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Presidente da FIFA pede desculpa ao Governo do Brasil


Foto: Arnd Wiegmann/Reuters 

06/03/2012

Joseph Blatter pediu desculpa pelas declarações do secretário-geral da FIFA, Jérôme Valcke, sobre o atraso nos preparativos do Brasil para o Mundial 2014.

Um dia depois do próprio Valcke ter pedido desculpas – tinha declarado que os brasileiros precisavam de “um chuto no traseiro” para recuperar os atrasos das obras –, o líder da FIFA tomou idêntica iniciativa, de forma a sanar definitivamente o diferendo.

Ainda assim, não está clara a posição do governo relativamente ao francês, que já se justificou: “Lamento profundamente que uma interpretação incorrecta das minhas palavras tenha provocado tanta preocupação. Em francês ‘chuto no traseiro’ significa apenas ‘acelerar o ritmo’, e infelizmente essa expressão foi traduzida em português com palavras muito mais fortes”.

O governo brasileiro adiantou que o ministro do Desporto, Aldo Rebelo, vai responder às cartas da FIFA antes de tornar pública a sua decisão, depois de já ter formalizado o corte de relações com a FIFA e ter dito que não aceitava Jérôme Valcke como interlocutor. “As suas palavras escapam aos padrões aceitáveis de convivência harmónica entre um país soberano como o Brasil e uma organização internacional centenária como a FIFA”, criticou.

Paralelamente, Marco Aurélio Garcia, um dos principais assessores da presidente Dilma Roussef, qualificou Valcke de “vagabundo” e “boquirroto” e disse que o dirigente poderia ir “à vontade” ao Brasil, mas não teria a atenção do governo.

Na carta enviada ao governo, Blatter manifestou o seu “pesar profundo” pela situação: “Estou extremamente preocupado com a deterioração das relações entre a FIFA e o governo do Brasil. O meu único comentário em relação a este assunto é pedir desculpas a todos que sentiram a sua honra e orgulho feridos, especialmente o governo brasileiro e a presidente Dilma Rousseff”.

O dirigente suíço lembrou que a FIFA e o Brasil têm “um objectivo comum” e devem “trabalhar em conjunto” para organizar “um campeonato do mundo extraordinário no país do futebol, no país dos campeões”.

Blatter reiterou a ideia de que o Brasil merece receber o campeonato do Mundo, mas lembra que “o tempo tem passado” desde que o país garantiu, em 2007, a organização do evento. “Não devemos permitir que os conflitos nos façam perder tempo. Em vez disso, vamos trabalhar juntos para construir algo maior, como prometido pelo [antigo] presidente Lula da Silva durante o seu mandato”, vincou.

O presidente da FIFA vai deslocar-se ao Brasil na próxima semana e espera ser recebido por Dilma Rousseff, num desejado encontro em que, além das obras, a aprovação da Lei Geral da Copa (com as regras que serão adoptadas durante o evento) também deverá ser debatida.

Uma missão de inspecção da FIFA deve chegar na terça-feira ao Brasil para inspeccionar os trabalhos nos estádios de São Paulo, Porto Alegre, Curitiba, Cuiaba, Manaus e Natal, seis das 12 cidades definidas para o Mundial.

Fonte: http://desporto.publico.pt

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