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RELATÓRIO DA FIFA CITA VANTAGENS INDEVIDAS DADAS A RICARDO TEIXEIRA

Ricardo Teixeira, ex-presidente da CBF (Foto: Divulgação)

27/06/2017

Por LANCE! 

Ex-presidente da CBF é incluído em documento divulgado nesta terça. As investigações giram em torno da eleição da sede da Copa de 2022, mas citam acordos comerciais da CBF
  
A Fifa divulgou nesta terça-feira um aguardado relatório, que traz o resultado das investigações sobre o processo de escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022. No documento, que é longo, o ex-presidente da CBF, Ricardo Teixeira, é citado várias vezes como sendo um dos beneficiários de vantagens indevidas durante o período de candidatura. 

Segundo os relatos, Teixeira recebeu regalias, por exemplo, na negociação envolvendo o amistoso da Seleção Brasileira no Qatar, país que viria a ganhar o direito de sediar o Mundial de 2022. 

O documento cita que "a prima facie" (expressão em latim que significa à primeira vista), o Comitê de Ética da Fifa poderia enquadrar Ricardo Teixeira, mesmo com o brasileiro já tendo renunciado às funções no futebol em 2012. As violações seriam dos artigos que tratam de regras de conduta, lealdade, conflitos de interesse, aceitação de presentes e outros benefícios, suborno e corrução.

O relatório cita ainda que apesar de Teixeira ter aceitado as regalias em Doha, no Qatar, "os fatos e circunstâncias ao redor dos contratos dos direitos comerciais da CBF são de longe mais sérios".

O chamado "Garcia Report", em alusão ao chefe da investigação, Michael Garcia, que presidiu a câmara investigatória do Comitê de Ética da Fifa, só foi publicado pela Fifa porque fora vazado irregularmente a um jornal alemão. Assim, a entidade resolveu, nas palavras da própria Fifa, "evitar a disseminação de informações equivocadas". Para compilar o relatório, vários dirigentes foram ouvidos, mas Teixeira não foi um deles.

Em relação à candidatura do Qatar e o processo de negociação do amistoso do Brasil contra Argentina no Oriente Médio, o relato dá conta de um encontro do Emir daquele país no Rio de Janeiro. O local escolhido sempre foi uma "segunda casa" de Ricardo Teixeira: o Itanhangá Golf Clube. Lá estiveram também os então presidentes da AFA, Julio Grondona, da Conmebol, Nicolás Leoz, além do ex-presidente da Fifa, João Havelange. 

Sobre o acerto para que o amistoso Brasil x Argentina fosse realizado no Qatar, a investigação pegou como pressuposto matérias que diziam de um suposto recebimento de US$ 7 milhões por parte da CBF. Mas a Fifa não comprovou esse pagamento e ainda disse que o dinheiro que circulou para a realização do jogo (em 17 de novembro de 2010) foi bem menor. Ao mesmo tempo, o relatório pontua que "as provas levantam questões sobre o propósito e beneficiários de certos pagamentos". Por ocasião da partida, o relatório cita o tratamento "VVIP" que Teixeira, esposa e filha receberam no Qatar, ficando em suítes de hotel com mais requinte do que os próprios jogadores da Seleção. A diária foi de US$ 5.490, pagos pela candidatura do qatari. O valor era 18 vezes mais que a de Messi e 30 vezes a de Robinho.

Em relação aos contratos de direitos comerciais da CBF, que são "de longe mais sérios", o relatório detalha como funcionava a relação com a Kentaro, ex-responsável pela exploração dos amistosos da Seleção. E traz ainda o acordo com a ISE, braço do Dallah Albaraka Group (“DAG”).

É depois desse acordo que surge a Uptrend Developments, empresa de Sandro Rosell, atualmente preso na Espanha pela suspeita de receber propina na exploração dos amistosos da Seleção. O Garcia Report cita que a Uptrend recebeu um total de US$ 8,3 milhões de dólares, referentes a 24 amistosos da Seleção. O contrato, no entanto, não obrigava a Uptrend a vender qualquer evento ou fazer qualquer coisa significativa para os amistosos da Seleção, ficando com a ISE a responsabilidade de organizar, promover e transmitir as partidas.

Por falar em Rosell, o documento cita a transferência de 2 milhões de libras para uma conta da filha de Ricardo Teixeira, em junho de 2011, quando ela tinha 10 anos. Segundo Andreas Bleicher, consultor da campanha Qatar 2022, isso não teve relação com a eleição para sede da Copa e se tratava de uma coisa "completamente privada entre Rosell e Teixeira". Bleicher acrescentou aos investigadores que "algumas pessoas fazem coisas por motivo de impostos".

"Lula é nada. Venha e me conte o que você tem para mim"

JAPÃO E INGLATERRA

Teixeira ainda aparece na investigação em torno dos processos de candidatura de Japão e Inglaterra para as Copas de 2022 e 2018, respectivamente. No contato com os ingleses, sobrou uma alfinetada até no ex-presidente Lula. Lord Triesman, representante da candidatura da Inglaterra, relatou um papo tido em 2009 com Teixeira no qual relatou admiração por Lula e o fato de o então presidente do Brasil ter se posicionado no sentido de apoiar a candidatura inglesa. Teixeira, então, respondeu, segundo o relator de Triesman: "Lula é nada. Venha e me conte o que você tem para mim". Como, segundo o próprio Triesman, Teixeira fala inglês muito mal, ficou no ar uma dúvida sobre o que ele, de fato, quis dizer com o "Venha e me conte o que você tem para mim". 

Em relação aos japoneses, Teixeira está em uma lista de membros do antigo Comitê Executivo da Fifa que receberam presentes. Os cartolas e as respectivas esposas foram destinatários de, por exemplo, pingentes, uma bola típica japonesa feita de cedro e até mesmo câmeras digitais. 

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Ricardo Teixeira renuncia à presidência da CBF após 23 anos no cargo


Ricardo Teixeira renunciou ao cargo. Foto: Divulgação
12/03/2012

Agência O Globo

Ex-governador de São Paulo, José Maria Marin vai assumir a entidade. Marin recentemente foi flagrado colocando no próprio bolso uma das medalhas da Copa São Paulo de juniores.

Rio de Janeiro - Ricardo Teixeira não é mais presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF). A carta de renúncia foi lida nesta segunda-feira pelo presidente em exercício da entidade, José Maria Marin, na presença de todos os presidentes das federações na sede da CBF no Rio de Janeiro. Na quinta-feira passada, alegando problemas de saúde, Ricardo Teixeira já tinha pedido licença da presidência da CBF. Teixeira estava na presidência da CBF desde janeiro de 1989. Nesses anos a seleção brasileira conquistou as Copas do Mundo de 1994 e 2002 e o Brasil ganhou o direito de sedir a Copa de 2014.

Pouco antes do carnaval, período em que a CBF esteve de recesso, Teixeira viajou para Miami, no Sul dos Estados Unidos, onde tem casa. Enquanto esteve fora cresceram rumores de que ele se afastaria da presidência da CBF. Os boatos foram motivados por novas denúncias de corrupção contra o dirigente, por conta de investigações sobre superfaturamento no amistoso entre as seleções de Brasil e Portugal em Brasília, em 2008.

Teriam surgido indícios de que a empresa envolvida na promoção do amistoso, a Ailanto, da qual o presidente do Barcelona, Sandro Rossel, é sócio, passara cheques para Ricardo Teixeira, assinados por Vanessa Precht, uma das sócias da companhia. Em março de 2009, segundo denúncia do jornal "Folha de São Paulo", Vanessa firmou contrato para arrendar a fazenda de Teixeira em Piraí, município do interior fluminense, em nome de uma empresa subsidiária da Ailanto. A descoberta dos cheques nominais levou a polícia a concluir que existe um vínculo entre Teixeira e a Ailanto, acrescentou o jornal. O amistoso em Brasília custou R$ 8,5 milhões aos cofres públicos.

Em resposta a essas e outras denúncias de corrupção, a CBF, em comunicado oficial, afirmou: "O presidente da CBF, Ricardo Teixeira, bem como todos os membros de sua família, tem sua situação tributário-fiscal devidamente regularizada, nada devendo ao fisco federal, estadual e municipal, sendo certo que todos os seus bens e propriedades estão devidamente declarados perante as repartições competentes". Na mesma ocasião, também por nota, a entidade rebatia as suspeitas de que Teixeira não voltaria de Miami. "O presidente Ricardo Teixeira retomará as atividades que constam da sua agenda de trabalho na CBF após o carnaval", garantia a CBF.

No final de fevereiro, de volta às suas atividades no comando do futebol brasileiro, Teixeira convocou os presidentes de federações por email para uma assembleia geral extraordinária na mesma data e hora de uma reunião previamente marcada por opositores para discutir a sucessão na presidência da CBF. Teixeira agiu rapidamente para abafar um movimento que era capitaneado pelos presidentes das federações do Rio, Rubens Lopes, Bahia, Ednaldo Rodrigues, e Rio Grande do Sul, Francisco Novelletto, que contavam com a renúncia dele e já articulavam para indicar seu sucessor. Os três tentavam evitar que, com a possível renúncia, José Maria Marín, ligado à Federação Paulista, assumisse.

A pauta do encontro marcado por Teixeira não foi divulgada. Apenas foi informado que trataria de "assuntos de interesse da entidade e suas filiadas". Durante quase cinco horas, no centro empresarial Rio Office Park, na Barra da Tijuca, onde fica a sede da CBF, 27 presidentes de federação ficaram reunidos. E quem apostava que o dirigente se afastaria naquele dia acabou se decepcionando.

— O presidente Ricardo Teixeira recebeu apoio total e irrestrito das 27 federações para continuar seu mandato. Em nenhum momento a saída dele da presidência da CBF foi sequer cogitada — disse Rubens Lopes, o Rubinho, presidente da Federação do Rio, espantosamente “situacionista” após o encontro.

Rubinho, que era um dos que contestavam o estatuto no ítem que diz respeito à sucessão em caso de renúncia do presidente, presidiu a assembléia e foi escolhido como porta-voz das federações. Na reunião, ficou decido que o estatuto seria cumprido e que, em caso de ausência do presidente, assumiria o vice indicado por Teixeira. No caso, Marin, exatamente o que o grupo que contestava o estatuto queria impedir.

— O estatuto será cumprido. Havia algumas dúvidas que foram esclarecidas — disse o dirigente carioca na ocasião, em 1º de março.

A reunião começou às 15 horas e terminou depois das 18h. Por volta das 16h, quatro garotos, integrantes da Frente Nacional dos Torcedores, fizeram um protesto contra Ricardo Teixeira em frente à sede da CBF. Eles chegaram a abrir um faixa verde e amarela com os dizeres "Fora Ricardo Teixeira". Também entoaram palavras de ordem. O protesto durou poucos minutos, pois a segurança do centro empresarial chegou rapidamente e levou o quarteto para fora do espaço. Não houve tumulto.

O que Ricardo Teixeira quis mostrar com aquele espisódio é que continuava como o cacique do futebol brasileiro. Como conseguiu o que queria, decidiu então tirar licença para tratar da saúde. Na terça-feira, dois dias antes da reunião, ele teria sentido dores na perna direita — onde teve implantada uma placa, após cair do cavalo, em 1998. E se submeteria a exames nesta semana.

— Todos sabem que Ricardo Teixeira tem um problema de diverticulite. Ele fará novos exames. Pode ser que ele nem precise se afastar, que o tratamento seja apenas com remédios. Ele pode se afastar por até 180 dias. Está no estatuto — disse Mauro Carmélio, presidente da Federação do Ceará e ricardista juramentado, que acabou dando com a lingua nos dentes. — Talvez ele tenha que fazer exames complementares no exterior.

Veja o cronograma da trajetória de Teixeira na CBF:

16/01/1989

Aos 41 anos, é eleito presidente da CBF e anuncia o técnico Sebastião Lazaroni na seleção brasileira. Seu diretor de futebol, Eurico Miranda, listou os 39 selecionáveis para as eliminatórias da Copa-1990. E a primeira polêmica foi criada. A lista tinha dez atletas do empresário uruguaio Juan Figer e sugeria favorecimento, uma vez que não foi divulgada pelo novo treinador, que estava no futebol árabe, mas por Eurico Miranda, também vice de futebol do Vasco.

16/07/1989

A seleção derrota o Uruguai por 1 a 0 (gol de Romário), no Maracanã, e conquista a Copa América após 40 anos do último título.

19/07/1989

Tem início a disputa da primeira Copa do Brasil, competição criada no primeiro ano da gestão de Ricardo Teixeira e que teve o Grêmio como campeão.

16/01/1990

João Havelange, presidente da CBF, diz que ao deixar a Fifa (previa a saída em 1994) o melhor nome para sucedê-lo era o de Ricardo Teixeira. Dias depois, em entrevista para a Folha, desconversou e disse que precisava ser alguém jovem para o cargo.

18/01/1990

Polêmica com a federação portuguesa. Sporting, Porto e Benfica chegaram a se recusar a liberar os brasileiros para a seleção alegando que a CBF não havia acertado seguro e o salário dos selecionáveis nos jogos de 1989. Silas era do Sporting, Branco, do Porto e o trio Valdo, Ricardo Gomes e Aldair, do Benfica.

24/06/1990

A seleção perde para a Argentina por 1 a 0 (gol de Caniggia), em Turim, e é eliminada nas oitavas de final da Copa do Mundo da Itália. Lazaroni perde o emprego e o ex-jogador Paulo Roberto Falcão é chamado para o cargo.

19/05/1991

A data marca o que foi a primeira virada de mesa da era Teixeira. Neste dia, a primeira fase do Brasileiro-1991 terminou com o Grêmio rebaixado. O time disputou a Série B em 1992, mas ficou distante dos primeiros colocados. O jeito encontrado pela CBF para trazer a equipe de volta para a elite foi inchar o Brasileiro-1993, promovendo 12 clubes.

21/07/1991

A seleção fica com o vice da Copa América do Chile. Nem mesmo a vitória por 2 a 0 sobre a equipe da casa mudou a sorte do time de Falcão.

17/07/1991

O cartola antecipa a eleição de janeiro de 1992 para esta data e é reeleito. Ele concorreu sozinho e foi escolhido por unanimidade pelas 27 federações. O segundo mandato iniciou oficialmente em 16 de janeiro de 1992, válido até a mesma data de 1996. O pleito foi outra polêmica na sua trajetória na CBF. Ao antecipar a votação concorreu com a oposição enfraquecida e sem ser enquadrado na Lei Zico (ainda um projeto).

31/07/1991

Em reportagem de capa, a Folha mostra que a reeleição de Teixeira é contestada em Brasília e considerada "manobra ilegal". Isso porque ao antecipar a eleição em seis meses ele concorreu sem adversários e evitou ser enquadrado pelo "Projeto Zico" (que seria votado Lei em agosto). Caso isso ocorresse, o projeto estenderia o direito a voto a 84 clubes, além das 27 federações, possibilitando um pleito mais equilibrado.

22/09/1991

Em entrevista à Folha, Teixeira diz que está insatisfeito com a seleção e que a equipe deveria ser formada apenas com jogadores que estão no Brasil. Prometia ainda ficar no cargo até janeiro de 1996 (fim do segundo mandato) e não almejava dirigir a Fifa.

02/08/1992

Com vitórias contra Estados Unidos e México, a seleção conquista a segunda taça da era Teixeira na Copa da Amizade, nos Estados Unidos. Torneio não oficial.

27/06/1993

Mais uma vez a seleção é eliminada pela Argentina em um torneio oficial. Dessa vez nas quartas da Copa América do Equador. Após 1 a 1, perdeu nos pênaltis por 6 a 5.

25/07/1993

A seleção brasileira é derrotada pela Bolívia e perde a invencibilidade de 31 jogos e 40 anos em eliminatórias da Copa do Mundo (desde 1954). O time treinado por Carlos Alberto Parreira ouve muitas críticas.

19/09/1993

A seleção derrota o Uruguai por 2 a 0 (gols de Romário), no Maracanã, e assegura sua participação na Copa do Mundo de 1994.

17/07/1994

Após empate sem gols, a seleção brasileira derrota a Itália nos pênaltis por 3 a 2 e conquista a Copa do Mundo após 24 anos da última conquista. No retorno ao Brasil, a delegação trouxe dos EUA 17 toneladas de bagagens e compras (tinha embarcado com duas toneladas na ida). O cartola foi acusado de ter transportado equipamentos para sua choperia El Turf, protagonizando o que ficou conhecido como "voo da muamba".

11/06/1995

O Brasil supera a Inglaterra por 3 a 1 e fatura a Copa Umbro, terceiro título da era Teixeira. Antes tinha vencido Suécia (1 a 0) e Japão (3 a 0).

03/07/1995

Teixeira é reeleito pela segunda vez com o voto de 26 federações estaduais e de todos os 24 clubes que participam da primeira divisão do futebol brasileiro. A federação do Pará não votou. Não houve nenhum candidato de oposição. Na solenidade, Teixeira afirmou que a disputa da Olimpíada de Atlanta-1996 era a prioridade.

23/07/1995

Nos pênaltis, o Brasil é vice da Copa América do Uruguai em duelo contra a seleção anfitriã. No tempo normal foi 1 a 1 e nos pênaltis derrota do time de Zagallo por 5 a 3.

31/07/1996

Na semifinal dos Jogos de Atlanta-1996, a seleção perde para a equipe da Nigéria por 4 a 3 e vai disputar o bronze. Goleia Portugal por 5 a 0.

24/11/1996

A data marca o que foi a segunda virada de mesa da era Teixeira. Fluminense e Bragantino, rebaixados, ficaram na elite em 1997 beneficiados pelo escândalo de arbitragem que envolveu Ivens Mendes (ver maio de 1997). O caso cancelou os rebaixamentos, mas não os acessos da Série B para a elite do Nacional.

05/12/1996

Celebrado como um dos grandes feitos da gestão de Teixeira, a CBF apresentou as novas camisas confeccionadas pela Nike. O contrato rendeu para os cofres da entidade US$ 220 milhões (total) em dez anos, além de investir mais US$ 180 milhões em eventos e promoções.

01/01/1997

A CBF assina o segundo acordo milionário, dessa vez com a Coca-Cola. O acordo previa R$ 30 milhões (total) até o fim do contrato, no final de 2002. Em maio de 2001, a entidade rescindiu o acordo e fechou com a AmBev (guaraná Antarctica) por uma cifra maior.

07/05/1997

Reportagem publicada pela TV Globo mostram gravações telefônicas que sugerem a manipulação de resultados. O dirigente pedia R$ 25 mil a dirigentes do Atlético-PR em troca de "ajuda" e R$ 100 mil (esquema que foi apelidado de "um, zero, zero") para o presidente do Corinthians, Alberto Dualib. Mendes pediu demissão da Comissão de Arbitragem da CBF (ele estava no cargo desde 1989) e Armando Marques assumiu.

29/07/1997

"Vocês vão ter de me engolir." Assim Zagallo desabafou após o título da Copa América da Bolívia. Na final, vitória do Brasil sobre a seleção anfitriã por 3 a 1.

21/12/1997

Com goleada por 6 a 0 sobre a Austrália, o Brasil conquista pela primeira vez a Copa das Confederações, disputada na Arábia Saudita.

12/07/1998

Com uma derrota por 3 a 0, a seleção perde a final da Copa do Mundo para a anfitriã França. O jogo ficou marcado pelo problema de saúde sofrido pelo atacante Ronaldo na noite anterior à final.

01/07/1999

Pela terceira vez Teixeira é reeleito na CBF. Novamente como candidato único e de forma unânime. O pleito criou uma comissão anti-Lei Pelé, que ainda seria votada. A Lei Pelé iria regulamentar todo o esporte brasileiro. A obrigatoriedade da transformação dos clubes em empresas, o limite de prazo dos contratos dos jogadores e a proibição do registro de atletas na CBF são alguns pontos que incomodavam os dirigentes.

18/07/1999

A seleção derrota o Uruguai por 3 a 0 (dois gols de Rivaldo e um de Ronaldo) e fatura o título da Copa América do Paraguai.

04/08/1999

Com uma seleção mais jovem e reformulada por Vanderlei Luxemburgo, a seleção perde o bi da Copa das Confederações para o México por 4 a 3.

03/07/2000

A CBF desiste da candidatura à Copa do Mundo de 2006, em favor da África do Sul. "Nós estaremos trabalhando em prol da candidatura da África do Sul, para obter o apoio deles para a Copa-2010", disse Ricardo Teixeira na ocasião.

20/07/2000

Como o Gama ganhou na justiça comum o direito de estar na primeira divisão (foi rebaixado em 1999), o futebol brasileiro sofre a terceira virada de mesa. Bahia, Fluminense, Juventude e América-MG, que estavam na Série B, também são incluídos no Nacional, que passa para 25 participantes. A inclusão foi arquitetada pela CBF e pelo Clube dos 13.

07/06/2000

O Brasil cai ante a França na semifinal da Copa das Confederações com derrota por 2 a 1. O revés faria Emerson Leão, que chamou basicamente atletas que só atuavam no campeonato nacional ser demitido. Antes o time ainda perdeu para a Austrália por 1 a 0 na decisão de terceiro lugar.

23/10/2000

Com dois jogadores a mais, a seleção brasileira olímpica, comandada por Vanderlei Luxemburgo, perde para a equipe de Camarões por 2 a 1 na prorrogação e é eliminada nas quartas de final de Sydney-2000.

31/08/2001

É internado no hospital Pró-Cardíaco, na zona sul do Rio, após sentir dores nos braços. Teixeira foi submetido a uma angioplastia (cirurgia plástica nos vasos sanguíneos) na artéria coronária direita, que apresentava obstrução de 85% e liberado três dias depois.

10/04/2001

Ricardo Teixeira depõe para a CPI instalada na Câmara, em outubro de 2000, para investigar supostas irregularidades no contrato entre a CBF e a multinacional Nike. Também deporia na CPI do Senado, na qual é acusado, entre outros crimes, de apropriação indébita dos recursos da confederação, sonegação fiscal e lavagem de dinheiro. O governo federal pediu a saída de Teixeira, mas a vitória na Copa-2002 (14 meses depois) e o apoio de cartolas o mantiveram no cargo.

24/05/2001

CBF assina novo acordo com a AmBev por cerca de US$ 180 milhões em 18 anos. Mais um contrato milionário da gestão de Teixeira. Embora tenha dito na época que o negócio não tinha intermediários, a Folha revelou em junho do mesmo ano que empresa do economista Renato Tiraboschi, ex-sócio e amigo do cartola, recebeu 8 milhões de dólares.

23/07/2001

Nas quartas de final da Copa América, o Brasil é surpreendido pela seleção de Honduras, perde por 2 a 0 e é eliminado. Luiz Felipe Scolari recebe muitas críticas, mas é mantido como técnico.

24/08/2001

Relatório elaborado pela Câmara dos deputados que fizeram parte da CPI CBF/Nike, finalizada em julho, apontou que as federações que demonstraram apoio a Teixeira entre 1998 e 2000 receberam R$ 12,5 milhões em doações da CBF.

31/08/2001

O cartola é internado no hospital Pró-Cardíaco, no Rio, após sentir dores nos braços. Ele foi submetido a uma angioplastia (cirurgia plástica nos vasos sanguíneos) na artéria coronária direita, que apresentava obstrução de 85%. Foi liberado três dias depois.

30/06/2002

O Brasil conquista o pentacampeonato da Copa do Mundo ao derrotar a Alemanha, no Japão, por 2 a 0 (gols de Ronaldo).

29/03/2003

A CBF testa pela primeira vez a fórmula de pontos corridos no Campeonato Brasileiro. O sistema agradou e foi mantido desde então. Com 24 clubes nas duas primeiras edições, 22 em 2005 e 20 desde 2006.

23/06/2003

Com empate contra a Turquia, o Brasil cai na primeira fase da Copa das Confederações. Antes perdeu para Camarões e venceu os Estados Unidos.

09/07/2003

Com voto em branco do São Paulo e nulo do Vitória, o cartola é reeleito com 46 dos 49 votos disponíveis. Votaram as 27 federações e os 24 clubes do Brasileiro-2003.

25/07/2004

Com uma seleção mista, o Brasil conquistou mais uma edição da Copa América. No Peru, empatou com a Argentina por 2 a 2 e venceu a final nos pênaltis por 4 a 2.

29/06/2005

Com direito a goleada sobre a Argentina por 4 a 0, a seleção conquista o segundo título da Copa das Confederações, disputada na Alemanha.

23/09/2005

Segundo esquema de manipulação de arbitragem é revelado. Uma reportagem da revista "Veja" denunciava uma rede de apostas realizadas pela internet, no qual estava envolvido o árbitro Edílson Pereira de Carvalho. O esquema de manipulação de resultados para favorecer um grupo de empresários foi batizado como Máfia do Apito. No dia 2 de outubro os 11 jogos suspeitos foram anulados e remarcados.

30/09/2005

O ex-árbitro Armando Marques deixa o cargo de presidente da Comissão de Arbitragem da CBF por causa do escândalo de manipulação de resultados no Brasileiro-2005. Marques substituiu Mendes, que pediu demissão em 1997 também após escândalo.

15/04/2006

Sem abrir concorrência, a CBF renovou com a parceria com a Nike, aumentando para mais 12 anos. O novo acordo previa o pagamento de US$ 12 milhões por ano.

16/07/2007

É reeleito mais uma vez com mandato até 2012. Ele recebeu o voto das 27 federações e apoio dos 20 clubes do Brasileiro-2007. Um dia antes a seleção tinha conquistado a Copa América com vitória sobre a Argentina por 3 a 0, na Venezuela.

30/07/2007

Apontada como a possível maior vitória da era Teixeira, o Brasil é escolhido para sediar a Copa do Mundo de 2014. A decisão foi anunciada em Zurique, na Suíça.

22/08/2008

O Brasil chega novamente a semifinal de uma Olimpíada, mas é eliminado pela Argentina por 3 a 0. Na decisão da medalha de bronze vence a Bélgica por 3 a 0.

15/05/2009

O atacante Ronaldo afirma que o cartola tem "duplo caráter" na sabatina da Folha. "Até 2006 a gente tinha ótimo relacionamento, e acabou. Não me importa absolutamente nada ter relacionamento com uma pessoa de duplo caráter. É muito fácil, na hora que se ganha, estar ali e levantar troféu, ser campeão junto com os jogadores. Na hora que perde, é fácil também pegar alguém para Cristo e crucificar essa pessoa", disse.

31/05/2009

Em evento nas Bahamas, foram anunciadas as 12 cidades-sedes da Copa do Mundo-2014: Rio de Janeiro, São Paulo, Belo Horizonte, Porto Alegre, Brasília, Curitiba, Salvador, Recife, Natal, Fortaleza, Manaus e Cuiabá.

28/06/2009

A conquista da Copa das Confederações da África do Sul, com vitória contra os Estados Unidos por 3 a 2, é até o momento o último título da era Teixeira.

21/12/2010

O cartola anuncia que a unificação dos títulos de campeão brasileiro de 1959 a 1970. Assim, Santos e Palmeiras passam a ser recordistas com oito conquistas e o Brasileiro-1971 deixa de ser considerado como a primeira edição do Nacional.

25/03/2011

Uma possível CPI para investigar a organização da Copa-2014 perde força após Teixeira visitar o Planalto. Uma semana antes Anthony Garotinho, deputado pelo PR-RJ, passou a recolher assinaturas para a instalação da CPI. Eram necessários 171 nomes, mas ao menos 34 deputados retiraram a assinatura após a visita de Teixeira.

06/04/2011

Em balanço divulgado por Teixeira é informado que a CBF registrou um lucro líquido de R$ 83 milhões ao longo de 2010. Recorde na história da entidade. De 2008 para 2009, o lucro havia subido 126%: de R$ 32 mi para R$ 72,4 milhões.

08/07/2011

Em entrevista para a revista "Piauí", o cartola diz que pode fazer "todo tipo de maldade" na Copa do Mundo de 2014 para atingir inimigos. "Em 2014, posso fazer a maldade que for. A maldade mais elástica, mais impensável, mais maquiavélica. Não dar credencial, proibir acesso, mudar horário de jogo. E sabe o que vai acontecer? Nada. Sabe por quê? Porque eu saio em 2015. E, aí, acabou", disse. O cartola classificou a imprensa brasileira como "vagabunda" e disse estar "cagando" para as denúncias. "Que porra as pessoas têm a ver com as contas da CBF?"

13/08/2011

Matéria veiculada no "Jornal Nacional" da TV Globo apresenta as investigações sobre supostas irregularidades em contrato da seleção brasileira para a realização de um amistoso contra Portugal, em 2008. A reportagem chamou a atenção porque Teixeira era até então um aliado histórico da emissora.

20/10/2011

O novo estádio do Corinthians, que está sendo construído em Itaquera, é confirmado como palco da abertura da Copa do Mundo-2014. No dia seguinte o delegado Victor Hugo Poubel, chefe da Delegacia de Repressão aos Crimes Financeiros da Superintendência da Polícia Federal no Rio, diz à Folha que Teixeira voltará a ser investigado pela PF por suspeita de lavagem de dinheiro.

01/12/2011

Dois anos após dizer que cartola tinha "duplo caráter", o ex-jogador Ronaldo diz ser amigo dele. "O presidente [Teixeira] me conhece desde que tenho 13 ou 14 anos. Nossa relação é a melhor possível. Aquela pequena briga foi um momento isolado e superado completamente", disse em coletiva.

08/12/2011

O presidente da Fifa, Joseph Blatter, ameaça revelar provas de que Teixeira recebeu suborno da empresa ISL, que prestou serviços para Fifa e faliu em 2001. A ameaça não se concretizou e o caso continua sob sigilo judicial na Suíça.

15/01/2012

Reportagem de capa da Folha apresenta documento que revela que uma fazenda cartola é o elo entre o dirigente e a Ailanto Marketing. Essa empresa é investigada por superfaturar o amistoso da seleção brasileira contra Portugal em 2008. A pressão sobre Teixeira aumenta.

Fonte: D24am.com

Maior artilheiro das Copas confirmado em 2014

Foto: Divulgação/FIFA
02/12/2011

Fenômeno. Não seria preciso dizer mais nada sobre Ronaldo Luís Nazário de Lima, mas sua trajetória no futebol e no esporte carrega mais do que a artilharia em Copas do Mundo da FIFA. Foram 15 gols em 11 jogos nas quatro edições de que participou: Estados Unidos 1994, França 1998, Coreia do Sul e Japão 2002 e Alemanha 2006. Uma média de 1,4 gol por partida. É preciso ser craque para estabelecer este recorde. Mas é preciso ser exemplo também fora de campo. E este exemplo, Ronaldo deu a todos os brasileiros nesta quinta-feira (1/12), ao aceitar uma posição no Conselho de Administração do Comitê Organizador Local (COL) da Copa do Mundo da FIFA Brasil 2014.

No Conselho de Administração ele terá voz ativa e será atuante, na missão de participar dos trabalhos da diretoria e ajudar na execução dos projetos. Além da função administrativa do dia a dia, o Fenômeno agregará à Copa do Mundo da FIFA a sua imagem vitoriosa.

“Ninguém melhor para representar a identidade nacional do que Ronaldo, símbolo do que nosso povo pode produzir de melhor. Acompanhamos sua vitoriosa carreira e sabemos que é a voz perfeita para este momento”, disse o presidente do COL, Ricardo Teixeira.


O ex-atacante aceitou a missão e prometeu usar sua imagem para que o Brasil faça uma grande competição: “Aceito esse grande desafio, que para mim é uma honra. Essa Copa do Mundo da FIFA é do povo brasileiro e quero trazer minha contribuição. Vamos acompanhar de perto toda a preparação e mostrar que a Copa do Mundo da FIFA é um grande orgulho pra gente”.

O presidente da FIFA, Joseph S.Blatter, também deixou sua mensagem: “O Ronaldo foi um excelente jogador, escolhido por três vezes pela FIFA o melhor jogador do mundo, campeão das Copas do Mundo da FIFA de 1994 e 2002, participou de quatro Copas do Mundo da FIFA e, sobretudo, ainda detém o recorde de maior artilheiro da História da competição. Estamos muito satisfeitos com o compromisso do Ronaldo de contribuir para o sucesso da Copa do Mundo da FIFA 2014 como parte da equipe. Acreditamos que ele terá um papel muito importante em sua quinta Copa do Mundo da FIFA, desta vez fora do campo. Desejamos a ele o melhor neste novo trabalho".

Desde o São Cristóvão, o clube onde começou a treinar nas categorias infantil e juvenil, Ronaldo era disputado pelo seu brilhantismo dentro de campo. O clube ficava perto de Bento Ribeiro, onde cresceu Ronaldo, e era aonde dava para chegar com o dinheiro contado do transporte. Rapidamente o adolescente foi notado. Aos 17 anos, descoberto pelo Furacão da Copa do Mundo da FIFA de 1970, o ex-jogador Jairzinho, Ronaldo começou a carreira no Cruzeiro e logo foi convocado para a Seleção Brasileira sub-17. Deslanchou e foi chamado para atuar no clube europeu PSV, na Holanda. Sua primeira participação em uma Copa do Mundo da FIFA data do ano seguinte: Estados Unidos, 1994. Ronaldo foi convocado, mas não jogou.

Lançava-se ao mundo um dos maiores atacantes da História, artilheiro da Supercopa Libertadores de 1993, do Campeonato Holandês da temporada 1994/95 e do Campeonato Espanhol das temporadas 1996/97 e medalha de bronze nos Jogos Olímpicos de 1996. Nesse período, recebeu pela primeira vez o título de Melhor Jogador do Mundo pela FIFA, em 1996, quando ganhou o apelido de Fenômeno, jogando então pelo Barcelona.

O título foi conquistado pelo então novo Fenômeno do esporte mundial consecutivamente no ano de 1997, ano em que foi transferido para a Internazionale de Milão, e, ainda, em 2002, quando foi artilheiro da Copa do Mundo da FIFA, mesmo depois de uma saga de contusões e recuperações. Passou a jogar pelo Real Madri, em que repetiu a artilharia do Campeonato Espanhol 2003/2004. Em 2007 e 2008, integrou ainda o clube do Milan e, em 2009, passou a jogar pelo Corinthians, clube brasileiro em que encerrou a carreira em 2011.

Fora de campo, tornou-se embaixador da ONU e foi responsável por iniciativas como o jogo da Seleção Brasileira no Haiti. Passou a investir também na carreira de executivo de negócios esportivos e hoje, aos 35 anos, com toda a bagagem que traz consigo, Ronaldo Nazário de Lima passa a ser mais uma peça-chave para a realização de uma Copa do Mundo da FIFA fenomenal.

Fonte: FIFA.com

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Secretário-geral da Fifa garante Beira-Rio como estádio da Copa em Porto Alegre

"Ainda é muito cedo para dizer que Porto Alegre está a perigo", afirmou Valcke Foto: Antonio Cruz / Agência Brasil 
Jérôme Valcke advertiu que dirigentes do Inter precisam agilizar retomada dos trabalhos 

08/11/2011 

Fabiano Costa 
fabiano.costa@gruporbs.com.br 

Apesar da indefinição em torno de quem irá financiar a reforma do Beira-Rio, a Fifa garantiu hoje o estádio do Inter como um dos palcos da Copa de 2014. Em visita ao Brasil para discutir a legislação especial para o mundial, o secretário-geral da entidade, Jérôme Valcke, disse que Porto Alegre não corre o risco de deixar de ser sede do mundial por conta do atraso nas obras coloradas. 

Valcke, porém, advertiu que os dirigentes do Inter têm de agilizar a retomada dos trabalhos. Segundo ele, ainda que haja tempo hábil, a cada dia que passa a situação fica mais complicada. 

- Perder dia após dia de obra não é bom, mas ainda é muito cedo para dizer que Porto Alegre está a perigo. A cidade vai sediar jogos da Copa — prometeu. 

Pela manhã, o executivo da Fifa prestou esclarecimentos na Câmara sobre a Lei Geral da Copa. Diante dos parlamentares, Velcke revelou ter feito uma proposta para a presidente Dilma Rousseff, na tentativa de acabar com a polêmica sobre a meia-entrada nos jogos. Em vez de garantir o benefício para estudantes e idosos, como reivindica o governo, a Fifa sugere a criação de ingressos populares exclusivos para brasileiros, ao preço de US$ 25, equivalentes a R$ 44. 

A entidade, no entanto, não abre mão da venda de bebidas alcoólicas nos estádios brasileiros, contrariando a legislação do país. Mesmo pressionado por deputados a ceder neste ponto, Valcke foi taxativo: 

— Não vou assumir o compromisso de que não venderemos cervejas. Mas posso garantir que a Fifa não está aqui para embebedar as pessoas. 

Romário cobra explicações 

A audiência terminou depois que o deputado federal e ex-jogador Romário (PSB/RJ) interpelou Valcke sobre uma carta do presidente da entidade, Joseph Blatter. Na carta, cuja cópia foi entregue à comissão, Blatter acusa Valcke de "chantagista". 

Romário disse que cópia dessa carta também foi entregue à presidente Dilma Rousseff. A carta, segundo Romário, foi trazida a público pelo jornalista inglês Andrew Jennings, autor de um livro sobre corrupção na Fifa e que foi ouvido no mês passado na Comissão de Educação, Esporte e Cultura do Senado. 

O parlamentar quer saber porque Blatter chamou Valcke de volta, seis meses depois de demiti-lo da Fifa, em 2001, por causa de problemas com a empresa de cartão de crédito Mastercard, uma das patrocinadoras da entidade na época. 

O secretário-geral da Fifa respondeu que o caso Mastercard "é uma cruz que carrega como uma pena" e que a levará "até o fim da vida", mas não entrou em detalhes. Disse apenas que tudo "está superado há muito tempo". Também em relação à carta de Blatter, ele disse que não nega o fato, mas que não quer entrar em discussão sobre o assunto para não "chocar ninguém". Reconheceu, porém, que o assunto é um dos temas da campanha do jornalista Jennings contra a Fifa. 

As respostas de Valcke motivaram um bate-boca entre Romário e o presidente da Comissão, Renan Filho (PMDB/AL), que não permitiu novas perguntas do ex-jogador, insatisfeito com as as respostas de Valcke. 

Outro alvo das denúncias de Jannings, o presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) e do Comitê Organizador Local (COL) da Copa, Ricardo Teixeira, também foi arguído por Romário. O deputado queria explicações sobre um processo que corre na Justiça da Suíça no qual o dirigente brasileiro é denunciado por "recebimento de propina de US$ 10 milhões da empresa de marketing ISL", segundo apuração do jornalista inglês. A empresa ISL faliu e a Fifa teria feito, segundo o livro de Jennings, um acordo com a Justiça suíça para que o nome de Ricardo Teixeira não fosse divulgado. 

Em resposta a Romário, Ricardo Teixeira desqualificou o acusador. Disse que, na audiência pública da Comissão de Educação, Esporte e Turismo do Senado, Andrew Jannings foi citado por um oficial de Justiça brasileiro em um processo por calúnia que o dirigente move contra o jornalista inglês no Brasil. 

— Tentei várias vezes processá-lo na Inglaterra, mas foi impossível citá-lo porque ele não tem endereço e emprego fixos — disse Teixeira.

* com informações da Agência Brasil

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Polícia Federal abre outra investigação contra Ricardo Teixeira por compra de avião e ações

Compra de avião, ações e sociedades sugerem lavagem de dinheiro, diz MPF - Foto: Divulgação/UOL
25/10/2011 - UOL Esporte
Roberto Pereira de Souza
Em São Paulo

O Ministério Público Federal em São Paulo pediu a abertura de mais uma investigação contra Ricardo Teixeira, presidente da Confederação Brasileira de Futebol e do Comitê de Organização da Copa 2014.

O pedido foi enviado à Polícia Federal em setembro e o inquérito que apura crime financeiro e lavagem de dinheiro já está em andamento.

Agora, são dois inquéritos abertos pela PF para esclarecer se o chefe da CBF cometeu crime de lavagem de dinheiro. No Rio de Janeiro, por exemplo, o tema central envolve a empresa Sanud, dirigida pelos irmão Teixeira, Ricardo e Guilherme.

Esta empresa aparece na lista de suborno de dirigentes da Fifa, em tramitação na Justiça suíça. O procurador da República, Marcelo Freire, pediu aos policiais federais fluminenses que confrontem a declaração de bens da família de Ricardo Teixeira com o volume de riqueza e movimentação financeira registrados. 

O MPF exige o interrogatório do irmão de Ricardo, Guilherme Teixeira, que responde há dez anos como procurador da Sanud (com sede em paraísos fiscais), no Brasil.

Em São Paulo o caso parece ser mais complicado, como sugere a reportagem publicada pela Folha, em 24 de setembro deste ano: Ricardo Teixeira teria comprado um avião que valeria alguns milhões, diretamente da empresa Cessna. Para fechar o negócio, apareceu a empresa Owen Enterprises LLC. A nota de venda assustou os investigadores de São Paulo: traz o valor da aeronave fixado em US$ 1 ou menos de R$ 2.

Para ajudar o processo de desconfiança dos investigadores, outra informação: a TAM aceitaria o tal avião usado como parte de pagamento de um jato novo.

O caso chama a atenção porque o tal avião de prefixo PT-XIB teria sido transferido por R$ 17 milhões à empresa de marketing esportivo, a Brasil 100% Marketing. Antes de assinar contrato de patrocínio com a CBF, a TAM entrou no esquema e legitimou o pacote suspeito. Faltam pedaços racionais na história.

A Polícia Federal terá trabalho duro pela frente devido à ramificação internacional dos negócios.

O resumo das operações sugere crime financeiro, segundo o procurador da República, Sérgio Suiama, que assina o pedido de investigação. De um lado, Ricardo Teixeira que queria trocar um avião Cessna por um jato novo.

A TAM representa a Cessna no Brasil. Não seria necessária a entrada da empresa Owen Enterprises no negócio. Nem seria necessária a entrada da Brasil 100% Marketing disposta a pagar R$ 17 milhões por um aparelho avaliado no máximo em R$ 7 milhões. Luz na trama: Ricardo Teixeira amigos íntimos o comando da Brasil 100% Marketing.

A reportagem da Folha descobre os outros sócios da empresa de marketing:

“A Brasil 100% Marketing pertence a amigos de Teixeira. Um é o executivo financeiro Cláudio Honigman. O outro, Sandro Rosell, sócio da mulher de Teixeira na Habitat Brasil Empreendimentos Imobiliários e também sócio de Honigman na mesma Brasil 100% Marketing”.

Riqueza da família sob investigação federal
Sanud operou na Fifa, dirigida por Havelange (dir.)
Os policiais federais de São Paulo ainda terão de avaliar as operações financeiras feitas por Ricardo Teixeira e a corretora de ações, Alpes, dirigida por Honigman. A operação de recompra de ações da corretoara envolve Cláudio Honigman , Ricardo Teixeira e um suposto pagamento de R$ 22,5 milhões.

Como ingrediente extra, ainda existe a investigação em Brasília sobre o gasto do então governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda (preso e deposto por outros escândalos). Ricardo Teixeira promoveu o jogo entre Brasil e Portugal no DF, em novembro de 2008. O governo Arruda pagaria tudo. Mas apareceu uma empresa de marketing a Alianto que emitiu uma fatura de R$ 9 milhões.

O MPF investiga por que um sócio de Teixeira seria também o dono da Alianto. Trata-se de Sandro Rosell, atual presidente do Barcelona e um dos donos da empresa do avião, a Brasil 100% Marketing.

O negócio para o jogo do Brasil e Portugal foi fechado pela brasileira Vanessa Precht, ex-funcionária de Rosell. A parceria de Rosell, Ricardo Teixeira, Claudio Honigman, Alianto e Vanessa Precht (tendo o avião da TAM como pano de fundo) montam o quebra-cabeças da investigação paulista.

Sandro Rosell é descrito pela revista The Economist como um ex-diretor da Nike, que mantém relações comerciais com a CBF e Ricardo Teixeira, há mais de uma década.

Saiba Mais 

Suborno da Fifa envolve Teixeira 

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