27/03/2012
Por Flávio Nascente dos Santos
Depois das indicativas precisas e justas da presidenta Dilma Rousseff, que cobrou a responsabilidade por parte da construtora Andrade Gutierrez, tudo indica que Porto Alegre será, efetivamente, uma das sedes para a Copa do Mundo de 2014. Com este megaevento ocorrendo em solo nacional, a máquina estatal deverá fazer seu trabalho, o empresariado negociará valores e propostas – como de praxe –, mas e o cidadão comum, o que deverá fazer? Tudo bem que a Copa será um evento extraordinário, que trará ganhos em infraestrutura, receita e visibilidade, e que, naturalmente, quem aqui estiver será um privilegiado. Mas não acredito que essa postura passiva e de espectador seja ideal para o povo gaúcho. As pessoas podem muito bem comparecer aos jogos, torcer, comemorar, vestir a camisa da seleção, ir para os bares com os amigos. Só que a pergunta fica: que ganho individual eu tenho com isso? Na prática, será a mesma situação que um Grenal, por exemplo, em que se vibra, se emociona, mas não se evolui.
O que o cidadão comum deve fazer com a confirmação da Copa em Porto Alegre é, antes de tudo, se inquietar. Depois começar a pensar como pode utilizar esta bênção futebolística para seu próprio ganho: alugar seu apartamento para estrangeiros, incrementar seu pequeno negócio para ganhar mais visibilidade, criar um serviço turístico personalizado para apresentar Porto Alegre e seus diferenciais, aprender um novo idioma, criar produtos personalizados para vender na porta dos estádios e tantas outras iniciativas. Se o brasileiro é um povo empreendedor por natureza, a Copa do Mundo deverá ter um duplo fim: ser apreciada e instrumentalizada.
Todas as cidades brasileiras estão pensando somente na movimentação econômica e em todas as obras e construções que ganharão com a Copa. E este é o momento de o povo gaúcho ser ainda mais inteligente e começar a colocar as ideias para fora para descobrir como cada pessoa pode ganhar individualmente. Quem já viveu alguns dias como turista em outro país vai entender que tipo de serviço pode oferecer a um estrangeiro; quem ainda não foi, pode começar a pesquisar. O momento é de ação.
Empresário
Fonte: Jornal do Comércio
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