Polícia faz operação surpresa e prende dirigentes da Fifa por corrupção


27/05/2015

Segundo o "The New York Times", policiais invadiram hotel cinco estrelas de Zurique e efetuaram prisões. Ex-presidente da CBF, José Maria Marin seria um dos acusados

A polícia da Suíça prendeu, na madrugada desta quarta-feira em um hotel de Zurique seis dirigentes da Fifa sob a acusação de corrupção. De acordo com o "The New York Times", a ação foi movida por um pedido de autoridades americanas. Os suspeitos poderão ser extraditados para os Estados Unidos. Delegados de quase todas federações de futebol estão em Zurique para a reunião desta sexta-feira que poderá dar a Joseph Blatter o seu quinto mandato como presidente da entidade. O único detido identificado até o momento, segundo a rede de notícias CNN, foi Jeffrey Webb, presidente da CONCACAF (Confederação das Américas Central e do Norte). O ex-presidente da CBF, José Maria Marin, estaria entre os acusados pela justiça americana. O porta-voz da FIFA, Walter de Gregorio, disse que Blatter não está entre os acusados. 

- Ele não está envolvido de modo algum - disse.

Segundo o jornal, as acusações baseadas numa investigação do FBI que começou em 2011 apontam corrupção generalizada na FIFA nas últimas duas décadas - envolvendo a disputa pelo direito de sediar as Copas da Rússia (2018) e Qatar (2022) - além de contratos de marketing e televisionamento. O rival de Blatter na eleição, o príncipe saudita Ali Bin Al Hussein, comentou para a emissora inglesa BBC:

- Hoje é um dia triste para o futebol. É uma história em andamento - cujos detalhes ainda estão aparecendo. 

Ainda segundo o New York Times, 14 executivos serão indiciados por crimes como fraude, lavagem de dinheiro e extorsão. O jornal divulgou o nome dos indiciados. Eles seriam o citado Webb (Ilhas Cayman), vice-presidente da comissão executiva e presidente da Concacaf; Eugenio Figueredo (Uruguai), que também integra o comitê da vice-presidência executiva e até recentemente era presidente da Conmebol; Jack Warner (Trinidad e Tobago), ex-vice-presidente da Fifa e ex-presidente da Concacaf, acusado anteriormente de inúmeras violações éticas; Julio Rocha (Nicarágua), presidente da Federação Nicaraguense; Costas Takkas; Rafael Esquivel; Nicolás Leoz, ex-presidente da Conmebol; e o brasileiro José Maria Marin, ex-presidente da CBF.


Os policiais efetuaram as prisões no belo e tradicional hotel de Zurique (Foto: Reuters)

Outro já identificado é Eduardo Li, presidente da Federação da Costa Rica. Após ser apreendido, o dirigente foi conduzido por policiais juntamente com sua bagagem e imediatamente deixou o hotel por uma porta lateral. Além dos dirigentes, cinco executivos de marketing também serão indiciados. 
A Justiça Suíça divulgou nota oficial informando que seis acusados foram presos e aguardarão processo de extradição para os EUA. Segundo a nota, as autoridades americanas acusam os suspeitos de receberem milhões de dólares em subornos. As escolhas de Rússia e Catar como sedes para as duas próximas Copas (2018 e 2022) podem ser o tema central das investigações.

Jack Warner presidente da Concacaf (Foto: Getty Images)
Joseph Blatter não está entre os acusados, porém seu nome figura na lista de investigados pela polícia. Segundo informações da TV americana "CNN", o FBI já vinha atuando sobre o caso há cerca de três anos.

A operação surpresa foi realizada por policiais à paisana, que se dirigiram ao balcão de registros do Hotel Baur au Lac e, já de posse das chaves, subiram aos quartos dos suspeitos, efetuando as prisões. Todos os acusados responderão, entre outras, por fraude eletrônica, extorsão e lavagem de dinheiro.

O escândalo das detenções em Zurique pode comprometer a tentativa de reeleição de Blatter à presidência da Fifa. O objetivo do dirigente era deixar encaminhado, na sexta-feira, o acerto para o seu quinto mandato à frente da entidade maior do futebol mundial.

Ainda na manhã desta quarta-feira, a Fifa informou que irá realizar uma conferência de imprensa às 11h (6h no horário de Brasília) em sua sede de Zurique.


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