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Paulão: "Vamos fazer com que o povo entenda que a Copa vale a pena"

Ídolo do voleibol, agora executivo do Mundial de 2014
Foto: Alexandre Arruda / Divulgação
29/09/2013

Campeão olímpico de vôlei em Barcelona, o ex-atleta projeta o trabalho à frente do escritório do COL em Porto Alegre

Rodrigo Müzell

Campeão olímpico em Barcelona-1992, Paulo André Jukoski da Silva é tão ligado ao esporte em que atuou por quase duas décadas que isso chegou a virar alcunha: Paulão do Vôlei. Agora, o diretor do Canoas Vôlei será a cara da Fifa no Estado para a Copa do Mundo de futebol.

Gerente do escritório do Comitê Organizador Local (COL) em Porto Alegre, Paulão estará à frente de cerca de 70 funcionários contratados pelo COL com recursos da Fifa. Uma equipe que vai coordenar todos os aspectos da Copa: fan fest, hospedagem e rotas das seleções, operação do estádio Beira-Rio e corpo de voluntários, por exemplo.

Para montar a equipe — Porto Alegre está entre as últimas cidades-sede a ter seu escritório —, Paulão passará parte da próxima semana em reuniões no Rio para ser treinado no "padrão Fifa" de trabalho.

Na sexta-feira, Paulão falou à coluna com exclusividade. Confira os principais trechos.

Zero Hora — Deu frio na barriga se tornar o responsável da Fifa pela organização da Copa no Rio Grande do Sul?
Paulão — Quando tu estás no meio da quadra, jogando em frente a 20 mil pessoas torcendo, dá mais frio na barriga. Eu fiquei foi eufórico e motivado: não há nada parecido com essa competição. O envolvimento, a repercussão, a paixão do povo. Estou muito feliz.

ZH — Qual a diferença das suas experiências de gestão no Ministério do Esporte e no Canoas Vôlei para este cargo? 
Paulão — Por mais que eu tenha contato com o Comitê Olímpico e participado de Olimpíadas, Copa do Mundo é uma coisa diferenciada. Me parece que Porto Alegre é uma das últimas capitais a montar a equipe de trabalho. Sei o que será feito, até por já ter passado por várias Olimpíadas, mas tenho de me ambientar com a linguagem e postura da Fifa, até para não fazer nada fora das regras. As reuniões na semana que vem no Rio de Janeiro vão deixar mais clara essa trajetória.

ZH — O que Porto Alegre terá de diferencial?
Paulão — O empenho das pessoas. A doação é própria do povo gaúcho. Se, por acaso, precisar fazer algo extra na hora da Copa, não vai faltar força pessoal. Nossa gente tem essa qualidade de se envolver e conseguir as coisas trabalhando em equipe. Esse será nosso ponto forte em Porto Alegre.

ZH — Não se percebe muita mobilização, espírito de Copa, em Porto Alegre. Você se preocupa em mudar isso?
Paulão — Depois de conhecer muitos países jogando voleibol percebi que o Brasil não tem cultura de eventos esportivos. Você vê o Japão com muita coisa já pronta para a Olimpíada de 2020, mas eles fazem isso há anos. Têm ginásios climatizados, com piso especial, isso e aquilo. Na região metropolitana, quantos ginásios temos climatizados para fazer competições internacionais? Nenhum. Não temos cultura de investir no esporte. E aí quando se faz modificações na chegada ao estádio para um evento como a Copa, acontece esse estranhamento, o questionamento, quanto está se gastando com o Mundial. Mas não é só com a Copa, é mobilidade que nunca foi feita e temos de agora correr atrás. Sempre qualquer evento vai ser criticado — seja Copa, vôlei, basquete, atletismo. Fui à final da Copa das Confederações, fiquei muito feliz de ver a maneira como se entra e sai do Maracanã. É isso que se quer para o esporte. Vamos tentar fazer com que isso motive mais o nosso povo, que ele entenda que vale a pena. Se não fosse a Copa, quando nossos governantes fariam esse investimento no esporte?

ZH — Onde será o escritório em Porto Alegre?
Paulão — Estamos conversando com governos do Estado e Prefeitura, além do Inter, sobre alguns lugares, e devemos ter uma decisão o mais rápido possível. Quem sabe, ainda nesta semana. Até porque temos a visita do (secretário-geral da Fifa) Jérôme Valcke no dia 7, e é importante termos o ponto de referência do comitê.

ZH — Você vai deixar o Canoas ou conciliar Copa e vôlei?
Paulão — Estou colocando minha vida em ordem, porque nas últimas semanas foi uma avalanche de informações. Eu continuo com assessoria para o Canoas, até porque é um projeto muito amplo. Foi um acordo que fiz com o Ricardo Trade (CEO do COL) que não deixaria de lado o vôlei. A paixão a gente não pode abandonar.

Fonte: Zero Hora

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