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Copa de Porto Alegre sob nova ameaça


27/02/2012

Jornal do Comércio - Notícia da edição impressa

EDITORIAL 

Porto Alegre fora da Copa do Mundo é algo que seguramente não passa pela cabeça de ninguém. Mas, pensando bem, também acreditávamos que a Capital gaúcha não ficaria fora da Copa das Confederações, evento teste marcado para 2013, um ano antes do Mundial. Não há, portanto, até agora, nenhuma certeza de que veremos um desfilar de seleções pelos gramados do Beira-Rio em 2014.

Tudo que envolve a reforma do estádio é nebuloso desde o início. Quando a Federação Internacional de Futebol (Fifa) decidiu que o Beira-Rio seria o estádio para receber os jogos da Copa, em Porto Alegre, a direção do Sport Club Internacional imediatamente iniciou as obras para adequá-lo às suas exigências. Não bastou, a Fifa exigiu a associação do clube com uma empresa sólida que oferecesse garantias financeiramente para a realização e entrega das obras no prazo.

Contra a vontade de uma boa parcela de conselheiros que não aceitava a ideia de dividir o patrimônio do clube com terceiros, a direção saiu à cata de um sócio. Não demorou a encontrá-lo. Passados 250 dias da interrupção das reformas, no entanto, ainda estamos às voltas justamente com a questão que mais que preocupava a Fifa no início: as propaladas garantias financeiras.

Primeiro, Inter e Andrade Gutierrez não se entendiam. Foram inúmeros os encontros para modelar um contrato que atendesse ao interesse de ambos e, sobretudo, que tivesse chance de ser aceito pelo conselho deliberativo do clube. Superada esta etapa, parecia que em questão de dias os trabalhos seriam retomados. O presidente Giovanni Luigi chegou a marcar a data da assinatura do contrato: antes da estreia do Inter na pré-Libertadores. Ledo engano. Já estamos na fase de grupos da competição. E nada. O verão está acabando, terminou o Carnaval, as férias escolares já se encerraram. E nada. Ou seja, o tempo não dá não trégua, avança celeremente.

Agora, o que parecia ser um contencioso apenas entre Inter e Andrade Gutierrez, traz ao centro do debate uma terceira parte: o agente financeiro. A construtora cobra publicamente em nota divulgada nos jornais a aprovação das garantias oferecidas ao Banrisul, banco escolhido pela empresa como repassador dos recursos do Bndes, via ProCopa, para as obras. O governo reagiu, alegando que a operação, que envolve o conjunto de investidores agrupados na chamada Sociedade de Propósito Específico, criada para adequação do Beira-Rio, não está estruturada, ou seja, não estaria apta à aprovação.

Diante deste novo embaraço é preciso redobrar a vigilância ou perderemos a condição de sediar a Copa de 2014. Quando esteve em Porto Alegre, recentemente, o ministro do Esporte, Aldo Rebelo, disse com todas as letras que o Beira-Rio é o plano A e o plano B para o Mundial. Traduzindo: sem Beira-Rio não tem Copa no Estado.

A perda da Copa das Confederações já foi algo traumática. Os recursos que deixarão de entrar na rede hoteleira, na cadeia gastronômica e nos cofres dos governos estadual e municipal são irrecuperáveis. Vão irrigar as contas do Nordeste. É como uma safra perdida. Mesmo que a próxima seja muito boa, a que frustrou nunca mais será recuperada. Assim pode ser descrita a perda da Copa das Confederações. Os recursos represados em 2013, não poderão ser compensados em 2014.

Se é que teremos Copa em 2014.

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