Redes sociais alavancam os grupos de trocas de figurinhas da Copa

App da Panini, novidade do álbum de 2014, ajuda a controlar o fluxo de figurinhas
Foto: Rafael Arbex/Estadão

04/05/2014

Antes era o Orkut; agora, é o Facebook que ajuda a promover encontros entre os colecionadores

A troca de figurinhas dos álbuns da Copa, antes restrita às escolas (para crianças) ou ao ambiente de trabalho (entre os adultos), ganhou outros espaços com o auxílio – e a evolução – das redes sociais. Em 2006, o ponto de encontro do Shopping Eldorado chegou aos ouvidos do professor Fabianno Xavier, de 31 anos, por meio de amigos. "Foi no boca a boca, mesmo", lembra.

Quatro anos depois, no Mundial de 2010, o Orkut foi o aliado. "Criamos uma comunidade, e lá o pessoal marcava encontros", diz Gustavo Passi, de 26 anos, consultor de marketing. Agora, a interação no Facebook é frenética. O grupo do álbum da Copa, criado por Gustavo em dezembro, tinha 1.500 participantes às vésperas do início das vendas. Hoje, são mais de 14 mil.

A Panini aproveitou a popularização dos smartphones e da internet móvel para criar um aplicativo. Nele, é possível controlar o fluxo das figurinhas – quantas já estão no álbum, quantas faltam, quais são as repetidas... Gustavo diz que ainda usa papel e caneta para controlar sua coleção. "Na fervura da troca é mais fácil, mas vejo a molecadinha usando muito o app."

Um mundo bem diferente do que Genival de Pontes, o "seo" Dida, presenciou na infância – época em que figurinhas eram ganhas na brincadeira de rua. "A gente não tinha tanto dinheiro, mas os álbuns não eram tão grandes. A gente ganhava figurinha no bafo." Hoje, aos 70 anos, o aposentado diz que não perdeu o espírito de criança. Dono de uma grande coleção de álbuns, em 2010 começou a participar de encontros. Ia em um posto de gasolina na Avenida Professor Vicente Rao, mas também ao Eldorado e ao Masp.

Álbum de figurinhas é uma especialidade de família. Do pai, herdou um álbum da década de 1930. Dos irmãos mais velhos, um de 1958 – relíquia por si só, mas que tem ainda mais valor por causa do autógrafo de vários astros, como Pelé, Garrincha e Nilton Santos. A coleção de "seo" Dida ficou famosa e lhe garantiu um presente: a Panini lhe enviou um álbum de capa dura. "Mas pedi as figurinhas separadas. A graça é colar."

ÁLBUNS PASSADOS

Engana-se quem pensa que a troca de figurinhas fica restrita ao álbum de 2014. O grupo de discussão no Facebook também tem ajudado muita gente a completar livros de edições passadas. A negociação de cromos dos álbuns de 2010 e 2006 são mais frequentes, mas há quem tenha guardadas coleções de 1994 e até 1990. "Eu recebo muitas mensagens de pessoas agradecendo ao grupo, porque conseguiram completar os álbuns das duas últimas Copas", conta Gustavo Passi. "E eu já vi gente fechando álbum de 1998, e até de 1994".

No grupo, é possível ver fãs oferecendo figurinhas da Copa de 1994, disputada há 20 anos nos EUA, por R$ 50 a unidade. Passi escreve, na internet, que é possível achar nos encontros ofertas mais em conta. Mas são os cromos e álbuns do Mundial de 2002, em que o Brasil conquistou seu último título, que valem ouro. "Esses são bem raros", diz Gustavo.

Fonte: Estadão



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