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Vaga, sorteio, topo e gols: confira a retrospectiva da seleção brasileira em 2017

Tite orienta Brasil contra a Colômbia (Foto: Reuters)

02/01/2018

Equipe se classificou com antecedência e já sabe quem serão seus rivais na Copa do Mundo

Por Alexandre Lozetti

O ano que antecede a Copa do Mundo da Rússia foi positivo para a seleção brasileira: bom futebol, resultados e recordes que permitem ao torcedor sonhar com o hexacampeonato em 2018. Porém, Tite ainda busca abrilhantar seu grupo. Os titulares convencem, mas o banco de reservas se mostra incapaz de mudar uma partida. Por isso, ainda há entre sete e oito vagas abertas para o Mundial.

Mais importante: o Brasil conheceu seus rivais na primeira fase da Copa: Suíça, Costa Rica e Sérvia.

Vamos relembrar o ano da Seleção:

Diego e Robinho

Robinho e Diego se apresentam à Seleção (Foto: Reprodução SporTV)

Em que época estamos? 15 anos depois de brilharem no Santos campeão brasileiro, os jogadores se reencontraram. Dessa vez, numa seleção brasileira 100% local, convocada em janeiro para um amistoso diante da Colômbia, em auxílio às famílias das vítimas do acidente aéreo com a delegação da Chapecoense. O atacante, então no Atlético-MG, foi até capitão, mas saiu no intervalo e nunca mais voltou. O meia do Flamengo entrou justamente em seu lugar, e conseguiu convencer Tite a lhe dar novas chances ao longo do ano. O mesmo aconteceu com Diego Souza, do Sport.

"Eu gostaria que tivesse sido empate", disse o técnico

Demissão

Foi na base, mas fez barulho. Rogério Micale e Erasmo Damiani, técnico e coordenador da medalha de ouro olímpica conquistada em agosto de 2016, foram dispensados depois de não conseguirem classificar a Seleção sub-20 ao Mundial da categoria, em fevereiro. Eles não esconderam mágoas com Edu Gaspar, que passou a ter poderes mais amplos, e até mesmo com Tite.

Micale caiu após fiasco no Sul-Americano (Foto: EFE/José Jácome)

Passaporte carimbado

Quando Tite estreou, em agosto de 2016, a Seleção estava na sexta colocação das eliminatórias. Sete meses depois, duas vitórias com belíssimo futebol, sobre Uruguai (4x1, em Montevidéu) e Paraguai (3x0, em São Paulo), fizeram do Brasil o primeiro país classificado para a Copa do Mundo – além da anfitriã Rússia (veja os gols das duas partidas abaixo).

A classificação veio com a vitória do Peru sobre o Uruguai, e Tite recebeu a notícia enquanto dava entrevista coletiva, depois de derrotar os paraguaios (relembre abaixo como foi).

Tite garante classificação do Brasil para a Copa do Mundo


Lá vêm eles de novo...

Com um ano de antecedência, a CBF confirmou a marcação de um amistoso contra a Alemanha. Agora está pertinho, será em 27 de março de 2018 o reencontro das seleções depois do 7x1 na semifinal da Copa do Mundo de 2014.

De volta ao topo

No início de abril, a Fifa divulgou seu ranking mensal e, depois de sete anos, o Brasil estava novamente na primeira posição, à frente de Argentina e Alemanha. A liderança se repetiu em maio, junho e agosto, mas atualmente a Seleção está em segundo, atrás dos alemães.

Ranking da Fifa de dezembro (Foto: Reprodução / Fifa.com)

A primeira derrota

O Brasil foi à Austrália enfrentar a seleção local e a Argentina, em dois amistosos em junho. Tite deixou vários titulares ausentes da lista e aproveitou para observar novas opções, como Diego Alves, David Luiz, Alex Sandro e Rafinha. No clássico sul-americano, 1x0 para os hermanos, que estavam completos e estreavam Jorge Sampaoli. Foi a primeira derrota de Tite no comando da Seleção, que depois venceu a Austrália por 4x0.

Na estreia de Sampaoli, Tite teve sua única derrota na Seleção 
(Foto: Pedro Martins / MoWA Press)

Copa das Confederações

A Seleção, pela primeira vez, ficou fora do torneio, mas Tite e Edu Gaspar foram até lá. A ideia era, além de observar seleções importantes, definir os locais de hospedagem e treinamento durante a Copa da Rússia. Eles escolheram um luxuoso hotel em Sochi, que já estava reservado pela Áustria. Valeu a secação! Os austríacos foram eliminados e o Brasil conseguiu seu QG desejado.

Hotel que vai receber a Seleção em Sochi (Foto: Richard Souza)

Cumprir tabela?

O Brasil voltou a atuar pelas eliminatórias já classificado, e Tite decretou: queria a mesma seriedade das outras rodadas. A equipe venceu o Equador por 2x0, em Porto Alegre, com desempenho inferior, e depois empatou por 1x1 com a Colômbia, em Barranquilla. 

Último ato

A campanha nas eliminatórias foi encerrada com um 0x0 em La Paz, num jogo em que o goleiro da Bolívia, Lampe, foi o grande destaque, e uma vitória por 3x0 sobre o Chile, em São Paulo. O goleiro Ederson foi um dos que ganharam chance de ser titular pela primeira vez no torneio, assim como o lateral-esquerdo Alex Sandro, em razão de lesões de Marcelo e Filipe Luís (veja os gols abaixo).

Quase deu

O Brasil terminou as eliminatórias com 41 pontos, dois a menos do que os 43 conquistados pela Argentina para a Copa de 2002. Aquela ainda é a melhor campanha de uma seleção nesse formato do torneio classificatório da América do Sul.

Testes e mais testes

No amistoso contra o Japão, Tite observou mais jogadores: Cássio no gol, Fernandinho em nova posição, Jemerson na zaga... Mesmo assim, o Brasil venceu de forma convincente: 3x1 (veja os gols abaixo). Dias depois, entretanto, faltou repertório à Seleção para superar a retranca da Inglaterra: 0x0 em Wembley.

Sorteio

No início de dezembro, em Moscou, os grupos da Copa do Mundo foram sorteados. O Brasil ficou como cabeça-de-chave do E, e enfrentará a Suíça (17 de junho, em Rostov-on-Don), a Costa Rica (22 de junho, em São Petersburgo) e a Sérvia (27 de junho, em Moscou).

Sorteio definiu grupos da Copa-2018 (Foto: REUTERS/Kai Pfaffenbach)

Artilheiro

Paulinho foi o goleador da seleção brasileira em 2017, com cinco gols, à frente de Neymar e Gabriel Jesus, que fizeram três cada um.

Paulinho fez cinco gols pela Seleção em 2017 (Foto: Pedro Martins/Mowa Press)


E Neymar?

Teve grandes atuações, como diante do Uruguai, em março, mas terminou o ano oscilando, ainda se equilibrando entre seu posicionamento habitual na Seleção e o que tem feito taticamente no PSG. Sem ele em campo, Tite teve sua única derrota, para a Argentina, em junho.

Neymar fez três gols pelo Brasil em 2017 (Foto: Reuters)

Resumão da CBF

Relatório da comissão técnica sobre 2017 (Foto: Divulgação)

Retrospectiva 2017 da seleção japonesa



02/01/2018

Honda, Kagawa e Okazaki perderam espaço e o Japão sofreu sem a presença de uma estrela
Retrospectiva 2017 da seleção japonesa  Retrospectiva 2017 da seleção japonesa 

Por Tiago Bontempo

2017 foi o ano mais turbulento da década para a seleção japonesa. Apesar de ter cumprido seu dever nas Eliminatórias com boas atuações nos jogos-chave, o futebol do Japão decepcionou nos outros jogos e amistosos e ainda deu vexame no torneio do Leste Asiático. A seis meses da Copa do Mundo, a situação não é nada animadora e muito precisa ser feito para que o objetivo mínimo de passar de fase no Mundial da Rússia seja alcançado.

Futebol não convenceu

O ano começou com uma situação preocupante nas Eliminatórias, em que qualquer resultado negativo poderia deixar o Japão fora da zona de classificação direta para a Copa. No fim, os Samurais venceram quando tinham que vencer e asseguraram o lugar no Mundial com um jogo de antecedência ao derrotar a Austrália em Saitama. Terminou como líder do grupo, mas só um ponto à frente de sauditas e australianos. Mais um tropeço e teria ido para a repescagem.

Os amistosos, ao invés de servir como base para melhorar a equipe, escancararam as deficiências. Não houve uma atuação realmente boa em nenhum deles. Em casa, um empate morno com a Síria (1x1), uma vitória sofrida contra a Nova Zelândia (2x1) e um empate conquistado nos acréscimos contra o Haiti (3x3). Resultados preocupantes por ser contra seleções que não estarão na Copa do Mundo.

Na excursão para a Europa em novembro que marcou a estreia do novo uniforme, derrotas para Brasil (1x3) e Bélgica (0x1). Nenhum desastre em termos de resultado, mas o Japão foi completamente dominado contra o Brasil e teve sorte de não ser goleado. Fez um bom segundo tempo, mas a partida já estava decidida e o Brasil, com vários reservas desentrosados, jogou em ritmo de treino. Contra a Bélgica, o desempenho melhorou e a defesa foi bem na maior parte do jogo, mas um erro de Yoshida definiu a vitória belga.

O ataque é um grande problema e não tem mais uma referência. O time não consegue ser envolvente e criar muitas chances de gol. A defesa também tem cometido erros demais. Mais preocupante é que Yoshida, por mais que jogue bem por 89 minutos, tem sempre cometido erros cruciais. Vindo de boas temporadas na Premier League, ele chegou onde nenhum outro zagueiro japonês esteve, mas o Yoshida do Southampton precisa aparecer mais na seleção. Por outro lado, Tomoaki Makino impressionou na campanha do título do Urawa na ACL e nas últimas apresentações com a Hinomaru e ganhou um lugar na zaga japonesa.

Time sem estrelas

Keisuke Honda carregou a seleção japonesa nas costas de 2010 a 2016. Foi o craque que chamava a responsabilidade e decidia jogos. Antes dele, havia Shunsuke Nakamura. Antes, surgiu Hidetoshi Nakata. Hoje o Japão não tem mais alguém assim. Honda ainda tinha a companhia de Shinji Kagawa e Shinji Okazaki como estrelas do time, mas os três caíram de produção vertiginosamente ao mesmo tempo. No fim do ano passado eles já não eram mais titulares absolutos. Aos poucos perderam a titularidade e, no fim deste ano, deixaram de ser convocados - pela primeira vez, os três ficaram de fora de uma mesma convocação.

O que não seria um problema tão grande se os substitutos respondessem à altura. Yuya Osako fez por merecer a posição de Okazaki. As boas atuações de Yuya Kubo não deram opção a Halilhodzic além de deixar Honda no banco. Hiroshi Kiyotake surgia como melhor alternativa para o lugar do apático Kagawa. Todos começaram o ano em alta, mas hoje não dá para dizer que estão em um bom momento.

Osako não tem ido mal, mas está longe de ser o goleador prolífico que Okazaki costumava ser na seleção. E a péssima fase que vive o Colônia, lanterna disparado da Bundesliga, também não ajuda. Kubo, depois de arrebentar contra EAU e Tailândia, não correspondeu mais e não marcou nos últimos sete jogos. Takuma Asano também ficou devendo quando entrou no lugar dele. Por fim, Kiyotake conviveu com lesões em 2017, deixou de ser convocado e ainda não recuperou sua melhor forma.

Os ícones da "Geração de Platina", jogadores que se esperava que seriam as próximas estrelas do país, também não chegaram lá ainda. Takashi Usami, Gaku Shibasaki e Yoshinori Muto ainda passam por dificuldades em suas carreiras na Europa e não seria surpresa caso fiquem de fora da Copa. Em especial, Usami é uma decepção enorme, pois tinha talento para ser hoje o craque do Japão. Ele foi o jogador mais utilizado por Halilhodzic de 2015 a 2016, mas atualmente ele não tem se destacado nem na Bundesliga 2.

O grupo da Copa - dos males, o menor

O sorteio da Copa do Mundo poderia ter jogado a pá de cal na esperança de uma boa Copa, já que as possibilidades de um "grupo da morte" eram grandes. No fim das contas, a sorte foi generosa com o País do Sol Nascente, que enfrentará Colômbia, Senegal e Polônia no Mundial da Rússia. O Japão é o menos favorito a avançar e no momento não é melhor que nenhuma dessas seleções, mas a diferença entre eles não é grande. O grupo é um dos mais equilibrados, sem nenhum bicho-papão e com chances de passar para todos os quatro.

O fio de esperança: desempenho bom nos jogos mais importantes

Se em quase todos os jogos de 2017 o desempenho variou entre razoável e péssimo, houve dois jogos em especial em que o Japão jogou muito bem. E foram logo os dois mais importantes, jogos de "tudo ou nada", em que até um empate complicaria a situação nas Eliminatórias. Primeiro, a vitória por 2x0 contra os Emirados Árabes em Al Ain no mês de março, com grandes atuações de Kubo e Yoshida e o retorno triunfal de Konno e Kawashima, dois veteranos que mostraram ainda ter gás para defender a seleção e deram mais segurança à defesa. Foi esse jogo que iniciou a crise na seleção emiradense, que ainda tinha boas chances de ir à Copa, mas acabou ficando de fora e trocou de treinador duas vezes no meio do caminho.

A segunda grande apresentação japonesa no ano foi o jogo que deu a vaga na Copa, os 2x0 em cima da Austrália em Saitama. Utilizando um 4-3-3 reativo com três volantes (Hasebe, Ideguchi e Yamaguchi), o Japão mostrou como é possível dominar um jogo mesmo sem ter a bola. Com apenas 33,5% de posse, teve muito mais finalizações (17x5) e chutes certos (5x1). Pode ser a fórmula para enfrentar seleções mais fortes em 2018. Em 2010 a situação era parecida. Crise antes da Copa, técnico balançando no cargo e uma estratégia defensiva que funcionou na hora da verdade. Fica a esperança de que os jogadores novamente se superem nos momentos mais difíceis e que a história se repita.

Jogos do Japão em 2017:

Eliminatórias
12/03 - EAU 0x2 Japão (Kubo, Konno)
28/03 - Japão 4x0 Tailândia (Kagawa, Okazaki, Kubo, Yoshida)
13/06 - Iraque 1x1 Japão (Osako)
31/08 - Japão 2x0 Austrália (Asano, Ideguchi)
05/09 - Arábia Saudita 1x0 Japão

Amistosos
07/06 - Japão 1x1 Síria (Konno)
06/10 - Japão 2x1 Nova Zelândia (Osako, Kurata)
10/10 - Japão 3x3 Haiti (Kurata, Sugimoto, Kagawa)
10/11 - Brasil 3x1 Japão (Makino)
14/11 - Bélgica 1x0 Japão

Copa E-1 (antiga Copa do Leste Asiático)
09/12 - Japão 1x0 Coreia do Norte (Ideguchi)
12/12 - Japão 2x1 China (Yu Kobayashi, Shoji)
16/12 - Japão 1x4 Coreia do Sul (Yu Kobayashi)

Total: 13 jogos, 6 vitórias, 3 empates, 4 derrotas, 20 gols marcados, 16 gols sofridos

Artilheiros: 
2 gols: Yuya Kubo, Yasuyuki Konno, Shinji Kagawa, Yuya Osako, Yosuke Ideguchi, Shu Kurata, Yu Kobayashi
1 gol: Shinji Okazaki, Maya Yoshida, Takuma Asano, Kenyu Sugimoto, Tomoaki Makino, Gen Shoji

Fonte: Globo Esporte
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