Artigo: A Alemanha nos deu o recado

Foto: Felipe Lima

11/04/2016

Continuamos cometendo os mesmos erros do passado, colocando pessoas despreparadas à frente da seleção brasileira

Zair Candido de Oliveira Netto

Semifinal da Copa do Mundo de 2014, Mineirão lotado, a um passo da final, com a mão na taça, sonho do hexa, hegemonia de títulos, final no Maracanã e muita expectativa do povo brasileiro. Porém, esquecemo-nos de uma Alemanha no caminho... 7 a 1: o maior vexame de todas as Copas do Mundo na história do futebol mundial.

A seleção brasileira pós-7 a 1 é outra para o mundo do futebol. Estes 7 a 1 foram a gota d’água para as decisões equivocadas da CBF. Como uma instituição com uma receita de meio bilhão de reais não organiza e profissionaliza o nosso futebol? Concluímos que administramos mal e não planejamos nada – muito por decisões equivocadas de pessoas não preparadas para a função, paradas no tempo, que não aceitam mudanças, que não delegam, que não planejam e que não conseguem analisar o ambiente externo, verificando as oportunidades e as ameaças do mercado do futebol. A seleção da Alemanha deu o recado para o Brasil e parece que não aprendemos a lição.

"O que falta na CBF é mudança, é aceitar que necessitamos de pessoas capacitadas em todos os setores"

A poucos meses do aniversário de dois anos do 7 a 1, estamos em sexto lugar nas Eliminatórias para a Copa de 2018. Será que a CBF vai presentear o povo brasileiro com a desclassificação do Brasil? Outro vexame mundial e mais uma histórica marca negativa para o futebol brasileiro. Continuamos cometendo os mesmos erros do passado, colocando pessoas despreparadas à frente da seleção brasileira. Estamos sem comando, sem alguém que possa realmente fazer a diferença. Porém, como a CBF está um caos administrativo e judicial, me parece que preferem morrer a se entregar – e aí todo o povo apaixonado pelo futebol brasileiro morre junto...

Em setembro, vamos a mais uma rodada das Eliminatórias – jogamos com o líder Equador, fora de casa; e, depois, com a Colômbia, que hoje está em quinto lugar, mas pode enfrentar o Brasil posicionada na segunda colocação, pois joga uma rodada antes em casa contra a última colocada, a Venezuela. O cenário não é bom para o que temos apresentado.

Escutamos de tudo: que os jogadores não têm comprometimento, que falta treinamento, que há problemas psicológicos, pois a equipe sente a pressão dos adversários e não consegue jogar... ora, os jogadores da nossa seleção estão acostumados a grandes pressões e sabem muito bem o funcionamento de sistemas táticos, pois jogam no futebol mais competitivo do mundo. O que falta mesmo na CBF é mudança, é aceitar que necessitamos de pessoas capacitadas em todos os setores, sem ficar com melindres e picuinhas contra Fulano ou Sicrano.

O Brasil tem pessoas competentes para comandar o futebol brasileiro. Infelizmente, acredito que a máquina administrativa só saia do poder com uma desclassificação para o próximo mundial. Não há como obter sucesso com um modelo de gestão ultrapassado – a Alemanha nos deu o recado. Será que em setembro teremos novidades? Talvez seja tarde para uma recuperação. Estaremos com 44% da competição realizada. Isso dá uma boa amostra do resultado final. Clamo à CBF para não nos dar um vexame maior que o 7 a 1: a desclassificação para a Copa do Mundo de 2018. O povo brasileiro não merece isso.

Zair Candido de Oliveira Netto é coordenador de Educação Física da Universidade Positivo.

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