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"ME SINTO UMA PESSOA MELHOR", DIZ TITE APÓS AMISTOSO EM CHAPECÓ

Foto: Márcio Cunha / Estadão Conteúdo

26/12/2017

Por Darci Debona

O técnico da seleção brasileira, Tite, foi uma das principais estrelas do amistoso "Amigos da Abravic", realizado nesta sexta-feira, na Arena Condá. Ele deu autógrafo, conversou com torcedores e reviu amigos, entre eles os técnicos Gilmar Dal Pozzo, com quem foi campeão gaúcho em 2000, pelo Caxias, e Fábio Carille, com quem trabalhou no Corinthians.

— Guardar e conviver com todas aquelas pessoas que fizeram parte do nosso trabalho é uma gratidão muito grande e nós trabalhamos juntos durante cinco anos e isso é muito legal, assim como pude rever o Gilmar que foi meu atleta quando fomos campeões gaúchos, pegando pênalti do Ronaldinho, fazendo uma história muito bonita aqui em Chapecó, fazendo duas subidas, da "C" para a "B", da "B" para a "A" e todo esse ambiente criado por todas as pessoas isso é muito legal, humanamente eu me sinto uma pessoa muito melhor – disse o treinador.

Ele lembrou também de sua passagem como jogador e acredita ter jogado contra a Chapecoense no tempo em que atuou no Caxias, entre 1978 e 1984. Nos Campeonatos Brasileiros de 1978 e 1979 a Chapecoense enfrentou o Caxias.

— Eu comecei com o Guarani de Garibaldi na Segunda Divisão (do Campeonato Gaúcho) treinando terças e quintas-feiras e treinando a Marcopolo, que era um time de fábrica, no sábado. Talvez com o Caxias eu tenha jogado, como atleta, contra a Chapecoense, talvez a história possa mostrar, e como é bonito ver (o crescimento da Chapecoense), mas independentemente de resultado, como é importante ver o lado humano aflorado e aqui fica uma lição para as pessoas, o esporte é um meio de educação, é um meio solidário. Esporte é uma coisa que transcende, a competição é ser melhor aqui dentro do campo, mas tem um aspecto educacional que é muito maior – avaliou.

Tite disse que quer aproveitar o final de ano e ficar quietinho no canto dele, com os familiares e amigos. Mas confirmou que amanhã vai assistir Barcelona e Real Madrid. E, ao sair de Chapecó, só deu uma certeza, em tom de brincadeira: que o embaixador da Chapecoense, Jakson Follmann, está convocado para a seleção depois do gol no amistoso desta sexta-feira.

CHAPECOENSE PERDE CLÁSSICO PARA O AVAÍ, MAS CONQUISTA O TÍTULO CATARINENSE



07/05/2017

A Chapecoense perdeu na Arena Condá neste domingo, mas conquistou o título catarinense neste momento de reconstrução de sua história. Depois de ter vencido o Avaí fora de casa por 1 a 0 no primeiro jogo, a Chape travou um difícil embate como mandante nesta decisão. O Leão venceu o jogo de volta por 1 a 0, com gol do lateral Leandro Silva, mas não aumentou a diferença e perdeu o título para a Alviverde, que festejou o hexacampeonato catarinense.

O Estadual foi o primeiro título da Chapecoense desde a tragédia do ano passado, em que a equipe de Chapecó perdeu seus jogadores, comissão técnica e funcionários do clube num acidente de avião. Coroada campeã da Sul-Americana após o episódio, a Chape teve que se reerguer neste ano e conseguiu montar um elenco vitorioso, que trouxe o sexto troféu do Estadual para a história do clube.

O jogo foi bastante apertado. Durante o primeiro tempo, a Chape conseguiu impor seu ritmo e chegou mais vezes ao gol do que os visitantes, porém, o lateral do Avaí Leandro Silva soube aproveitar uma boa oportunidade e abriu o placar com o único gol da partida.

O jogo – O início da partida estava bem equilibrado, e foi somente aos 17 minutos de jogo que a primeira oportunidade de gol apareceu. A equipe da Chape avançou num contra-ataque e criou uma boa chance de marcar com o volante Luiz Antonio. O meio-campista furou a zaga do Avaí e arriscou do começo da pequena área adversária, mas o goleiro Kozlinski conseguiu salvar e evitar que a Alviverde abrisse o placar.

Por muito pouco, mais uma vez, a Chapecoense quase fez o primeiro aos 24 minutos, quando Reinaldo cobrou lateral para dentro da área e Wellington Paulista cabeceou com força. O arqueiro do Avaí estava bem atento ao lance e salvou novamente. No rebote, Arthur Caike tentou assinalar, mas errou a mira e chutou para fora.

Diferentemente da Chape, o Avaí praticamente não criou oportunidades nesta primeira metade da etapa, mas aproveitou uma ótima chance aos 27 minutos. O lateral Leandro Silva saiu da defesa para tabelar com o atacante Romulo e, de longe, mandou forte para o gol chapecoense. O goleiro Artur Moraes não conseguiu defender e deixou o Leão abrir o placar.

Apesar do gol sofrido, os donos da casa fizeram um bom primeiro tempo e chutaram ao gol seis vezes, contra duas investidas do Avaí. Porém, na volta do intervalo, a Chape diminuiu seu ritmo de jogo e deu espaço para a equipe adversária infiltrar, chegando a exigir boas defesas do goleiro Artur Moraes.

Pressionada, a Alviverde voltou a criar somente aos 39 minutos da última etapa, quando o lateral João Pedro arrancou na área adversária e chutou a bola na trave. Na sequência, o atacante Rossi tentou ajeitar, mas chutou para fora, sem goleiro.

A temperatura esquentou nos minutos finais da partida e o árbitro teve que levantar o cartão vermelho para um jogador no banco de reservas. Nenén reclamou de uma falta sofrida por Reinaldo, pedindo cartão ao jogador do Avaí e foi expulso da partida.

O juiz deu cinco minutos de acréscimo, mas o Leão não conseguiu ampliar a diferença no placar e o título ficou com a Alviverde, que conquistou seu hexacampeonato catarinense na Arena Condá.

FICHA TÉCNICA

CHAPECOENSE 1 x 1 AVAÍ

Local: Arena Condá, em Chapecó (SC)
Data: 07 de maio, domingo
Horário: 16h00 (de Brasília)
Árbitro: Braulio da Silva Machado (SC)
Assistentes: Kleber Lucio Gil e Carlos Berkenbrock (SC)
Cartões amarelos: Douglas Grolli, Moisés Ribeiro, Túlio de Melo e Artur Moraes (Chapecoense); Luan, Marquinhos e Caio César (Avaí)
Cartão Vermelho: Nenén, no banco (Chapecoense)
Gol:
AVAÍ: Leandro Silva, aos 27 minutos do primeiro tempo.

CHAPECOENSE: Artur Moraes; João Pedro, Luiz Otávio, Douglas Grolli e Reinaldo; Nathan (Apodi), Moisés Ribeiro e Luiz Antonio (Osman); Arthur Caike, Rossi e Wellington Paulista (Túlio de Melo).
Técnico: Vagner Mancini

AVAÍ: Kozlinski; Leandro Silva, Alemão, Betão e João Paulo; Luan (Caio César), Judson e Marquinhos (Lourenço); Romulo, Denilson (Diego Jardel) e Júnior Dutra.
Técnico: Claudinei Oliveira




Medellín tem homenagem às vítimas do acidente de avião da Chapecoense

Estádio Atanasio Girardot, em Medellín, lotou nesta quarta-feira (30) 
para prestar homenagem às vítimas do acidente do avião da Chapecoense 
Foto: AP Photo/Luis Benavides

01/12/2016

Estádio seria local do primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana.
Arena Condá, casa do clube em Chapecó, também prestou homenagem.

Milhares de pessoas compareceram nesta quarta-feira (30) ao estádio Atanasio Girardot, em Medellín, na Colômbia, para prestar homenagem às vítimas da queda do voo que transportava a delegação da Chapecoense e jornalistas, na noite da última segunda-feira.

O estádio seria o local da partida entre o Chapecoense e o Atlético Nacional, o primeiro jogo da final da Copa Sul-Americana. No horário em que começaria o jogo, às 21h45 (horário de Brasília) o estádio já estava em sua capacidade máxima, com pessoas vestidas de branco e com uma vela acesa para se solidarizar com as vítimas, suas famílias e países de origem – Brasil, Venezuela e Paraguai.

Outras milhares de pessoas, segundo o canal Telemedellín, ficaram do lado de fora do estádio e acompanharam a cerimônia por telões. Durante um minuto de silêncio, os expectadores também acenderam seus celulares.

A Arena Condá, a casa do clube em Chapecó, também prestou homenagem às vítimas da tragédia nesta noite.

Mascote e crianças da cidade dão a volta no gramado na Arena Condá, 
em Chapecó, durante a cerimônia na noite de quarta-feira (30) 
Foto: Diego Madruga/GloboEsporte.com

O acidente com o jato Avro RJ-85 da empresa aérea boliviana LaMia deixou 71 mortos. Até o fim da tarde desta quarta, 45 corpos já tinham sido identificados. Seis pessoas sobreviveram e estão internadas em hospitais locais, algumas em estado crítico.

No Atanasio Girardot, o ministro de Relações Exteriores do Brasil, José Serra, fez um discurso emocionado, em que agradeceu a solidariedade do povo colombiano. "Muito obrigado Colômbia. Nesses momentos de grande tristeza imensa para as famílias, para todos nós, as expressões de solidariedade que aqui encontramos, aqui no Atanasio Girardot, nos oferecem um grau de consolo imenso. Uma luz no escuro quando todos estamos tentando compreender o incompreensível", disse Serra.

Ministro das Relações Exteriores do Brasil, José Serra, faz discurso emocionado 
durante cerimônia de homenagem às vítimas do acidente do avião da Chapecoense 
Foto: Reprodução/ YouTube/ Telemedellín+

"Não nos esqueceremos a forma como os colombianos sentiram como seu o terrível desastre que interrompeu o sonho desse time herói da Chapecoense. Uma espécie de conto de fadas com final de tragédia", afirmou, acrescentando que o país também não esquecerá a postura do Atlético Nacional de pedir que o Chapecoense seja declarado campeão da copa Sul-Americana.

Juan Carlos de la Cuesta, presidente do Atlético Nacional, prestou sua solidariedade às famílias de todas as vítimas e pediu união no futebol. “Hoje é um momento para convidar à reflexão, a saber que o mais importante é a vida, a saber que a união, a convivência, a convivência no futebol... Se não temos clubes rivais não há futebol, se não temos torcidas rivais, não há festa no futebol. Convidamos para que esse seja o momento para que haja união e convivência no futebol, é o que queremos todos nós”, disse.

Fãs do Atlético Nacional fazem homenagem às vítimas da tragédia com o voo 
da Chapecoense, no estádio Atanasio Girardot, em Medellín, na Colômbia 
Foto: AP Photo/Fernando Vergara

Também falaram outras autoridades, como o presidente da Conmebol, Alejandro Dominguez; o diretor técnico do Atlético Nacional, Reinaldo Rueda; o prefeito de Medellín, Federico Gutiérrez; o governador de Antioquia, Luis Pérez Gutiérrez.

Ao final, crianças entraram ao campo com balões brancos e os soltaram enquanto os apresentadores liam os nomes das 71 vítimas. Da arquibancada, o público jogou flores no campo.

Acidente

Enquanto eram feitas as homenagens no estádio em Medellín, o secretário de Segurança Aérea da Colômbia, Freddy Bonilla, concedeu uma coletiva de imprensa em que afirmou que o avião Chapecoense estava sem nenhum combustível em seus tanques ao cair e anunciou a abertura de uma investigação.

Os prefeitos de Chapecó, Luciano Buligon, e de Medellín, Federico Gutiérrez, 
se abraçam durante cerimônia às vítimas da queda do avião do Chapecoense 
Foto: Reprodução/ YouTube/ Telemedellín+

Uma das linhas de investigação para a queda, segundo Bonilla, é ter havido pane seca, quando a falta de combustível faz parar os sistemas elétricos da aeronave.

Uma gravação divulgada pela imprensa colombiana nesta quarta mostra conversa entre um dos pilotos do voo em que ele pede prioridade à controladora de tráfego aéreo justamente em razão da falta de combustível.

Equipes de resgate leva corpos embalados após retirá-los dentre os destroços do 
avião da LaMia perto de Medellín, na Colômbia - Foto: Raul Arboleda/AFP

O avião havia saído de Santa Cruz de la Sierra (Bolívia) e ia para o aeroporto José María Córdova, em Medellín. O avião havia sido fretado pela Chapecoense.

A tripulação do LaMia pediu prioridade para pouso às 0h48 (horário de Brasília). Mais tarde, declarou emergência.

Segundo Bonilla, o avião bateu em baixa velocidade contra a montanha, 250 km/h, o que permitiu ter havido sobreviventes --eles estavam em posições diferentes da cabine de passageiros, disse. Ele acrescentou que não recebeu, até o momento, denúncias de irregularidades contra a LaMía.

Infográfico Chapecoense (Foto: Editoria de Arte/G1)
Fonte: G1

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Noite de homenagens na Arena Condá tem arquibancadas lotadas e festa digna de título em Chapecó

Foto: Nelson Almeida / AFP
01/12/2016

Quando o pé direito do goleiro Danilo salvou uma bola debaixo da trave e colocou a Chapecoense na final da Sul-Americana, há sete dias, parecia que a Arena Condá tinha o tamanho do Maracanã. Nenhum torcedor da Chape diria o contrário naquela noite. A classificação histórica diante do tradicional San Lorenzo e o "milagre" nos segundos finais, logo contra o time do Papa, desenharam o estádio da cidade no mapa do futebol mundial. A Chapecoense ainda ganhava por antecipação algo que jamais caberia numa sala de troféus: virou o segundo time de todo brasileiro.

A casa da Chape, que vinha embalada para a inédita final, voltou a ficar cheia nesta quarta-feira à noite. Refletores ligados, arquibancadas lotadas e uma multidão de verde e branco por todos os lados. Mas, desta vez, o ídolo Cleber Santana não estava em campo e sequer havia traves para Danilo repetir seus milagres. A Arena Condá abriu os portões para lembrar e homenagear aqueles que partiram na tragédia. A Chapecoense entraria em campo justamente nesta quarta-feira, na Colômbia, pela primeira partida da final contra o Atlético Nacional.

Por alguns momentos, foi como se o time do técnico Caio Júnior estivesse em campo. Teve batuque de tambor, gritos de guerra e, quem diria, até aplausos quando a torcida do Atlético Nacional apareceu em um vídeo no telão. Cenas que se repetiram em Medellín, ao mesmo tempo, numa noite de homenagens no campo do time colombiano.

A noite na Arena Condá também teve silêncio para ouvir as palavras de conforto dos pastores Claudir, Bartolomeu e do padre Igor.

— Deus ama a cidade de Chapecó e há de dar a ela um novo dia, um novo sentido, uma nova vida — anunciou o pastor Bartolomeu.


Foto: Nelson Almeida / AFP

O padre Igor, uma espécie de torcedor símbolo pela devoção particular ao time da cidade, convocou a torcida a gritar "sou Chapecoense, com muito orgulho, com muito amor". Lembrou que "as alegrias" e as "horas mais difíceis" dividem o mesmo trecho no hino do clube. Também pediu que os torcedores acendessem os celulares. Pela altura da festa, algum desavisado no lado de fora poderia jurar que o time da casa acabava de conquistar mais um título.

Atletas das categorias de base entraram em campo abraçados, deram a volta olímpica acompanhados de crianças e levantaram os quatro cantos das arquibancadas. Claro que o garotinho vestido de índio, mascote oficial da Chape, também fez parte da celebração e foi uma atração à parte.

O que levou o estádio às lágrimas, no entanto, foi o anúncio de uma escalação que nunca mais vai se repetir. Cada integrante da delegação enviada à Colômbia teve o nome anunciado no telão. Além de jogadores, comissão técnica e convidados foram lembrados. Todos os jornalistas mortos na tragédia também receberam aplausos.

A noite não teve adversário e terminou sem placar, é verdade, mas a torcida foi embora com a certeza de que o futebol pode ser muito mais do que vitórias ou derrotas.

Fonte: Diário Catarinense

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