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Novo Cais Mauá prevê integração maior com Porto Alegre


Panorama da revitalização do Cais Mauá (créditos: Divulgação)
Pórtico de acesso dos novos armazéns (créditos: Divulgação)
Panorama noturno do Cais Mauá revitalizado (créditos: Divulgação)
Setor do Gasômetro (créditos: Divulgação)
Obras devem começar até maio de 2012, com conclusão em 48 meses

14/12/2011
Diego Salgado - São Paulo

Com quase um século de existência, o Cais Mauá, em Porto Alegre, será revitalizado até 2016. A obra, orçada em R$ 500 milhões e aguardada há pelo menos 30 anos, deve ser iniciada até junho de 2012. 

A ideia é incorporar a área da orla do Guaíba à capital gaúcha valorizando o patrimônio histórico existente no local. A conclusão deve ocorrer em 48 meses, com a primeira etapa entregue até a Copa do Mundo. 

O projeto de renovação do Cais Mauá é uma parceria entre espanhóis e brasileiros. O escritório b720 Fermín Vázquez Arquitectos é o responsável pelo projeto arquitetônico. Já o Jaime Lerner Arquitetos Associados esteve à frente do plano urbanístico.

Baseada na revitalização do porto de Barcelona, cujo projeto também é de Fermín Vázquez, o novo Cais Mauá irá criar um espaço urbano em continuidade com o centro de Porto Alegre. 

Formado por três cais –o Gasômetro (37 mil m²), Armazéns (86 mil m²) e Docas (64 mil m²)–, a obra prevê a construção de torres com salas comerciais, que estarão presentes da rodoviária até a Usina do Gasômetro. No total, a orla tem 3,5 quilômetros de extensão, com 187 mil metros quadrados de terreno e 203 mil metros quadrados de novas edificações.

De acordo com o arquiteto Paulo Kawahara, do escritório Jaime Lerner, o projeto seguiu diretrizes estabelecidas pelo edital, como o uso e ocupação do solo, mobilidade, patrimônio edificado e ambiental. 

"A apropriação dessas informações norteou o partido do projeto no que diz respeito, por exemplo, à relação com o Gasômetro e a praça Brigadeiro Sampaio. Procurou-se estabelecer conexões entre a praça da Revolução Farroupilha, o Mercado Municipal e o setor das Docas", disse.

Além deste caráter de valorização cultural e histórica, a restauração da orla do Guaíba também remete à revitalização do porto de Barcelona por conta do momento vivido pela cidade. Em 1992, o projeto catalão foi impulsionado pela preparação para os Jogos Olímpicos. Para Fermín Vazquez, a Copa também está ligada ao processo que ocorre em Porto Alegre. "É um grande incentivo para as transformações que mostram ao mundo uma qualidade urbana", afirmou.

Segundo o escritório espanhol, há algumas diferenças entre o caso gaúcho e catalão. Em Porto Alegre, a área da orla é mais longa e estreita. Além disso, existe um muro que separa o cais do tráfego de veículos, com o objetivo de proteger a cidade de alagamentos. O projeto prevê a manutenção da barreira. 

"O muro, de obstáculo, se converteu em elemento simbólico de integração. Ele será revestido por uma cortina de água, que a noite se converte em uma elegante luminária, reaproximando Porto Alegre do cenário natural do Guaíba", disse Paulo Kawahara.

Rio/Mar
Kawahara afirma que é preciso entender a concepção do local para que o projeto atenda às necessidades da cidade. Para o arquiteto, as áreas à beira-mar são objeto de um processo de valorização imobiliária. Na busca da melhor vista para o mar cria-se um paredão edificado. Esse processo isola o restante da cidade e pressiona áreas de preservação. Assim, o desafio é encontrar um "desenho democrático", com melhor inserção na paisagem.

Já os espaços das orlas dos rios são subvalorizados. Situam-se, como no caso do Guaíba, no fundo da cidade. "É preciso fazer com que as cidades se voltem para seus rios e os entendam como territórios valiosos que compõem o cenário urbano. Eles devem participar das questões das cidades", afirma Kawahara.

"Tivemos a vantagem de analisar a cidade com outro olhar. Vir de fora nos obrigou a fazer um estudo sério das condições da cidade e do contexto do projeto", disse Fermín Vazquez.

Para o arquiteto do escritório Jaime Lerner, a valorização das orlas ajuda a dar visibilidade aos investimentos em saneamento ambiental. “Eles têm impactos diretos na qualidade dos corpos hídricos, além de enriquecer o cenário urbano com elementos de elevado valor paisagístico”, disse.

Parceria Público-Privada
O responsável pela obra é o Consórcio Cais Mauá do Brasil, formado por uma empresa brasileira, o Grupo Bertin, e quatro empresas espanholas. O contrato, uma Parceria Público-Privada, tem validade de 25 anos, com possibilidade de renovação. 

Após a revitalização, o consórcio vai gerir o cais gaúcho e deve promover a Feira do Livro e a Bienal do Mercosul. Com a parceria, o governo gaúcho receberá R$ 2,5 milhões anuais do consórcio liderado pelo Grupo Bertin.

Fonte: Portal 2014

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A pressa pode ser amiga da perfeição


25/11/2011 

Artigo de Fermín Vázquez 
Diretor do b720 Fermín Vázquez Arquitetos

Desde criança, muito antes de imaginar que seguiria a profissão, tinha uma idéia mítica e heróica dos arquitetos brasileiros. Era a consequência inevitável da ressonância do projeto de Brasília em todo o mundo, especialmente na Espanha dos anos 60, onde a épica fundação de uma cidade criava grandes expectativas. 

Isso influenciou decididamente minha vocação e foi marcante entre os estudantes da Escola de Arquitetura de Madrid, que passavam todo dia em frente da elegantíssima e fascinante abstração da "Casa do Brasil", na Cidade Universitária, magnífico projeto de Alfonso d"Escragnolle Filho. É fácil imaginar, portanto, o quanto tem sido apaixonante trabalhar no Brasil nos últimos anos. 

A presente conjuntura brasileira contrasta com a estagnação da Europa em quase todos os aspectos do progresso e não só em atividade econômica. Contudo, esse Brasil em pleno avanço pode extrair muitas lições dos acertos e, acima de tudo, dos erros cometidos nos anos de crescimento econômico excepcional no Velho Continente e, em particular, na Espanha. 

Uma analogia importante refere-se à Copa do Mundo de 2014 e à Olimpíada de 2016: o aproveitamento de grandes eventos esportivos como oportunidade para empreender profundas transformações urbanas tem sido, junto com a utilização de grandes projetos arquitetônicos, catalisadores icônicos de desenvolvimento e posicionamento das cidades, o núcleo de muitas histórias de sucesso na Espanha desde os Jogos Olímpicos de 1992 e, especialmente, nos últimos anos da bolha imobiliária.  Leia Mais.

Fonte: Monitor Mercantil

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