A COPA DE 50 EM PORTO ALEGRE



29/10/2016

O Estádio dos Eucaliptos foi reformado para a Copa de 1950, com a derrubada do antigo pavilhão de madeira, na Rua Silveiro – da época da inauguração, em 1931 –, e a construção de uma arquibancada de concreto. O Internacional recebeu ajuda da Prefeitura de Porto Alegre, C$500 mil, e 5% sobre a renda bruta dos dois jogos. Os sócios do Inter, no entanto, tiveram que pagar ingresso.

Originalmente, Porto Alegre teria três jogos da Copa de 1950: Uruguai x França dia 25 de junho, França x Bolívia a 28 de junho, e Bolívia x Uruguai a 2 de julho. Mas a França não veio ao Mundial, a partida Bolívia x Uruguai foi disputada em Belo Horizonte – no Estádio 7 de Setembro, o Independência, do América –, e Porto Alegre ficou com dois jogos do México, contra Iugoslávia e Suíça.

Na partida do México contra os suíços, os dois times entraram em campo com camisetas vermelhas. O Inter não podia ajudar, porque as suas também eram da mesma cor, e os mexicanos acabaram jogando com as camisetas de listras verticais azuis e brancas do Cruzeiro de Porto Alegre. 

Na verdade, até mesmo quatro partidas em Porto Alegre chegaram a ser cogitadas. Dia 18 de janeiro de 1950, o prefeito Ildo Meneghetti recebeu o presidente da CBD, o gaúcho Rivadávia Corrêa Meyer, e o da FRGF, Aneron Corrêa de Oliveira, quando se falou de dois jogos nos Eucaliptos e outros dois no Estádio da Montanha. Os clubes ficaram sabendo que teriam que melhorar os seus gramados, construir túneis de acesso, e obrigar os donos de cadeiras cativas a pagarem ingressos. A prefeitura se dispôs a pagar cercas de arame para isolar o público, e a fornecer os operários e o material de construção para a ampliação das arquibancadas.

O jogo Iugoslávia 4x1 México foi disputado dia 28 de junho de 1950, uma quarta-feira, e Suíça 2x1 México a 2 de julho de 1950, domingo.

OS JOGOS

Iugoslávia 4x1 México
28.6.1950, Eucaliptos, Porto Alegre, 12.000 espectadores, C$320.410,00
Iugoslávia – Mrkusic, Horvat e Stankovic; Zeljko Cjaikovski, Jovanovic e Djaijic; Mihajlovic, Mitic, Tomasevic, Bobek e Zlatko Cjaikovski
Técnico – Milorad Arsenijevic
México – Carbajal, Gutierrez e Ruiz; Gomez, Ochoa e Ortiz; Flores, Naranjo, Casarin, Perez e Velasquez
Técnico – Octávio Vial
Gols – Bobek 19, Zlatko Cjaikovski 22, Zlatko Cjaikovski 62, Tomasevic 81, Velasquez 88
Árbitro – Reginald Leafe (Inglaterra)

Suíça 2x1 México
2.7.1950, Eucaliptos, Porto Alegre, 9.000 espectadores, C$94.700,00
Suíça – Hug, Neury e Bocquet; Lusenti, Eggimann e Quinche; Tamini, Antenen, Friedlander, Bader e Fatton
Técnico – Karl Rappan
México – Carbajal, Gutierrez e Roca; Gomez, Ochoa e Ortiz; Guevara, Flores, Casarin, Borbolla e Velasquez
Técnico – Octávio Vial
Gols – Bader 12, Tamini 45, Casarin 88
Árbitro – Ivan Eklind (Suécia)


Estádio dos Eucaliptos - 1950

O REPÓRTER JOSUÉ GUIMARÃES

Em 1950, a revista “O Cruzeiro” era em termos de informação para o Brasil o que hoje é a TV Globo. Na sua edição de 22 de julho de 1950, por exemplo, a sua tiragem foi de 285 mil exemplares, contando que o Brasil tinha um quarto da sua população de hoje. E o correspondente da revista em Porto Alegre, cobrindo os jogos Iugoslávia x México (28 de junho de 1950, uma quarta-feira) e México x Suíça (2 de julho de 1950, domingo), era um jovem repórter, Josué Guimarães, que não gostou do que viu:

- Os rapazes do México possuem apenas vontade de ganhar, não têm conjunto e perdem a calma a todo o momento: quando o adversário costura, como foi o caso da Iugoslávia, vemos em campo 11 bons moços desorientados, chutando para o lado que estiver na frente – escreveu o jornalista para “O Cruzeiro”.

Autor de livros como “Camilo Mortágua”, “A Ferro e Fogo”, “Tambores Silenciosos”, o escritor Josué Guimarães tratou também de acompanhar os bastidores da Copa de 1950 em Porto Alegre, como aconteceu na véspera do jogo Suíça x México:

- No City Hotel fomos encontrar os rapazes helvéticos grudados num pequeno rádio de mesa instalado no salão de leitura: ali dentro não tínhamos o cortante frio das ruas, o aquecimento central convidava para as poltronas macias onde êles se acomodavam interessados pelo resultado de Brasil x Iugoslávia, e torciam contra o Brasil – constatou Josué.

Ele detestou tudo no jogo Suíça 2x1 México, e não apenas o futebol dos dois times: “Um juiz bisonho e um público escasso”, informou no olho da matéria, com fotos de Ed Keffel, que mostrou uma faixa acima do público das gerais, “TORCIDA SUÍÇA”. A estrela de “O Cruzeiro” era o jornalista David Nasser, que por sua vez resumiu depois a vitória do Uruguai sobre o Brasil numa manchete tão curta quanto amarga: “Derrota da máscara”.

COMITÊ ORGANIZADOR DA COPA DE 1950 EM PORTO ALEGRE

Presidente: Aneron Corrêa de Oliveira, presidente da Federação Rio Grandense de Futebol, FRGF

Recepção e atendimento: Otávio Abreu da Silva Lima, Júlio Lopes dos Santos Sobrinho, Osmar J. Martins, Jorge Melo Guimarães, Abelard Jacques Noronha, Pedro Moreira, Diogo Antônio Pastor, Osvaldo Lia Pires, Augusto Perez, Nestor Pereira, Rafael Risco, Carlos de Lorenzi

Alojamento e transporte: Divo Nilson Sperb, capitão Mareu Ferreira, Oscar Sperb e jornalista José Domingos Varela

Propaganda: Luiz Palhares de Melo e Associação dos Cronistas Esportivos de  Porto Alegre, Acepa, hoje Aceg

Fonte: Secopa

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