HAVELANGE QUERIA PLATINI COMO SEU SUCESSOR, REVELA BLATTER

Havelange (centro) queria Platini (dir.) como seu sucessor

18/04/2017

Platini rejeitou a proposta, alegando que, naquele momento, ele não tinha conhecimento suficiente sobre a Fifa para presidi-la

João Havelange não queria que seu reinado no comando da Fifa fosse sucedido por Joseph Blatter. O favorito do brasileiro para ocupar seu cargo era o francês Michel Platini. Quem conta essa nova versão dos acontecimentos nos bastidores da política do futebol é o próprio Blatter. Suas declarações fazem parte de documentos da Corte Arbitral do Esporte (CAS, na sigla em inglês) que, no ano passado, o julgou e o afastou do esporte.

Agora, com a íntegra da sentença publicada pela corte, os documentos revelam como a versão apresentada por Blatter se choca com relatos da aliança entre Havelange e o suíço, que por anos foi o secretário-geral do brasileiro. O cartola que faleceu no ano passado no Rio havia anunciado em 1996 que, sendo presidente desde 1974, ele deixaria o poder em eleições que seriam organizadas em 1998, em Paris durante a Copa do Mundo. O Mundial, naquele ano, tinha Platini como seu presidente do comitê organizador. 

"De acordo com Blatter em sua audiência (diante da corte), Havelange não queria que Blatter concorresse à presidência", apontou o documento da CAS. "A filosofia de Havelange era de que dirigentes que recebiam salários não deveriam servir em comitê", explicou. "Ele tinha dificuldade em entender, como um patriarca, que um de seus empregados poderia ser presidente", disse Blatter diante dos juízes.

"Blatter testemunhou em sua audiência que Havelange desejava que Platini o sucedera como presidente que Blatter continuasse como secretário-geral", indicam os documentos. Na audiência, o suíço ainda contou que foi alertado pelos europeus de que não teria o seu apoio e que a Uefa tentaria eleger o sueco Lennart Johansson.

Foi nesse contexto que, meses antes da votação de 1998, Blatter e Platini se reuniram para discutir as eleições. O encontro teria ocorrido no último andar do hotel Ritz Carlton, de Cingapura, em janeiro de 1998. "Blatter explicou a ideia de Havelange para Platini e, depois de uma discussão, propôs uma candidatura invertida, com Blatter como presidente e Platini como seu conselheiro especial", indicou a corte. Tal projeto foi concretizado com uma entrevista coletiva, em março de 1998.

Ao escutar o craque francês, a corte ouviu um testemunho parecido. "De acordo com Platini, Blatter explicou que Havelange tinha sugerido Platini como presidente e Blatter como secretário-geral e que isso teria uma certa elegância", afirma o documento da corte.

Platini rejeitou a proposta, alegando que, naquele momento, ele não tinha conhecimento suficiente sobre a Fifa para presidi-la.

Blatter acabou ganhando as eleições de 1998 e se manteve no poder até 2015, quando a Fifa foi abalada por um escândalo de corrupção. Platini, que esperava suceder o suíço, acabou suspenso do futebol depois que foi revelado como Blatter o pagou milhões de reais sem que houvesse um contrato e nove anos depois dos supostos trabalhos realizados pelo francês.

Havelange morreu em plenos Jogos Olímpicos do Rio. Mas seu funeral foi evitado pelo COI, que não organizou qualquer tipo de cerimônia ao ex-membro do movimento olímpico. Blatter, sem poder sair da Suíça sob o risco de ser preso, tampouco esteve no enterro.

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