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Copa 2014: Abrir Internet implica regras rígidas de segurança digital



15/05/2013

“Estamos muito atrasados em termos de segurança digital”, afirmou sem piedade a advogada Patricia Peck Pinheiro, sócia do escritório PPP Advogados, especialista em segurança digital e autora de diversas publicações sobre ambiente digital, durante a palestra “Gestão de Documentos e Segurança Digital”, no segundo dia da BITS 2013, que acontece em Porto Alegre. Muito categórica ao afirmar que o Brasil evolui em infraestrutura, mas ainda precisa caminhar muito em educação e mudança de cultura, Patricia conseguiu mostrar em pouco mais de uma hora como a plateia, formada basicamente por executivos e profissionais de TI, fabrica diariamente suas próprias fragilidades digitais ao insistir em hábitos adquiridos na era pré-digital.

Como consultora na área de segurança digital, Patricia Peck se impressiona ao constatar que executivos de grandes corporações ainda compartilham senhas ou simplesmente deixam de proteger dispositivos pessoais, como tablets ou smartphones,  e não usam software para apagar dados remotamente. “Além das questões de segurança básica, o ambiente corporativo no Brasil vive um momento híbrido, em que convivemos com documentos gerados no ambiente digital que são impressos e depois digitalizados.  Isto é uma esquizofrenia, porque na prática não se tem nenhum documento original”, adverte.  

Em termos de legislação na área digital, a advogada deixou a plateia impressionada ao mostrar que a Lei da Microfilmagem, Lei 5.433 de 8 de maio de 1968 , é mais inovadora do que a Lei da Digitalização, Lei 12.682 de 9 de julho de  2012. “Em 1968, conseguimos ter uma lei mais avançada em termos de inovação do que  Lei de Digitalização, que não autoriza o descarte do papel. Este descarte estava previsto em artigos que foram vetados pela Presidente Dilma Housseff, que alegou faltar uma padronização para os processos de digitalização”, completa.

Em tempos de preparativos para grandes eventos Internacionais como a Copa das Confederações, Copa do Mundo e Jogos Olímpicos, a advogada fez outro alerta. “As prefeituras em todo o país estão preocupadas com inclusão digital e fornecer acesso aberto à Internet, mas não se dão conta das implicações de segurança que estão por trás desse procedimento. Não basta fornecer a infraestrutura, é preciso treinar e modificar a cultura de uso dos recursos digitais”, advertiu. Patrícia Peck concedeu uma entrevista exclusiva à CDTV, do portal Convergência Digital. Assistam.

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