Butão e Brunei são os opostos nas Eliminatórias da Copa do Mundo 2018



18/03/2015

Butão e Brunei são os opostos nas Eliminatórias da Copa do Mundo 2018

A madrugada de hoje no Brasil, 17 de março de 2015, foi movimentada. Dez das 12 seleções participantes da fase preliminar das Eliminatórias Asiáticas para a Copa do Mundo 2018 entraram em campo para decidir quem avançaria na competição, participando da fase de grupos a partir de 11 de junho de 2015 – o sorteio das chaves será em 14 de abril.

Com placares elásticos nos jogos de ida, as seleções de Timor Leste e Camboja estavam mais tranquilas para visitar Mongólia e Macau, respectivamente, e conseguiram suas vagas. Mas os destaques ficam por conta de Butão e Brunei. Os butaneses alcançaram mais uma vitória em eliminatórias, enquanto os bruneanos foram surpreendidos em casa.

Nota triste. Paquistão e Iêmen entrariam em campo no estádio de Punjab, em Lahore, a cerca de 400 km da capital Islamabad. Porém, dois dias antes do jogo de volta pelas Eliminatórias para a Copa do Mundo 2018, um duplo atentado contra uma igreja cristã matou 15 pessoas e feriu outras 75.

Para não correr riscos, num primeiro momento a FIFA anunciou que o jogo seria realizado em Lahore, mas com portões fechados. Horas mais tarde houve a confirmação do adiamento da partida, que ainda não tem nova data e não será no Paquistão.

Butão 2×1 Sri Lanka

O debute de Butão na história das Eliminatórias para a Copa do Mundo está sendo muito positivo. Depois da vitória surpreendente sobre Sri Lanka, na casa do adversário, os butaneses voltaram a superar o oponente, no acanhado e simpático estádio de Changlimithang (25 mil lugares), que serve de casa para as seleções masculina e feminina, além de seis times do país.

Mais impressionante ainda era o público presente no local: 15 mil torcedores, devidamente com as bandeiras de Butão às mãos e fazendo muita festa. Mais feliz ainda esteve o atacante Chencho Gyeltshen, 24 anos, um dos poucos jogadores profissionais da seleção.

Ele treinou pela primeira vez com o elenco do Buriram United (Tailândia) em 16 de janeiro de 2015, sendo comandado pelo técnico brasileiro Alexandre Gama, e é chamado de Cristiano Ronaldo da Ásia. Chencho Gyeltshen tinha três gols com a camisa da seleção e marcou os dois da vitória de Butão no jogo de volta, sendo um dos artilheiros do qualificatório para a Copa do Mundo 2018.


Crescimento? A federação de Butão começa a se organizar, mas o futebol ainda precisa evoluir. A entidade paga a cada jogador um salário mensal de 10 mil ngultrum, moeda local, que equivalem a apenas 160 dólares. A maioria dos jogadores tem outra profissão ou é estudante. Uma história incipiente, iniciada com a filiação à FIFA em 2000.

Brunei 0×2 Taiwan

Brunei venceu Taiwan fora de casa na primeira partida. E sempre se espera a confirmação da vaga nessa situação. Porém, o elenco de Brunei, com sete jogadores profissionais (defendem o DPMM FC, time de Brunei que joga na liga de Cingapura), foi sumariamente surpreendido pelos taiwaneses, que têm jogadores nas divisões inferiores da China.

Em duas falhas defensivas clamorosas, a defesa de Brunei marcou muito mal, deu espaço aos jogadores de Taiwan, que puderam finalizar com total liberdade. Os dois gols, um aos 37 minutos do primeiro tempo e o outro aos oito da etapa final, impediram qualquer reação dos profissionais de Brunei, que acabaram melancolicamente eliminados.

É a segunda vez que Taiwan avança de fase nas eliminatórias. No torneio para o Mundial 2006, a equipe encarou Macau na etapa preliminar, fazendo 6 a 1 em duas partidas, mas sucumbindo no Grupo 2, com seis derrotas diante de Uzbequistão, Iraque e Palestina.


Mudança de confederação. Taiwan jogou as eliminatórias para a Copa do Mundo pela primeira vez em 1978, quando as seleções de Ásia e Oceania jogavam a mesma competição. O mesmo ocorreu no qualificatório para o Mundial 1982, mas a partir de 1986 as duas confederações se separaram.

Curiosamente, Taiwan jogou as eliminatórias para o torneio do México na Oceania, ficando na lanterna da chave única, com seis derrotas, um gol marcado e 36 contra. Austrália, Israel e Nova Zelândia foram os adversários. O país só voltou a jogar na Ásia a partir das eliminatórias para a Copa do Mundo 1994.

Outras partidas

Mongólia 0×1 Timor Leste

Depois da goleada em casa, na primeira vitória de Timor Leste na história das eliminatórias, a seleção visitante teve de encarar a altitude de 1.350 metros da capital da Mongólia, Ulan Bator. Os mongóis haviam vencido apenas uma vez na história do torneio (1 a 0 sobre Mianmar, em casa, no qualificatório de 2014), mas não conseguiram superar o ímpeto dos brasileiros de Timor Leste.

O único gol da partida foi marcado pelo atacante Patrick Fabiano, 22 anos, com passagens por Grêmio Mauaense (São Paulo), Palestra de São Bernardo (São Paulo) e Atlético Paranaense, atualmente no Kazma (Kuwait). Se bem que o goleiro da Mongólia ajudou bastante no lance, não é mesmo?


Macau 1×1 Camboja

Os cambojanos alcançaram feito inédito: pela primeira vez na história a equipe avança nas eliminatórias. Detalhe curioso é que Camboja joga o torneio desde 1998, mas só venceu uma vez antes do qualificatório para a Copa do Mundo 2018, na edição de 2014, quando fez 4 a 2 sobre Laos – perdeu a vaga ao levar de 6 a 2 do adversário.

A classificação para a segunda fase da competição interrompe a crise que acometeu há alguns anos o futebol do país, que ficou de fora das eliminatórias do Mundial 2006. Detalhe que em 2011 as duas seleções se enfrentaram em sistema de mata-mata, nas eliminatórias para a AFC Challenge Cup 2012, com vitória para cada lado e vaga dos cambojanos na prorrogação.

Poucos triunfos. Macau nunca passou de fase, mas já comemorou vitórias. Nas eliminatórias de 1986, a segunda do país, a ex-colônia portuguesa venceu Brunei duas vezes, além de um triufo contra o Nepal, no qualificatório de 1998.


Nepal 0×0 Índia

A tarefa dos nepaleses era realmente complicada. Enfrentar a melhor seleção da fase preliminar (o que não significa muita coisa) já era demais, e tudo ficou ainda mais difícil após a derrota de 2 a 0, na Índia. Nepal tentou, mas ficou longe de ameaçar a classificação dos indianos, que mantiveram o placar inalterado.

Pior ainda, os nepaleses foram a única seleção da fase preliminar das Eliminatórias Asiáticas para a Copa do Mundo 2018 a não marcar nenhum gol, aumentando jejum que perdura desde 28 de julho de 2011, quando o  país empatou com a Jordânia por 1 a 1, na segunda fase. Evidentemente, isso já aconteceu com Nepal em outras oportunidades: na primeira participação, em 1986, o país jogou quatro vezes, não marcou gols e levou 11 de Coreia do Sul e Malásia, mas fez um ponto.

No qualificatório de 1990, seis derrotas (Cingapura, Coreia do Sul e Malásia), nenhum gol e 28 sofridos. Em 2010, o Nepal levou de 4 a 0 de Omã nos dois jogos da primeira fase. A edição que os nepaleses mais fizeram gols foi em 2002, quando a equipe marcou 13 vezes, sendo dez contra Macau – sofreu 25 gols contra Iraque e Cazaquistão.




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