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Preços para vir à Copa no Brasil assustam europeus

23/10/2013

Passagem, hospedagem e serviços terão preços elevados mesmo para a classe média

Jamil Chade, enviado especial - O Estado de S. Paulo

Mario Vedder/AP
GENEBRA - Assustados com os preços cobrados no Brasil por empresas aéreas, hotéis e serviços para a Copa do Mundo, torcedores europeus começam a montar esquemas alternativos para acompanhar suas seleções, fugir dos hotéis oficiais da Fifa e até mesmo acampar nas diferentes cidades brasileiras. Nesta semana, as Eliminatórias na Europa definiram praticamente todas as seleções do Velho Continente que irão ao Brasil. Restando apenas a França como campeã do mundo ainda por se classificar em uma repescagem, o Mundial de 2014 contará com Espanha, Alemanha, Itália e Inglaterra entre as campeãs europeias. O continente ainda mandará ao Brasil as seleções da Bósnia, Suíça, Bélgica, Holanda e Rússia.

Entidades de torcedores e federações nacionais consultadas pelo Estado confirmaram que aguardam o sorteio dos grupos da Copa, no dia 6 de dezembro, para montar seus pacotes. Mas reconhecem que já começaram a trabalhar para levar os torcedores ao Brasil e estão "sob choque" diante dos preços. "Jamais pensamos que esses seriam os preços para ir ao Brasil", disse Kevin Miles, um dos representantes da poderosa Federação de Torcedores da Inglaterra. "Todos estão aterrorizados", afirmou. "Tenho certeza de que muita gente irá para a Copa do Mundo. Mas é uma pena que se cobre esses preços. Certamente, não será um Mundial para a classe média".  Antes mesmo de a Inglaterra se classificar para a Copa, agências de viagem constataram que a busca por passagem ao Brasil desde Londres havia aumentado em 1095% para o período do Mundial.

Já a Associação de Torcedores da Bélgica saiu em busca de alternativas aos hotéis brasileiros. A entidade está oferecendo àqueles que queiram ir ao Brasil a possibilidade de permanecer em barracas em locais de acampamento. O grupo garante que vai buscar essas áreas nas cidades que a Bélgica for colocada. "Não podemos exigir que as pessoas paguem os preços dos hotéis que estão sendo pedidos no Brasil", disse um representante do grupo.  O pacote com barracas sairia ainda assim por cerca de 3 mil para apenas a primeira fase do Mundial. O Estado revelou em uma reportagem na semana passada que pacotes vendidos para a Copa do Mundo chegavam a custar R$ 32 mil por pessoa no exterior.

Ingleses, alemães, suíços e holandeses confirmaram ao Estado que também estão buscando modelos como o belga, com camping, viagens de ônibus entre cidades e montar suas próprias estruturas. Já os torcedores australianos, que também vão ao Brasil, desistiram de montar um acampamento no Rio de Janeiro. Motivo: a falta de segurança. Quem estava organizando o pacote era a agência Fanatics, especializada em eventos esportivos pelo mundo. Mas, segundo a companhia, nenhum local com segurança adequada foi encontrado. A opção inicial tem sido por albergues da juventude e hotéis de duas estrelas. Por enquanto, mais de mil pessoas já adquiriram esses pacotes.

Fonte: Estadão

Comitê interministerial vai avaliar qualidade dos serviços na Copa

18/10/2013 

A qualidade dos serviços, os preços e as tarifas, durante a Copa do Mundo de 2014, serão monitorados por um comitê interministerial criado hoje (17) por determinação da presidenta Dilma Rousseff e envolverá os ministérios envolvidos na organização do evento esportivo.

A ministra-chefe da Casa Civil da Presidência da República, Gleisi Hoffmann, que coordenará o comitê, se reuniu nesta quinta-feira com os representantes dos ministérios do Esporte, da Justiça, do Turismo, da Secretaria de Aviação Civil e de entidades de defesa do consumidor para tratar do assunto.

“Vamos utilizar todos os instrumentos à disposição do Estado para garantir a defesa dos direitos do consumidor, seja ele brasileiro ou estrangeiro”, disse a ministra por meio de nota divulgada pela Casa Civil. De acordo com Gleisi, o governo não pode interferir, por exemplo, nos valores das passagens aéreas, mas abusos não serão permitidos.

O ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, terá atuação importante no comitê, que se reunirá pela primeira vez na próxima quinta-feira (24). De acordo com a Casa Civil, o ministro acionará o Conselho Administrativo de Defesa Econômica para fazer uma análise dos setores aéreo e hoteleiro, visando a identificar situações que levariam à inibição da concorrência.

"Nós vamos acompanhar preços, tarifas, avaliar a qualidade dos serviços prestados e buscaremos garantir aos turistas e brasileiros que acompanharão a copa uma situação acolhedora", disse Cardozo.

Segundo o ministro, o comitê fará um monitoramento para mapear possíveis abusos, que serão coibidos utilizando mecanismos previstos na legislação de defesa do consumidor. "A nossa lei prevê, para cada tipo de abuso, uma alternativa de ação. O governo vai atuar para fazer com que os preços sejam justos, sem exorbitâncias, e para coibir os abusos dentro da legislação que defende o consumidor", declarou.

O Ministério da Justiça também entrará em contato com os Procons das 12 cidades-sede do Mundial para fazer um diagnóstico detalhado dos preços e qualidades dos serviços prestados em hotéis, restaurantes, aeroportos e outros setores. A metodologia das avaliações e a periodicidade de encontro do comitê, no entanto, ainda não foram definidas.

Participaram da reunião com Gleisi Hoffmann os ministros da Justiça, José Eduardo Cardozo; do Turismo, Gastão Vieira; e da Secretaria de Aviação Civil, Moreira Franco, além dos presidentes da Embratur, Flávio Dino, e da Agência Nacional de Aviação Civil, Marcelo Guaranys, e do secretário executivo do Ministério do Esporte, Luis Fernandes. No encontro da próxima semana, cada ministério ficou responsável por apresentar uma análise da sua área.


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