, entre Brasil e Uruguai. Ele guardou a entrada por 64 anos e, graças a isso, nesta sexta-feira recebeu um ingresso para a final da Copa de 2014 do secretário-geral da Federação Internacional de Futebol (Fifa), Jérôme Valcke.

“Por motivos alheios a minha vontade não pude assistir àquele fatídico jogo quando Barbosa (goleiro brasileiro) levou o gol do Ghiggia (jogador uruguaio)”, comentou ele. “Mas agora terei a oportunidade de assistir a outra final no Maracanã e, se tudo der certo, o Brasil irá à forra daquele 2 x 1”, disse ele, na companhia do filho e do neto, que ganhou uma bola de Valcke.

Hoje com 85 anos, Belmont perdeu a final, porque a mãe adoeceu e acabou falecendo dias depois. Joedir chegou a tentar comprar ingresso para a final deste ano, mas não foi sorteado. Meses antes dos jogos do Brasil, ele decidiu doar o ingresso para o museu da Fifa em Zurique, a ser inaugurado no ano que vem, e pediu ao filho, José Augusto Belmont, que enviasse uma carta à federação para fazer a oferta. O filho conta que nunca imaginou que a Fifa responderia a carta.

“A princípio não levei fé de que chegaria a esse ponto. Foi uma grata surpresa. Já que ele não pôde ir na final de 1950, pelo menos poderá ir na deste ano”, disse o filho que ganhou um ingresso para acompanhar o pai.



Medalha da Copa de 50 é encontrada em galpão do RS e se torna amuleto

Medalha antiga, 50 (Foto: Maria de Fátima Valentini Canevese/Divulgação Memorial Gazola)

09/06/2014

Historiadora encontrou moeda comemorativa em metalúrgica de Caxias do Sul, confeccionada para campeonato no Brasil.

Uma pequena medalha comemorativa confeccionada para a Copa do Mundo de 1950 no Brasil foi encontrada no local onde ficava uma indústria metalúrgica em Caxias do Sul, na serra gaúcha. O galpão de cerca de 27 mil m² está sendo garimpado por um grupo de historiadores para a construção de um memorial. A moeda, que cabe na palma da mão, foi achada em uma gaveta empoeirada e traz na face o símbolo da quarta edição do Mundial. A relíquia está guardada em um cofre e é considerada um amuleto pelos seus cuidadores, que torcem pela vitória da Seleção Brasileira.

A antiga metalúrgica Gazola faliu em 2010 e foi vendida a outro grupo da região em um leilão. No entanto, a empresa que atuou por mais de sete décadas, e fabricou armamentos para as tropas brasileiras na Segunda Guerra Mundial, guarda uma série de produtos históricos fabricados ao longo do tempo. Por isso, a venda do espaço foi feita apenas sob uma condição: a garantia de que a memória seria preservada em um acervo.

– Antes de falecer, no ano passado, o fundador pediu para que a prefeitura fosse tombar essa parte do acervo, para que não fosse perdido. Quando assumimos a empresa, como sou historiadora, fiquei com o museu. Começamos com 150 peças e estamos no número 500 – contou Maria de Fátima Valentini Caneveze ao G1, uma das sócias da marcenaria que comprou a antiga metalúrgica.

Encontrar a medalha, bastante suja e empoeirada, foi uma surpresa para Fátima. Primeiramente, o grupo não percebeu que tinha em mãos uma relíquia. Sem acreditar que se tratava, de fato, de um objeto feito na década de 50, eles guardaram e aguardaram. Uma semana depois, a confirmação apareceu.
– Estávamos garimpando um local com ferros pesados e achamos muitos moldes de medalhas. Aqui se confeccionava medalhas da Festa da Uva e outras comemorativas. Tínhamos várias matrizes e, no meio de tudo isso, vimos um molde diferente, com o mesmo enfeite cunhado na medalha. Nessa hora comemoramos muito – relembrou Fátima.

Os objetos estão sendo todos catalogados e futuramente serão guardados em um espaço devidamente preparado para conservá-los. A prefeitura municipal também auxilia no processo, prestando assessoria em todos os procedimentos.

“Nós estávamos junto quando a peça foi encontrada e a dúvida é se tinha sido fabricada lá mesmo, mas como encontramos a matriz confirmamos que foi fabricada no período”, reiterou Marizete Raimann, responsável pelo setor de registro e catalogação do acervo do Museu Municipal de Caxias do Sul.

A procura, agora, é por algum antigo funcionário que possa contar como e o porquê da medalha ter sido feita ali. Enquanto isso, será tirada do cofre somente para dar sorte nos jogos da Seleção, do Grêmio e do Caxias, times do coração de Fátima.

– Vamos segurar apertadinha. A moeda veio para eliminar o trauma de 50. Imagino como ficou a população, foi muito triste. Mas, a gente tem um time bom e um treinador ótimo – garantiu Fátima.



Aposentado gaúcho chega à 20ª Copa e relembra o Mundial de 1950

Foto: Claudio Medaglia/Portal da Copa

30/05/2014 

Paulino Lazzaretti, de 88 anos, espera ver o Brasil vencendo o Uruguai na final

A caminho de sua 20ª Copa do Mundo e da segunda no Brasil, o comissário de bordo aposentado Paulino Lazzaretti, 88 anos, é uma testemunha saudosista de tempos nem tão felizes no cenário futebolístico brasileiro. Morando há três anos no Asilo Padre Cacique, em Porto Alegre, ele acompanha com expectativa a transformação no entorno do estádio Beira-Rio, onde serão realizados cinco jogos da Copa do Mundo.

Natural de Erechim, cerca de 400 quilômetros ao norte da capital gaúcha, ele vive em Porto Alegre há 65 anos. Em 1950, poucos dias antes de lamentar, diante do rádio na sala de casa, a derrota brasileira para a Celeste de Gigghia, ele assistiu ao vivo os impiedosos 4 x 1 aplicados pela antiga Iugoslávia sobre o México, no estádio dos Eucaliptos. "Não era a mesma emoção de torcer pelo Brasil, mas foi um bonito jogo de futebol", recorda.

A fala rápida e firme sinaliza a empolgação de Lazzaretti ao relembrar o passado. Viúvo há quase 19 anos, ele abre a carteira para mostrar a fotografia antiga da bela mulher, Norma. Sem parentes – a única filha, Rosane, morreu há oito meses –, o aposentado adora um passeio pelas redondezas ou pelos cafés do centro da cidade. E em suas andanças observa as obras espalhadas por todos os cantos.

Colorado, Lazzaretti conheceu o antigo Beira-Rio e agora vê, do outro lado da avenida, o surgimento de um novo Gigante. Mas a modernidade, segundo ele, cobra um preço. “Acho que o maior legado serão os investimentos futuros, conquistados com a exposição da cidade para o mundo”.

Da época da primeira Copa no Brasil, ele não esconde a saudade da rotina mais calma e tranquila da cidade. Também tem registrado na memória a escalação e a comissão técnica da Seleção Brasileira de 1950. E analisa o desempenho da equipe no torneio. "O Brasil goleava a todos, mas empatou em 2 x 2 com a Suíça. Aquele resultado foi um alerta de que não seria tão fácil. Na final, contra o Uruguai, entramos de salto alto, sem aquela gana nos olhos", avalia.

Mesmo tendo vivenciado – e comemorado – à distância as cinco conquistas da Seleção (1958, 1962, 1970, 1994 e 2002), ele mantém a desconfiança em relação ao resultado da competição que está por começar. Aos jogos, ele irá assistir na companhia dos colegas do asilo, fundado em 1881 e que abriga 150 pessoas.

A exemplo de muitos brasileiros, Lazzaretti também dá sinais de que pretende exorcizar o fantasma do Maracanazzo. Para a final da Copa do Mundo, ele gostaria de ver frente a frente Brasil e Uruguai, reeditando 1950. E, desta vez, espera, vai dar Hexa.



Copa 2014: Pelé quer 'revanche' do Brasil após Maracanazo de 1950

21/11/2013

Um dia depois de o Uruguai se garantir como a última das 32 seleções classificadas para a Copa do Mundo de 2014, Pelé afirmou nesta quinta-feira, durante evento promocional em São Paulo, que gostaria de ver um novo duelo entre Brasil e a seleção celeste no Mundial.

Embora tenha ajudado a vingar o Brasil da fatídica derrota sofrida na decisão da Copa de 1950, no Maracanã, pois derrotou os uruguaios na semifinal do Mundial de 1970, o Rei do Futebol destacou que seria interessante reencontrar o histórico rival, em solo nacional, na próxima edição do maior evento de futebol do planeta.

Pelé garantiu não temer um novo Maracanazo, como ficou conhecida a derrota de 2 a 1 para o Uruguai ocorrida há 63 anos, e enfatizou: "Primeiro precisamos ver se o Uruguai vai conseguir chegar na final. Se chegar, vai ser uma boa oportunidade de fazermos a revanche".

Já ao ser questionado sobre quem é o grande favorito a conquistar a Copa de 2014, Pelé desta vez resolveu não apontar uma seleção, diferentemente do que aconteceu, por exemplo, antes do Mundial de 1994, quando errou feio ao dizer que apostava em título da Colômbia, eliminada já na fase de grupos nos Estados Unidos. Porém, o maior jogador da história disse que vê o Brasil muito forte na briga pela taça.

"Não dou palpite, mas torço para que o Brasil seja campeão e acredito que temos totais condições de sermos campeões. Com o Felipão, o time ficou melhor", destacou, para em seguida, entretanto, ponderar que o time nacional está carente de melhores valores ofensivos, principalmente para criação de jogadas. "Hoje, pela primeira vez na história, estamos bem na defesa e tendo problemas no ataque. Os últimos melhores camisas 10 do Campeonato Brasileiro são estrangeiros, que são o Conca e o Montillo", opinou.

Pelé, por sinal, fez um comparativo com a seleção campeã da Copa de 1970 para ilustrar a sua tese de que hoje faltam autênticos camisas 10 na seleção brasileira. "Na minha época muitos jornalistas diziam que a seleção não ia dar certo porque tinha muitos camisas 10 no time: eram eu, o Rivellino, o Gerson e o Tostão. Hoje falta esse tipo de jogador."

Já ao falar sobre quem acredita que deverá ser o craque da próxima Copa, Pelé evitou apontar Messi como grande favorito a este posto, assim como lembrou de um clássico camisa 10, já aposentado, tido por ele como mais jogador que o argentino. "Para mim, o Zidane foi melhor do que Messi porque os seus companheiros não tinham tanto nome quanto os do Messi, que no Barcelona joga com Xavi e Iniesta. O Messi no Barcelona é um, e na seleção argentina é outro. Vamos ver o que vai fazer na Copa", desafiou.


O sonho acabou: seleção brasileira foi derrotada pelo Uruguai em 1950

Ghiggia silencia o Estádio Municipal a 11 minutos do final. Barbosa esperava um 
cruzamento e foi surpreendido com o chute. Brasil dava adeus ao primeiro título. / Crédito:

06/10/2013

Um empate bastava ao Brasil. Saímos na frente, mas os uruguaios fizeram dois gols em falhas do quadro nacional , calaram os 200 000 brasileiros que encheram o Estádio Municipal . Agora Uruguai e Itália são os maiores vencedores de Taças do Mundo

Parecia impossível, mas aconteceu. O team nacional foi derrotado por 2 x 1 no Estádio Municipal do Maracanã e o Uruguai venceu a Copa do Mundo pela segunda vez. Vinte anos depois, a Jules Rimet está de volta às mãos de seus primeiros campeões. Agora Uruguai e Itália estão empatados em número de conquistas. Duas falhas lastimáveis, na trágica tarde dos jogadores patrícios, selaram a sorte da peleja e calaram os 200000 torcedores que lotaram a cancha – e todos os 50 milhões de brasileiros que se preparavam para uma grande festa. Os lenços brancos, que tremularam freneticamente no gol de Friaça, foram usados para enxugar lágrimas de tristeza. As serpentinas e os confetes acabaram abandonados pelas arquibancadas.

Momentos dramáticos na capital federal. Schiaffino (foto) empata para os celestes aos 
21 minutos da etapa final. O empate ainda daria a taça para o team brasileiro / Crédito: Popperfoto

O Estádio Municipal ficou em total silêncio depois do gol de desempate de Ghiggia, aos 34 minutos da segunda etapa (Schiaffino havia empatado aos 21). “Quando a bola entrou, parecia que o mundo parara”, declarou o herói uruguaio. “O silêncio era ensurdecedor e nós entramos todos em delírio.” O quadro brasileiro, que aplicara goleadas memoráveis contra Suécia e Espanha no quadrangular final, dias antes, não teve forças para buscar o empate, resultado que lhe daria o inédito título. “Foi uma desgraça para nós”, lamentava Bigode, um dos mais criticados pela derrota. “Se não fiz pênalti em Ghiggia na jogada do segundo gol é porque estava muito longe de imaginar que, do ângulo que ele chutou, a bola pudesse atingir o fundo das redes.” O goleiro Barbosa também foi crucificado por causa do segundo gol. “O time se perturbou com a obrigação de ganhar”, declarou.

Maspoli, do Uruguai, consola o brasileiro Augusto; o treinador Flávio Costa lamenta;
uruguaios ficam eufóricos com a conquista / Crédito: Bob Thomas/Popperfoto

CAMISA AGOURENTA

Teria sido apenas obra do azar? Pela primeira vez, jogando no Estádio Municipal, o ataque brasileiro começou a contenda atacando contra a Avenida Maracanã. Houve até quem jogasse a culpa na agora agourenta camisa branca. Não seria hora de trocá-la? Ainda no estádio, o treinador Flávio Costa preferiu lamentar o clima que se criou antes da partida. “Não foi possível conter a onda de otimismo que invadiu São Januário”, reclamou o treinador do scratch nacional. Costa se referia à mudança da concentração do pacato Joá para a agitação do estádio do Vasco.

A visita de políticos atrapalhou até mesmo o almoço da equipe horas antes da partida. O próprio Costa recebera o convite para se candidatar a deputado, assim como o artilheiro Ademir. O clima de “já ganhou” tomou conta do ambiente. Jogadores faziam até planos de como iriam gastar o prêmio. No sábado, um dia antes da final, o jornal O Mundo pôs à venda uma edição especial com a foto do time brasileiro e o título “Estes são os Campeões do Mundo”. “O quadro brasileiro esqueceu-se que estava disputando uma final de Copa do Mundo para fazer exibição de futebol bonito”, disparou Ernesto Figoli, o “Matucho”, massagista da seleção oriental desde a conquista olímpica de 1924. Exemplares do periódico teriam sido encontrados nas paredes do vestiário do Uruguai.

VEXAME INGLÊS

Eis uma lição que os cracks celestes deixam para o mundo do football. Uma partida não se ganha na véspera. Quem também cantou vantagem antes da hora foi o English Team, que terminou a competição de forma melancólica. Foi a primeira vez que os inventores do futebol moderno aceitaram disputar uma Taça do Mundo. Também pela primeira vez jogaram no continente americano. Na partida de estreia, a curiosidade era tão grande que a delegação brasileira foi ver os ingleses vencerem o Chile por 2 x 0.  A bajulada seleção inglesa não passou da primeira fase, acumulando duas derrotas. Uma delas foi para a seleção semiamadora que veio dos Estados Unidos. O autor do gol da vitória por 1 x 0 foi um haitiano chamado Joe Gaetjens, que trabalha como lavador de pratos e vive nos Estados Unidos com um visto de estudante. Em um jornal da capital inglesa, o redator recebeu o teletipo com a frase England 0 x 1 USA. Acreditando se tratar de um erro, ele corrigiu para England 10 x 1 USA.

Apesar da derrota amarga, a Copa deixa de positivo o crescente interesse do brasileiro pelo football. A começar por nossas crianças. Do nosso correspondente em Bauru, no interior de São Paulo, recebemos a notícia de um menino de 9 anos que, ao ver o pai desolado ao lado do rádio depois da partida, prometeu que um dia ganharia uma Copa do Mundo para ele. Desejamos que a promessa que o menino Edson fez ao pai, o jogador de futebol João Ramos do Nascimento, seja mesmo um dia cumprida. É aguardar o Campeonato Mundial de Football na Suíça daqui a quatro anos.

O Brasil goleou a Suécia por 7 x 1. Neste lance, o arqueiro Kalle Svensson 
tira a bola dos pés de Ademir / Crédito: Popperfoto

A TAÇA PARA OBDULIO

Jules Rimet foi um dos principais articuladores para a realização da 
Copa do Mundo no Brasil. Ele havia conhecido o Rio de Janeiro  
numa viagem em 1939 e ficou encantado com as belezas naturais  
da cidade / Crédito: Bob Thomas/Popperfoto

Na saída do Estádio Municipal, o presidente da Fifa, Jules Rimet, conversou com nossa reportagem. Ele estava ainda surpreso com o resultado e com tudo o que se passara na partida final. Ele declarou que, na tribuna, se preparava mentalmente para entregar a taça ao capitão brasileiro, Augusto. “Deixei meu lugar na tribuna de honra e, já preparando o discurso que deveria pronunciar diante dos microfones, me dirigi aos vestiários, ensurdecido com a gritaria da multidão”, afirmou.

Aconselhado a descer devagar a escada até o vestiário, Jules Rimet foi acompanhado por delegados da Fifa, dirigentes brasileiros e guardas armados. Cerca de 1700 policiais militares (ou 70% do efetivo da corporação) foram destacados para a segurança interna e externa do Maracanã. O Exército também forneceu 300 soldados. “Eu seguia pelo túnel, em direção ao campo”, continuou o dirigente. “À saída do túnel, um silêncio desolador havia tomado o lugar de todo aquele júbilo. Não havia guarda de honra, nem hino nacional, nem entrega solene. Achei-me sozinho, no meio da multidão, empurrado para todos os lados, com a taça debaixo do braço.”

O jogo terminou às 16h50. Jules Rimet não conseguiu entregar a taça. Havia muitos fotógrafos e repórteres em campo. Decidiu se retirar, mas mudou de ideia logo depois. Obdulio Varela chegou perto dele e a recebeu. O capitão celeste ouviu do presidente Rimet, em francês: “Estou feliz pela vitória que vocês acabam de conquistar. Cheia de mérito, sobretudo por ter sido inesperada. Com minhas felicitações”.

Jules Rimet entrega a Taça do Mundo aos jogadores da Celeste uruguaia, 
os surpreendentes campeões do mundo / Crédito: Popperfoto
Fonte: Placar

A Copa em Porto Alegre



Em 1946 a FIFA reuniu-se em Congresso para definir qual seria a sede da próxima Copa do Mundo. A II Guerra Mundial impedira a realização dos Mundiais de 1942 e 1946, e a entidade máxima pretendia realizar a próxima competição em 1949.

O Brasil, que já era candidato a ser sede da Copa de 1942, novamente lançou sua candidatura, com a condição que a competição fosse realizada em 1950. A FIFA aceitou e o Brasil começou seus preparativos.

Seis cidades brasileiras foram escolhidas como sedes: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Recife e Curitiba.

Logo a seguir, começou a discussão sobre os estádios que sediariam a Copa no Brasil. Em Porto Alegre, até o início de 1948 os jornais debatiam sobre a construção do Estádio Municipal. Obra dada como certa em 1947, aos poucos foi sendo abandonada, diante dos custos que acarretaria.

Na verdade, dos seis estádios usados no Mundial, apenas dois (o Maracanã, no Rio de Janeiro, e o Independência, em Belo Horizonte) foram construídos especialmente para o Mundial.

Os principais estádios de Porto Alegre, na época, eram a Baixada, do Grêmio, a Montanha, do Cruzeiro, a Timbaúva, do Força e Luz, e os Eucaliptos, do Internacional. A Baixada era usada pelo Grêmio praticamente desde sua fundação, tendo sofrido reformas ao longo de quase 50 anos. A Montanha era o mais recente, inaugurado em 1941. A Timbaúva era de 1935. E os Eucaliptos, de 1931. A CBD decidiu-se pelo estádio colorado, que teve de passar por reformas para sediar a Copa.

O estádio do Internacional, que desde 1944 chamava-se, oficialmente, Ildo Meneghetti, tinha capacidade para 10.000 pessoas, com um pavilhão de madeira no lado da rua Silveiro, e um pavilhão de concreto no lado oposto. Com as reformas, o pavilhão de madeira foi substituído por outro, de concreto, e a capacidade do estádio duplicada.

Os Eucaliptos sediaram duas partidas do Grupo A, do Brasil.

A primeira ocorreu em 29 de junho de 1950, entre Iugoslávia e México. Era um jogo importante, pois um dia antes o Brasil, que já havia batido o México, empatara com a Suíça. Se a Iugoslávia, que havia derrotado os suíços, vencesse o México, assumiria a liderança do grupo e jogaria pelo empate, contra o Brasil, para decidir quem iria para o Quadrangular Final.

Apesar de contar com Carbajal, goleiro que tornaria-se recordista em Mundiais disputados (1950, 1954, 1958, 1962 e 1966), além de ser escolhido o melhor de sua posição da Concacaf no século XX, o México não tinha condições de resistir ao bom futebol dos iugoslavos. Na primeira etapa a Iugoslávia já vencia por 2x0, e acabaria fazendo 4x1, preocupando a torcida brasileira.

29.06.1950 Iugoslávia 4x1 México

Juiz: Reginald J. Leafe (Inglaterra)

Público: 12.000

Gols: Bobek 20' e Čajkovski 23' do 1º; Čajkovski 6', Tomašsević 35' e Ortiz (pênalti) 44' do 2º

IUG: Mrkušić; Horvat, Stanković e Zl. Čajkovski; Jovanović e Djajić; Mihajlović, Mitić, Tomašević, Bobek e Čajkovski

MEX: Carbajal; Gutierrez, Gomez e Ruiz; Ochoa e Flores; Naranjo, Ortiz, Casarin, Peréz e Velasquez

A partida seguinte não atraiu muito a atenção da torcida porto-alegrense, eufórica com a classificação do Brasil. No dia 1º de julho de 1950 o Brasil bateu a Iugoslávia e classificou-se para a fase final. Em Porto Alegre, no dia seguinte, bateriam-se México e Suíça, já eliminados. Na hora da partida, um contratempo: a Suíça jogava com um uniforme vermelho, e o México de grená. O árbitro sueco Ivan Eklind considerou que os uniformes eram muito parecidos, e exigiu que uma das equipes trocasse as camisas. Como nenhuma das seleções tinha uniforme reserva, foi feito um sorteio para decidir quem teria de arrumar um jogo de camisas emprestado. O México venceu o sorteio, mas como havia sido muito bem recebido na cidade, decidiu ele trocar de camisas e usar o uniforme de um dos clubes da capital gaúcha. O Internacional não poderia ser, pela cor. A opção foi utilizar o uniforme do Cruzeiro. Mas até buscar-se um jogo de camisas no estádio da Montanha, a partida atrasou em 25 minutos.

Os mexicanos não conseguiram segurar os suíços, que garantiram sua única vitória na competição. Novamente, ainda na primeira etapa o México já havia levado dois gols.

02.07.1950 Suíça 2x1 México

Juiz: Ivan Eklind (Súécia)

Gols: Bader 10' e Antenen 44' do 1º; Casarin 44' do 2º

SUI: Hug; Neury, Bocquet e Lusenti; Eggimann e Quinche; Antenen, Friedländer, Tamini, Bader e Fatton

MEX: Carbajal; Gutiérrez, Gomez e Ochoa; Ortiz e Roca; Flores, Naranjo, Casarin, Borbolla e Velázquez

Os mexicanos gostaram muito de Porto Alegre, principalmente da noite da cidade. Assíduos frequentadores dos cabarés porto-alegrenses, em campo mal conseguiam correr. Quando voltou ao México, a seleção foi dissolvida, por "comportamento inconveniente". Poucos daqueles atletas voltariam a vestir a camisa mexicana.

A Copa continuou, com Brasil, Espanha, Uruguai e Suécia ainda sonhando com o título. O Brasil dava show, goleando Espanha e Suécia. Quase ganhou o título por antecipação, pois na 2ª rodada o Uruguai, que já havia empatado com a Espanha, empatava com a Suécia até os 40' do 2º tempo, quando conseguiu a vitória que o manteve vivo. Na última partida, contra o Uruguai, o Brasil podia empatar, saiu na frente, mas levou o gol da virada faltando 11 minutos para o final do jogo. Foi o terrível "Maracanazo". Nesta Copa, a Seleção contou com dois colorados, Adãozinho e Nena, que não atuaram em nenhuma partida.


Sedes da Copa de 1950 voltam a ter a honra no Mundial de 2014


Por Marcelo Monteiro

Em 31 de Maio de 2009, os brasileiros conheceram oficialmente as 12 cidades que vão receber partidas da Copa do Mundo de 2014. Mas em 1950, quando o Brasil organizou pela primeira vez o Campeonato Mundial de Futebol, apenas seis localidades tiveram a honra de receber as seleções. Em uma clara demonstração do crescimento da competição ao longo dos anos.

Em 1950, as 22 partidas do IV Campeonato Mundial de Futebol foram realizadas em locais que também estarão presentes no torneio de 2014: Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro e São Paulo.

O Rio de Janeiro foi a principal sede da quarta edição da Copa do Mundo. Capital do Brasil na época, a cidade contava com a grande arma do país para convencer os dirigentes da Fifa a realizar o Mundial em solo nacional: o Estádio Municipal Mendes de Morais (em homenagem ao prefeito da época), com seus 200 mil lugares extra-oficiais. Em 1950, o Maracanã era realmente o “maior do mundo”. Inaugurado uma semana antes do início da competição, o estádio ainda não estava totalmente pronto em 24 de junho, data do jogo de abertura da Copa (Brasil x México). Havia andaimes nas arquibancadas e o entorno do estádio era um enorme canteiro de obras (foto).

Dos 22 jogos realizados na Copa de 50, o Rio recebeu a maior parte: oito. Incluindo o jogo inaugural e a partida que foi a verdadeira decisão (Brasil 1 x 2 Uruguai). Além de cinco das seis partidas da seleção brasileira na competição, o estádio foi reservado para partidas do Grupo 2, que reunia dois fortes candidatos ao título: Inglaterra e Espanha.

A segunda sede em número de partidas foi São Paulo (seis). Todas realizadas no Pacaembu, inaugurado dez anos antes (1940). Na primeira fase, a maior cidade do país foi palco de um jogo da seleção brasileira (empate de 2 a 2 com a Suíça), atuação que gerou vaias de boa parte do público.

Devido à grande colônia italiana na capital paulista, a Squadra Azzurra foi indicada para atuar em São Paulo. Mas os então bicampeões mundiais, mesmo com o apoio da torcida, não foram bem no torneio e acabaram eliminados logo na primeira fase. A Itália perdeu para a Suécia (3 a 2) na estreia. A vitória de 2 a 0 sobre o Paraguai não foi suficiente para classificar a equipe para o quadrangular final. E os italianos acabaram não visitando outras sedes e voltaram antecipadamente para casa.

Outro país que não precisou viajar pelo Brasil foi a Bolívia. Diante das desistências de nações como França, Escócia, Portugal e Índia, O Grupo D ficou com apenas duas seleções. E no único jogo da chave, disputado no estádio Independência, em Belo Horizonte, os uruguaios golearam os bolivianos por 8 a 0. O Uruguai passou a etapa decisiva, e a Bolívia foi eliminada.

A capital mineira recebeu mais duas partidas do Mundial de 50: Iugoslávia 3 x 0 Suíça e um jogo que ficou marcado na história das Copas: Inglaterra 0 x 1 Estados Unidos, a maior zebra dos Mundiais de futebol.
O Sul do país teve duas sedes em 1950, como vai ocorrer em 2014. O estádio dos Eucaliptos, em Porto Alegre, sediou dois confrontos: Iugoslávia 4 x 1 México e Suíça 2 x 1 México. Os moradores de Curitiba também puderam assistir a dois jogos da Copa: Espanha 3 x 1 Estados Unidos e Suécia 2 x 2 Paraguai, ambos disputados no estádio Durival de Brito.

O Nordeste foi representado em 50 por Recife, que recebeu apenas um jogo da competição. Na Ilha do Retiro, o Chile goleou os Estados Unidos por 5 a 2.
As sedes da Copa de 50:

Rio de Janeiro (Maracanã) – oito jogos: Brasil 4 x 0 México, Inglaterra 2 x 0 Chile, Espanha 2 x 0 Chile, Brasil 2 x 0 Iugoslávia, Inglaterra 0 x 1 Espanha, Brasil 7 x 1 Suécia, Brasil 6 x 1 Espanha e Brasil 1 x 2 Uruguai

São Paulo (Pacaembu) – seis jogos: Brasil 2 x 2 Suíça, Itália 2 x 3 Suécia, Itália 2 x 0 Paraguai, Espanha 2 x 2 Uruguai, Suécia 2 x 3 Uruguai e Espanha 1 x 3 Suécia

Belo Horizonte (Independência) – três jogos: Iugoslávia 3 x 0 Suíça, Inglaterra 0 x 1 EUA e Uruguai 8 x 0 Bolívia

Porto Alegre (Eucaliptos) – dois jogos: Iugoslávia 4 x 1 México e Suíça 2 x 1 México

Curitiba (Durival de Brito) – dois jogos: Espanha 3 x 1 EUA e Suécia 2 x 2 Paraguai

Recife (Ilha do Retiro) – um jogo: Chile 5 x 2 EUA

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