Mineirão é exceção em meio à crise dos estádios da Copa


05/02/2017

Gigante tem crescimento de 35% na exploração comercial, mas ainda não divide lucros com Estado

Administrar as 12 arenas construídas ou reformadas para a Copa do Mundo de 2014 não tem sido uma missão fácil para seus gestores. A maioria dos estádios sofre com a falta de jogos para fechar a conta e com os altos custos. O Mineirão, por sua vez, pode ser tratado como exceção.

Mesmo que ainda não tenha apresentado resultados suficientemente positivos para compartilhar receitas com o Estado – conforme prevê o contrato de Parceria Público-Privada (PPP) –, a Minas Arena, concessionária que administra o Gigante da Pampulha, comemora um crescimento de 35% de exploração comercial em 2016, em comparação a 2015. Por causa de cláusulas de confidencialidade, os valores não foram divulgados.

A melhora nos números se deve ao aumento de partidas e de shows, alguns deles, internacionais, como os do Iron Maiden e do Maroon 5. Foram realizados 54 jogos no ano passado, dez deles pelos Jogos Olímpicos do Rio, o que contribuiu para que 2016 fosse o ano com mais eventos esportivos desde a reabertura do estádio, em 2013. A Minas Arena foi contratada pela Rio 2016 para operar o estádio no período.

Dentre os embates da temporada, destaca-se o superclássico entre Brasil e Argentina, pelas Eliminatórias da Copa de 2018, com uma renda bruta de R$ 12,7 milhões, a segunda maior da história do futebol brasileiro (a primeira segue sendo os R$ 14 milhões de Atlético x Olimpia-PAR, em 2013, também no Mineirão).

Mas o estádio também conseguiu firmar contratos vantajosos, como o firmado com a empresa de bebidas Ambev. Na última quarta-feira, no clássico entre Cruzeiro e Atlético, o Mineirão anunciou uma parceira com ao energético Red Bull. “Foi um ano brilhante para o Mineirão. Distribuímos mais de R$ 18 milhões de reais para os clubes mineiros, só em renda de bilheteria. O Mineirão foi o estádio que mais recebeu torcedores em todo o Brasil. Passamos da marca de 1 milhão e, em 2016, comemoramos a marca de mais de 4 milhões de torcedores desde a abertura”, destacou o diretor comercial da Minas Arena, Samuel Lloyd.

Contas. Para começar a dividir o lucro da PPP com o Estado, o Mineirão pretende chegar à marca de 60 partidas anuais, evitando deduções no repasse. Em abril de 2016, o governo passou a descontar até 60% do valor da parcela mensal, conforme previsto em contrato. São quase R$ 3 milhões a menos todo mês, o que já totaliza pouco mais de R$ 28 milhões, valor que considera as parcelas de novembro e dezembro, já processadas, mas com quitação prevista para este mês.

Em outubro, por sua vez, o desconto foi menor (de R$ 377 mil), em razão dos resultados positivos obtidos nas Olimpíadas. Essa foi a segunda vez que a Minas Arena operou no azul. A primeira aconteceu em novembro de 2014, mês da final da Copa do Brasil, entre Cruzeiro e Atlético.

“O patamar do resultado positivo não é suficiente para levar a uma divisão de lucros que, de acordo com o contrato, só acontece quando esse saldo é acima da margem operacional esperada e projetada no início da operação para cada montante de receita”, reiterou a Secretaria de Estado de Esporte, por nota.

MINIENTREVISTA

Samuel Lloyd, diretor comercial da Minas Arena

Foto: Pedro VilelaAgência I7
O que é preciso fazer para atrair mais jogos, especialmente, do Atlético?

O Mineirão está sempre de portas abertas. São questões de negociação. O Atlético, normalmente, não joga aqui porque tem questões técnicas envolvidas, mas a decisão fica a cargo do clube.

Qual é a conta para que Mineirão possa dar lucro aos clubes?

Na verdade, o Mineirão já dá muito lucro para os clubes. A conta é simples: eles pagam, basicamente, o custo da operação. Hoje, a partir de 12,3 mil torcedores, o clube sai com dinheiro, com faturamento líquido da receita. O Mineirão é um estádio muito viável para público de vários tamanhos. Se a gente fechar setores, ele fica mais viável ainda.

Por que os clubes não têm participação na venda dos estacionamentos e dos bares?

Isso não é uma verdade, depende da negociação. O Villa Nova, no ano passado, teve participação no estacionamento. O contrato de fidelidade do Cruzeiro também cobre ganhos nos estacionamentos e nos bares. Estamos abertos e flexíveis (no clássico, por exemplo, os clubes arcaram com 70% das despesas e, a Minas Arena, com os outros 30%).

Vocês conseguiram melhorar os números, mas ainda continuam tendo descontos no repasse do governo. Como equilibrar?

O ano de 2016 foi o de melhor exploração comercial. Isso quer dizer que, tirando a parcela do governo, foi o ano que o Mineirão conseguiu mais receitas advindas de publicidade, patrocínios e venda dos nossos espaços, as áreas VIPs. O Mineirão Tribuna foi um sucesso. Com relação à redução do repasse do governo, isso tem a ver com uma fórmula do contrato de PPP que foi baseada numa estimativa de 60 jogos por ano. A gente precisa sim, atrair mais jogos, para que essa conta fique mais equilibrada.

O que o Mineirão pode oferecer além dos jogos, com relação a shows, uso da esplanada etc?

Vamos priorizar o calendário do futebol. As datas que o Atlético quiser jogar no Mineirão estarão garantidas. E, em segundo lugar, queremos trazer grandes eventos internacionais. Além disso, temos um parceiro, que fechou com a gente no ano passado e que, neste ano, vai trazer novidades na esplanada. A ideia é trazer mais entretenimento para antes dos jogos e para que o público entre mais cedo. Serão atrações culturais, ativações de marca, promoções de produtos, cerveja, espetinho.

Fonte: O Tempo

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