![]() |
| O prefeito de Porto Alegre, José Fortunatio (à esquerda) recepiciona o prefeito de Barcelona, Xavier Trias, em visita ao Cais Mauá na capital gaúcha (Foto: Divulgação/IG) |
25/11/2011
Xavier Trias visitou capital gaúcha e conheceu projeto de
consórcio espanhol
Alexandre de Santi
Em Porto Alegre para o "10º Congresso Mundial da
Metropolis", associação que reúne mais de cem das grandes metrópoles do
mundo, o prefeito de Barcelona, Xavier Trias, visitou o cais da capital gaúcha
na manhã de sexta-feira e aprovou os planos de reforma do espaço.
Trias disse que o Cais Mauá, como é conhecida a faixa de
dois quilômetros que separa o rio Guaíba do centro histórico de Porto Alegre,
tem potencial de transformar a capital gaúcha da mesma forma que a reforma da
orla de Barcelona aproximou os catalães do Mar Mediterrâneo. “Acredito que
vocês têm aqui uma aposta incrível. Me lembra Barcelona, que vivia de costas
para o mar", disse. "Todas as áreas que davam no mar tinham se convertido
em zonas industriais, de equipamentos do porto e estavam como estas aqui. Era
uma muralha entre a cidade e o mar”, acrescentou.
Com investimento de R$ 350 milhões, que poderá chegar a R$
570 milhões, o projeto pretende transformar a ex-zona portuária em um complexo
de lazer, gastronomia, negócios e cultura por meio de uma concessão pública de
25 anos para o consórcio Porto Cais Mauá do Brasil. A decisão atende um antigo
desejo da população de porto alegre, que se via afastada da região.
O prefeito de Porto Alegre, José Fortunati, considerou
importante a confiança que o colega de Barcelona passou a respeito dos empreendedores.
“Ele confia muito na capacidade técnica do consórcio. Isso nos deixa muito
satisfeitos. Ele ficou muito surpreso com o tamanho do nosso cais, não
imaginava que tivesse uma amplitude tão grande", disse. "Quando a
gente busca as experiências internacionais, como Puerto Madero (em Buenos
Aires), Belém do Pará, e, principalmente, Barcelona, que é o mais parecido com
o de Porto Alegre pela localização e formato, ficamos mais confiantes que essa
revitalização seja transformadora da cidade”, afirmou Fortunati.
Como a capital deixou de ser um porto comercial importante
nas últimas décadas, o atracadouro já estava em processo de decadência nos anos
80, quando surgiram as primeiras propostas de revitalização. Os armazéns,
tombados pelo patrimônio histórico, estão totalmente desativados desde 2005,
mas vinham recebendo eventos culturais como a Bienal do Mercosul e a Feira do
Livro.
A visita do prefeito de Barcelona ocorre dois dias após a
última etapa para a concessão. Foi uma espécie de “entrega das chaves” para o
consórcio vencedor, liderado por investidores espanhóis. De acordo com o
presidente do conselho de administração do consórcio José Munné, a população e
turistas terão acesso ao novo Cais Mauá durante a Copa do Mundo.
“Para 2014, a urbanização que tornará a área acessível
estará terminada. Os armazéns comerciais, com lojas, gastronomia, estarão
prontos também ”, garante Munné, que foi presidente do porto de Barcelona
durante o período em que o cais da cidade foi revitalizado. “Temos um
compromisso com o governador de fazer o impossível para entregar toda a
urbanização e todos os armazéns comercializados até 2014”, reforça Javier Aran,
integrante do conselho de administração da Porto Cais Mauá.
Além dos restaurantes e lojas, o projeto prevê um shopping e
três prédios à beira do rio Guaíba que vão receber um hotel, centro de
convenções e escritórios. No total, serão 105 mil m² de área bruta locável
(ABL) e 140 mil m² de área construída e restaurada.
Mas as torres e o centro de compras não estarão prontos até
a Copa. As obras serão concluídas em até quatro anos, a partir do primeiro
semestre de 2012 - o consórcio ainda precisa de algumas licenças para iniciar a
reforma.
Embora o projeto preveja intervenções radicais na paisagem,
os espanhóis prometem atenuar o impacto visual das novas construções. O
shopping center e os estacionamentos, por exemplo, serão levemente elevados em
relação ao nível da rua e devem receber
uma cobertura verde. O muro que separa a avenida dos armazéns e que protege o
local de enchentes, e que inspira ódio em parte da população por ser o símbolo
da impossibilidade de acesso à vista do rio Guaíba, foi integrado à reforma.
Ao conhecer o projeto de Porto Alegre, Xavier Trias fez
vários paralelos com Barcelona. O prefeito catalão acredita que a reforma do
cais pode ajudar a recuperar o centro da cidade, hoje em processo de
revitalização, mas ainda aquém do charme do passado, e pode contribuir com o
bem-estar da população. “Acredito que foi um êxito total e absoluto a
transformação de Barcelona. Pudemos fazer uma aposta em uma coisa que acredito
ser muito importante: além de trabalhar, o povo tem de viver bem. É o que todos
nós queremos, que as pessoas vivam bem nas cidades”, disse Trias.
Fonte: Economia.ig.com.br

Nenhum comentário:
Postar um comentário