As aventuras da tocha olímpica no Brasil antes de chegar ao Estado

Foto: Marcos de Paula/Rio 2016 / Divulgação
01/07/2016 

Chama chegará ao Rio Grande do Sul neste domingo, via Erechim

A tocha olímpica foi acesa no Templo de Hera, na cidade grega de Olímpia, 71 dias atrás. Deixou a Europa e desembarcou em solo brasileiro em 3 de maio. E, desde então, passou a fazer parte de diversas comunidades, Brasil adentro. 

Populações que possivelmente jamais tivessem imaginando se tornarem olímpicas, ao menos por algumas horas. Até chegar ao Maracanã, em 5 de agosto, para a abertura oficial dos Jogos Olímpicos, a tocha terá percorrido um total de 20 mil quilômetros em solo nacional. Nunca tantas pessoas conduziram a tocha até a pira olímpica: cerca de 12 mil. 

Ceará
Um desses condutores, escolhido devido a seu projeto social no sertão do Ceará, foi Rafael Studart, que levou a tocha na cidade de Forquilha (CE). Em 2012, em Milhã, município distante mais de 300 quilômetros de Fortaleza, Studart criou o projeto Vida na Seca, liderando uma campanha para vender camisetas, cujo lucro foi revertido em 16 mil litros de água mais três toneladas de alimentos não perecíveis a 50 famílias que enfrentavam a pior seca das últimas décadas no sertão.

— Foi um momento fantástico, pois a tocha olímpica acabou ajudando na divulgação de nossa causa — contou Studart.

Amazonas
O caminho da tocha também teve alguns percalços. O mais rumoroso deles, ocorreu em Manaus, quando o Comando Militar da Amazônia não teve a mais luminosa das ideias e expôs uma onça encoleirada junto à tocha. Após a passagem da chama, a onça foi recolhida, mas, no momento da transição entre uma jaula e outra, a onça Juma ficou assustada, tentou atacar o veterinário do Exército e foi abatida - após receber uma série de tiros de tranquilizantes, que resultaram em efeito algum. A morte da onça, naturalmente, causou revolta planetária. Ainda no Amazonas, em Catalão, a tocha foi conduzida pelo rio, ao lado de um boto rosa - que também gerou alguma revolta nas redes sociais.

Pernambuco
Em Caruaru (PE), a Força Nacional de Segurança (aqueles soldados vestidos com roupas caqui e que correm em fileiras, ao lado da tocha) entoou Vida de Viajante, música de Luiz Gonzaga (cuja letra diz "minha vida é andar por este país, pra ver se um dia descanso feliz, guardando as recordações das terras onde passei, andando pelos sertões e dos amigos que lá deixei), à capela, quando a tocha foi conduzida pelo comandante da Força, Francisco Cantarelli. Em Recife, um susto. O técnico de natação João Reinaldo Costa Lima Neto, o Nikita, um senhor de 69 anos, caminhava com a tocha quando tropeçou em um buraco no asfalto e caiu. Apesar do tombo, jamais soltou a tocha - que seguiu acesa.

Rio Grande do Norte
A grande preocupação da Força Nacional de Segurança, que guarda a tocha olímpica, são as manifestações políticas e as possibilidades de atentados. Como qualquer incidente que envolva a tocha será um evento de repercussão mundial, há grande temor com relação a esses temas. Enquanto isso, a chama segue seu rumo, cruzando com muitos momentos de alegria das comunidades e, outros, absolutamente inusitados. Em Mossoró (RN), uma senhora tentou se aproximar da tocha com uma vassoura, a fim de acendê-la, querendo transformá-la em uma espécie de "tocha olímpica alternativa". Não conseguiu se aproximar da real tocha. Mas contou com o apoio de populares, que colocaram fogo na piaçava.

Mato Grosso do Sul
E há quem sonhe apagar a tocha - cuja chama é mantida por gás. Em Maracaju (MS), um homem atirou um água de um balde na direção da tocha, mas não teve sucesso no empreendimento. Foi detido e, antes de pagar uma multa de R$ 1 mil, contou aos policiais que havia apostado com amigos que tentaria apagar o símbolo olímpico. Já em Maringá (PR), uma professora que protestava contra o governo Temer tentou extinguir a chama com um cartaz. Já em Cascavel (PR), um homem acionou um extintor de incêndio contra a tocha. Nenhum dos dois teve sucesso. 

Rio Grande do Sul
A tocha olímpica chegará ao Rio Grande do Sul neste domingo, entrando por Erechim. Na quinta-feira, ela desfilará por Porto Alegre. Roger Machado, técnico do Grêmio, abrirá o trajeto, a partir do parque Moinhos de Vento. Tinga representará o Inter, conduzindo a tocha em frente ao Beira-Rio, enquanto que a ex-ginasta olímpica Daiane dos Santos encerrará a etapa porto-alegrense de tocha olímpica. O novo técnico da Seleção, Tite, conduzirá o símbolo olímpico em sua cidade natal, Caxias.


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