Chama olímpica conhece forró e antecipa festejos de São João

Riachão do Jacuípe, na Bahia, se mobilizou para receber o tour da tocha. Foto: Francisco Medeiros/ME

26/05/2016

Riachão do Jacuípe, segunda cidade do revezamento desta quarta-feira (25.05), parou para receber o fogo simbólico, que terminou o dia em Senhor do Bonfim

O músico Del Feliz foi o primeiro condutor em 
Riachão do Jacuípe. Foto: Francisco Medeiros/ME
As festas juninas são marcadas por cores vivas, alegres, boa música e comida típica. Ainda em maio, Riachão do Jacuípe não mediu esforços para receber a chama olímpica com esses festejos. O revezamento da tocha desta quarta-feira (25.05), que começou em Feira de Santana, teve o primeiro encontro com o forró e antecipou o São João pelo interior da Bahia, especialmente em Senhor do Bonfim, cidade celebração.
Os jacupienses capricharam na organização e decoração da cidade. Mesmo de longe, já era possível ouvir a passagem de som na praça Landulfo Alves, com algumas barraquinhas que exibiam artesanato local e comidas da região. A sanfona era a protagonista. Ao seu redor, passos de forró e arrasta pé ditaram o tom. "Estamos vivendo a abertura oficial do São João", afirmou Del Feliz, que é músico e foi o primeiro a conduzir a chama olímpica na cidade.

Nascido em Barreiros, povoado vizinho à cidade, o compositor disse estar emocionado com a oportunidade. "Estou sempre lembrando das experiências que tive, todas me marcaram muito. Conduzir a tocha com minha gente é especial, não tenho palavras". Cordelista desde os 11 anos, Del Feliz trabalhou em diversas atividades, de faxineiro a ajudante de pedreiro, de padeiro a pintor, até chegar profissionalmente à música, que para ele se assemelha ao esporte como instrumento de superação.

"Não tem dificuldade, nem tristeza, nem nada que supere a força de vontade quando você vive com a música. Acho que o esporte traz um pouco disso: quando você está envolvido nesse espírito de união, dificilmente você se abate", ressalta. Del Feliz se orgulha de ter recebido a influência da mãe, lavadeira de roupa, que também era cantadeira de samba e de reizado.

De acordo com o músico, a festa de São João é uma das mais completas porque pessoas de oito a 80 anos vão para o forró. Prova disso é a aposentada Maria Neusa Bomfim, que esperava animada o revezamento da tocha passar. "Estamos na expectativa de receber essa chama tão brilhante. Eu não esperava que a tocha passasse aqui", disse. Ela faz parte do projeto Atletas do Social, que oferece atividades físicas, dança e esportes para cerca de 200 idosos da cidade.

Frutos da terra

Ao todo, foram 11 condutores e 2,4 quilômetros percorridos pelas principais ruas de Riachão do Jacuípe, começando na avenida Eliel Martins, passando pela Igreja Nossa Senhora da Conceição e finalizando na praça Landolfo Alves. Peculiaridade do percurso foi o fato de que todos os convidados para carregar a tocha são da região de Riachão.

A história de superação e a conexão de Elza com o esporte levaram a moradora de 
Riachão do Jacuípe a ser condutora. Foto: Francisco Medeiros/ME

Acostumado a percorrer longas distâncias desde pequeno, Fredison Costa ajudava a família a buscar água para o gado e ia correndo para escola. O menino cresceu e continuou correndo, mas agora como maratonista. Nesta quarta, foi um dos condutores na sua cidade natal. "Nunca imaginei que isso poderia acontecer. É importante para Riachão e todo o povo jacupiense". Segundo ele, a passagem do símbolo olímpico em Riachão deverá ser sempre lembrada na história. "Devemos levar isso para as escolas, para as crianças, para todos continuarem sonhando e utilizarem o esporte como ferramenta de trabalho, que transforma vidas".

Assim como Fredison, a comerciante Crispina Elza teve uma infância de trabalho na zona rural. Cuidou dos cinco irmãos menores e andava quilômetros a pé, até a casa do tio na cidade, para ver jogos de futebol. Apaixonada por esporte, ela sempre sonhou ver uma partida da Copa do Mundo. "Vi o jogo entre Brasil e México, em Fortaleza, e achei que tinha realizado meu sonho no esporte. Até que um dia meu amigo veio me dar parabéns. Fiquei sem entender porque não era meu aniversário e muito menos tinha ganhado na Mega Sena", sorriu. A jacupiense tinha sido selecionada para carregar a tocha olímpica em Riachão.

"Quase não acreditei. Pulei, gritei e liguei para a minha irmã que me inscreveu e contou minha história sem eu nem saber", conta Elza, que tem seu comércio conhecido na cidade justamente por ser fanática por esporte e seu alto astral. Na pizzaria tem bandeiras de times e a TV está sempre ligada em canais de esportivos.

Roteiro

Uma pontinha de Pernambuco já recebe a chama olímpica nesta quinta-feira (26.05). O dia começa em Jaguarari, segue para Juazeiro e na sequência vai para Sobradinho, onde faz a travessia para chegar em Petrolina, cidade celebração.

Fonte: Brasil 2016

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