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Brasil dá aula na Espanha e fatura título

Neymar comemora seu gol contra a Espanha
Nelson Almeida/AFP
30/06/2013

Com dois gols de Fred e um de Neymar, seleção brasileira atropela a Fúria e conquista o tetracampeonato

Se o “tiki-taka” é uma invenção espanhola com inspiração brasileira, o estilo ganhou mais um capítulo em sua cartilha neste domingo, na final da Copa das Confederações, no Maracanã. E é justo que seja escrita por brasileiros. O toque de bola espanhol parou na blitz de camisas amarelas montada por Felipão, e o Brasil venceu por 3 a 0 – um dos maiores “chocolates” que o mais famoso estádio brasileiro já viu. E a Espanha - quem diria? - foi colocada na roda.

Fred marcou duas vezes e saiu de campo como um dos artilheiros, com 5 gols. Neymar, a estrela máxima, também deixou o seu, para marcar seu nome na história dos grandes craques do Maracanã. 

Este é o quarto título do Brasil na competição, em oito edições disputadas. Mas, mais do que o troféu, a conquista acaba cumprindo um papel que Felipão queria: mandar um recado ao mundo de que a Seleção está viva e forte para o ano que vem para erguer mais um troféu – mais importante – no mesmo Maracanã.

Neymar, que enfrentou sete futuros companheiros de Barcelona, deu provas de que é um deles, causando um estrago que a Espanha há muito não sofria: todos os três cartões (dois amarelos e um vermelho) recebidos pela Fúria foram causados pelo camisa 10. Numa espécie de rito de passagem, o jovem fez sua maior apresentação para o mundo desde a festa na chegada ao Campo Nou.

Dentre tantos números do jogo, os da posse de bola acaba como principal lição que a Espanha levará do Maracanã. Acostumada a ter cerca de 60% de média, a Fúria deixa o campo com "modestos" 52%.

Além do título, o “baile”, o “olé” da torcida e a lição no gramado, a Seleção acabou com uma invencibilidade de 29 jogos da Fúria em partidas oficiais. O time não perdia há três anos – a última derrota havia sido para a Suíça, na estreia da Copa do Mundo de 2010. Desde então foram 24 vitórias e 5 empates.

Nenhum deles contra o Brasil.

Gol relâmpago

Fred não esperou muito para fazer a catarse coletiva do hino nacional cantando em coro e abriu o placar logo a 1 minuto e 40 segundos, o atacante aproveitou uma confusão dentro da área e não perdoou a bobeada da zaga espanhola. Deitado, chutou para as redes e fez o Maracanã vibrar pela primeira vez com o Brasil na Copa das Confederações.

A Espanha tentou se recuperar do choque e sair pro jogo, mas o Brasil conseguia ser mais objetivo, principalmente do lado esquerdo, com Neymar. E por esse setor que a Seleção quase marcou o segundo aos sete: Fred tocou de letra para Oscar que, de frente para o gol, chutou para fora, raspando a trave.

Para atrapalhar o “tiki-taka” espanhol, Felipão montou uma blitz na frente com os atacantes,  Oscar e Paulinho na saída de bola da Fúria. A estratégia dava certo: numa bola roubada pelo meia do Chelsea, Paulinho, de fora da área, quase surpreende Casillas.

De longe, o goleiro espanhol viu um início de briga no meio de campo entre brasileiros e espanhóis, por causa de uma falta de Arbeloa em Neymar. Após empurrões muita discussão, sobrou um cartão amarelo para o espanhol. Era a rivalidade entre as seleções sendo construída a cada lance.

Aos 18 minutos, um momento raro no futebol: a Espanha, conhecida por prezar o domínio do jogo, tinha menos posse de bola que o Brasil – 56% a 44%.

E foram exatos 18 minutos o tempo que a Roja levou para incomodar o Brasil. Iniesta, sem marcação, acertou um chute de longe, com perigo, mas Júlio César mandou para escanteio.

Foi quando a Espanha conseguiu equilibrar a partida. Se não dava no “tiki-taka”, ia nos passes longos na tentativa de achar Fernando Torres, “escondido” e isolado na frente. 

E quando a bola não chegava, o contra-ataque era fulminante. Aos 28, Hulk disparou e rolou para Neymar, que foi derrubado na entrada da área por Sérgio Ramos, futuro rival de Liga espanhola. O atacante do Zenit bateu para fora, e Ramos levou amarelo. Neymar ia, aos poucos, pendurando a defesa da Fúria.

Aos 31, novo contra-ataque, e novo desespero na zaga espanhola. Neymar rolou para Fred, mas o atacante, sozinho, chutou em cima de Casillas. No escanteio, o camisa 9 subiu mais alto e cabeceou para fora.

Quando o ritmo do jogo começava a cair, a Espanha teve a sua melhor chance no primeiro tempo. E foi no estilo brasileiro: depois uma tabela mal feita pelos brasileiros, a Fúria chegou no contra-ataque até Júlio César. Pedro recebeu sozinho do lado direito e chutou no canto, com o goleiro já batido. Mas David Luiz tirou de carrinho em cima da linha. O lance foi comemorado como um gol na arquibancada. No campo, o zagueiro distribuiu broncas nos companheiros.

Com certeza, o pito não foi com Oscar. Mas o meia, como se tivesse sido acordado depois do lance de perigo espanhol, achou Neymar no lado esquerdo da área com um toque sutil. O camisa 11 fuzilou para marcar o segundo aos 44 minutos, sem chances para Casillas.

A partir daí, foram dois minutos de festa da torcida para os melhores 45 minutos do Brasil na Copa das Confederações – o pior da Espanha.

Neymar e Fred comemoram primeiro gol do Brasil, logo com 1 minuto e meio de jogo
Foto: Vanderlei Almeida/AFP
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Lateral Daniel Alves usa peruca black power na comemoração do título
Foto: Vanderlei Almeida/AFP
De novo Fred. De novo fulminante

Para o segundo tempo, Vicente del Bosque sacou Arbeloa e lançou Azpilicueta. Mas o lateral do Chelsea teve pouco tempo para colocar em prática as orientações do técnico. Foi justamente do lado dele que Fred, de novo, recebeu e chutou para fazer o terceiro do Brasil aos dois minutos.

Assim como no primeiro tempo, o Brasil começava fulminante no campo, e com festa na arquibancada.

Foi a senha para que a torcida soltar o grito de “O campeão voltou”, seguido de uns 15 segundos de “olé” com a troca de passes brasileira. Era o tiki-taka reencontrando seus inventores. “Quer jogar, quer jogar? O Brasil vai te ensinar!”, gritou a torcida.

A comemoração só parou aos anos nove minutos, quando Marcelo fez falta dentro da área em Jesus Navas – que entrou no lugar do pouco produtivo Mata. Mas foi por pouco tempo. Sergio Ramos chutou para fora e o Maracanã explodiu de alegria. Os gritos da torcida, então, evoluíram do otimismo para a certeza do título: “É campeão! É chocolate!”.

Aos 18 minutos, enquanto a torcida já se concentrava mais em executar a primeira grande “ola” do Maracanã, o Brasil trocava passes como se reinventasse o tiki-taka. E assim foi até a linha de fundo. A bola parou na rede pelo lado de fora, mas foi um dos mais belos momentos da noite.

Do outro lado, os espanhóis , já praticamente abandonando a intensa troca de passes, atacava com até oito jogadores. David Villa, que entrara no lugar de Torres, tentava aparecer mais com uma movimentação maior.

Atrás, porém, o time deixava espaços. E Piqué, cansado, teve um embate com Neymar mano a mano. Quando o brasileiro deixava o namorado de Shakira na saudade, o zagueiro parou a jogada com falta. O espanhol acabou expulso com o terceiro cartão recebido pela Fúria. Todos causados por Neymar.

Aos 32 minutos, tudo era festa. E se tudo era festa, bom que mais gente participasse. Felipão lançou Jadson e Jô nos lugares de Hulk e Fred, respectivamente.

Na arquibancada, o repertório da torcida parecia infinito. Do hino nacional até o samba do Salgueiro de 1993 (“Explode coração, na maior felicidade...”), tudo era cantado em coro pelas quase 70 mil pessoas no Maracanã. E assim foi até o apito final. O que acontecia no campo era mera formalidade a ser cumprida até o momento de levantar a taça. A quarta do Brasil no torneio. A nona em competições da Fifa. Tudo da maior seleção da história do futebol - segundo os próprios espanhóis.

FICHA TÉCNICA
BRASIL 3 X 0 ESPANHA

Local: Maracanã, Rio de Janeiro (RJ)
Data e hora: 30/6/2013, às 19h
Árbitro: Bjorn Kuipers (HOL) 
Assistentes: Sander Van Roekel (HOL) e Erwin Zeinstra (HOL)
Público: 73.531 presentes
Cartões amarelos: Arbeloa, Sergio Ramos (ESP)
Cartão vermelho: Piqué (ESP)
Gols: Fred, aos 2'/1ºT; Neymar, aos 44'/1ºT e Fred, aos 2'/2ºT

BRASIL: Julio Cesar; Daniel Alves, Thiago Silva, David Luiz e Marcelo; Luiz Gustavo, Paulinho (Hernanes - 42'/2ºT) e Oscar; Hulk (Jadson - 27'/2ºT), Neymar e Fred (Jô - 34'/2ºT). Técnico: Felipão.

ESPANHA: Casillas, Arbeloa (Azpilicueta - intervalo), Piqué, Sergio Ramos e Alba; Busquets, Xavi, Iniesta e Mata (Jesús Navas - 7'/2ºT); Pedro e Fernando Torres (David Villa - 13'/2ºT). Técnico: Vicente Del Bosque.

Fonte: Band


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