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| Crédito: Gonza Rodriguez |
Colunista fala sobre a questão das estruturas temporárias que pode comprometer Porto Alegre para ser sede da Copa do Mundo
15/02/2014
Por Diogo Oliver
Se você pensou que o nó a ser desatado era a reforma do Beira-Rio, errou feio. Erramos todos, na verdade. Mas não se envergonhe por acreditar em ao menos um ano sem ver o Rio Grande do Sul pagando mico nacional no embalo daquela eterna desunião de seus líderes em torno de assuntos que deveriam ser de todos. Erga a cabeça. Depois daquela novela para Andrade Gutierrez e Inter assinarem contrato, o bom senso desaconselhava que, com estádio pronto, obras em andamento na cidade, turistas do mundo inteiro de malas prontas, hotéis preparados para receber seleções, ingressos vendidos, visitas de comissões técnicas realizadas, enfim, era impossível imaginar que houvesse risco de perdermos a Copa.
Pois é, mas a Copa em Porto Alegre subiu no telhado.
Há meses venho alertando para a questão das estruturas temporárias exigidas pela Fifa no Beira-Rio. São R$ 30 milhões para montar uma espécie de cidade operacional, responsável pelo gerenciamento e transmissão de cada jogo. É muito dinheiro para algo que será desmontado em um punhado de dias. Quanto a isso, concordamos todos. Mas quando o Brasil se ofereceu para sediar a Copa, sabia muito bem da necessidade de erguer as instalações. No caso aqui da Província de São Pedro, o Inter sabia. A prefeitura sabia. O Palácio Piratini sabia. O Laçador sabia.
Todos concordaram e, não faz muito, festejaram quando o sorteio dos grupos nos colocou na rota de holandeses, franceses, argentinos, australianos, coreanos, hondurenhos, argelinos. Cada item solicitado nas estruturas temporárias está descrito no contrato assinado entre Inter e Fifa, no qual o poder público aparece como colaborador. Como agora tiram o corpo fora, a começar pelo Inter, conforme surpreendeu ontem o presidente Giovanni Luigi? E os cartazes "A Copa é Nossa", espalhados pelo complexo Beira-Rio?
O prefeito José Fortunati, ao que tudo indica, aceita bancar parte da conta. O governo estadual, não. Desde as manifestações do ano passado, ser a favor da Copa não pega bem. É ano eleitoral, e as ações judiciais dos MPs estaduais mandando devolver o dinheiro investido nas estruturas da Copa das Confederações fornecem um argumento inatacável para sair de fininho.
O fato é: sem estruturas temporárias não sai jogo. Adeus, Messi, Cristiano Ronaldo, Ribery. Com um telefonema o secretário geral da Fifa, Jêróme Valcke, transfere tudo para Curitiba, Belo Horizonte ou São Paulo. São cidades que estão resolvendo seus imbróglios. Na Arena da Baixada, Atlético-PR, prefeitura e governo estadual repartirão a conta. No Itaquerão, prefeitura e Corinthians. Na capital mineira, poder público. É louvável que prefeitura e Palácio lutem para reduzir custos. É dinheiro nosso, do contribuinte, que está em jogo.
A Fifa exige a instalação de geradores a diesel durante 46 dias, mas apenas 15 separaram o primeiro jogo (França e Honduras, 15/6) do último no Beira-Rio (oitavas-de-final, 30/6). Desperdício, ainda mais com os apagões cada vez mais frequentes. Dá para cortar. Só aí a economia chegaria a R$ 2 milhões. O inaceitável é a eterna mania de deixar tudo para depois. Só agora caiu a ficha deste pequeno "detalhe" de milhões de reais? Não havia como todos se sentarem em torno de uma mesa e discutirem uma solução lá atrás, com tempo, quem sabe até desonerando os cofres públicos?
Perder a Copa na boca do túnel seria um prejuízo maior do que R$ 30 milhões. Valcke vem a Porto Alegre na segunda-feira. Em seguida será a vez da presidente Dilma Rousseff. A julgar pelo jogo de empurra, ela terá de esmurrar a mesa de novo. O primeiro soco foi para enquadrar a Andrade Gutierrez, que ensaiava pular da barca do Beira-Rio. O segundo será agora, para liberar o dinheiro das instalações provisórias. Não é a maneira mais republicana de se resolver um problema, mas o fato é que a Copa subiu no telhado.
Fonte: Zero Hora


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