ELIMINATÓRIAS: UNINDO EFICIÊNCIA E JUVENTUDE, IRÃ SE GARANTE NA COPA DE 2018, A QUINTA DE SUA HISTÓRIA



13/06/2017

Por: Leandro Stein

Desde a histórica classificação à Copa do Mundo de 1998, retornando ao torneio após 20 anos de ausência, o Irã se colocou como uma potência continental. Pode não ter conquistado a vaga no Mundial em todas as edições desde então, mas é um dos adversários mais temíveis nas Eliminatórias asiáticas. Geralmente possui times organizados, com bons valores individuais e uma multidão difícil de se encarar no Estádio Azadi. Esteios que se fortaleceram ainda mais desde a chegada de Carlos Queiroz ao comando da equipe, em 2011. E, pela primeira vez, os persas se classificam de maneira consecutiva à Copa. Vão à competição pela quinta oportunidade em sua história, depois de 1978, 1998, 2006 e 2014. É a terceira seleção a se garantir na Rússia, depois dos anfitriões e do Brasil. Feito comemorado nesta segunda, com a vitória por 2 a 0 sobre o Uzbequistão.

Mesmo sem chegar a uma final da Copa da Ásia desde os anos 1970, o Irã se acostumou a brigar pelo topo da tabela nas Eliminatórias. O aumento no número de participantes em 1998 não apenas abriu o caminho aos persas, como também coincidiu com um momento de afirmação de sua seleção. A geração de Ali Daei foi a primeira a aproveitar a brecha, embora os iranianos sempre tenham se mantido no páreo, até quando não se classificaram. Em 2002, caíram apenas na repescagem, diante da Irlanda. Já em 2010, faltou um ponto para que o país chegasse à zona de classificação. Lamento que esteve longe de se repetir desta vez.

Desde as fases iniciais das Eliminatórias para a Copa de 2018, o Irã escancarou a sua força. Primeiro, passou o carro em uma chave que também contava com Omã, Turcomenistão, Guam e Índia. Anotou 26 gols e sofreu apenas três em oito rodadas, com seis vitórias e um empate. Apenas um aquecimento para a etapa realmente decisiva, a terceira fase, oferecendo duas vagas diretas na Copa a cada grupo com seis países. Os iranianos enfrentaram Coreia do Sul, Uzbequistão, Síria, China e Catar. Não deixaram pedra sobre pedra, mantendo a invencibilidade e se garantindo com duas rodadas de antecedência, com seis vitórias e dois empates.

O ataque iraniano pode não ter rendido tanto neste momento, com oito gols em oito partidas. A defesa de Carlos Queiroz, contudo, manteve-se intransponível. Não sofreu um gol sequer. Além disso, a imponência dos persas em seus domínios salta aos olhos. Conquistaram quatro vitórias nos quatro jogos que fizeram em casa. No compromisso mais difícil, diante de uma rivalidade crescente com os sul-coreanos por incidentes recentes entre as duas seleções, o Irã venceu em Teerã por 1 a 0. Vai a Seul na próxima rodada apenas para manter o seu orgulho e, quem sabe, dificultar a vida dos Guerreiros de Taegeuk, sete pontos atrás na tabela.



A vitória sobre o Uzbequistão nesta segunda, aliás, serviu para deixar em evidência dois jovens que tendem a ser protagonistas do Irã na Rússia. Quem abriu o placar no Estádio Azadi, aos 23 minutos do primeiro tempo, foi Sardar Azmoun. O habilidoso atacante de 22 anos foi um dos destaques do Rostov em seus últimos sucessos, arrebentando com Ajax e Bayern de Munique na última temporada. Por seu talento, deve pintar em um centro maior do futebol europeu em breve. Já aos 43 do segundo tempo, Azmoun deu uma bela enfiada de bola para Mehdi Taremi ratificar a classificação. O ponta de 24 anos ofereceu uma bela mostra de sua qualidade ao fintar o marcador, antes de tirar do alcance do goleiro. Combinando bom porte físico e qualidade técnica, o camisa 17 foi artilheiro das duas últimas edições do Campeonato Iraniano, pelo tradicional Persepolis. Estreou no clube em 2014, pelas mãos do agora treinador Ali Daei.

Ao longo do atual ciclo rumo à Copa do Mundo, Azmoun e Taremi desequilibraram, somando 29 gols pela seleção desde o segundo semestre de 2014. Nas Eliminatórias, a dupla se combinou para 17 dos 34 tentos, cinco deles na fase decisiva. Nenhum outro jogador do elenco de Carlos Queiroz balançou as redes mais do que duas vezes na competição. Azmoun brilhou principalmente por decidir o embate contra a Coreia do Sul – em partida emblemática também por acontecer no dia de um importante feriado religioso aos xiitas, com mobilização especial nas arquibancadas. Taremi, por sua vez, garantiu os triunfos contra Catar e China. Nada mais significativo, então, que ambos anotassem os gols que valeram a classificação.



Entre os demais destaques, vale mencionar também o goleiro Alireza Beiranvand, que ganhou a posição na fase decisiva das Eliminatórias e não sofreu um gol sequer em 10 partidas pelo torneio; o zagueiro Jalal Hosseini, nome mais experiente do grupo atual, com mais de 100 jogos pela seleção; e o meio-campista Masoud Shojaei, atual dono da braçadeira de capitão, com ampla rodagem no futebol europeu – apesar do pênalti desperdiçado nesta segunda. No banco de reservas, há o meia Ashkan Dejagah e o atacante Reza Ghoochannejhad, destaques do time na Copa de 2014. E merecem atenção também o volante Saeid Ezatolahi, de 20 anos, e o ponta Alireza Jahanbakhsh, de 23, dois jovens que se firmam no futebol europeu, por Anzhi e AZ. Jahanbakhsh, inclusive, fez uma temporada bastante consistente no Campeonato Holandês, além de ter dado a assistência para o primeiro tento contra os uzbeques. Na escalação titular do jogo decisivo, apenas três jogadores tinham mais de 25 anos, indicando que o bom momento dos persas pode perdurar.

À frente de tantas apostas e acertos, Carlos Queiroz faz o trabalho mais duradouro de sua condecorada carreira. A reputação do português em Teerã é enorme, pela regularidade dos resultados à frente dos persas. Pode não ser o treinador mais inventivo ou arrojado, mas soube criar um time bastante sólido e competitivo. Além disso, até por seu histórico vitorioso na base, sabe muito bem aproveitar o potencial de promessas, sem temer a utilização de jovens em jogos importantes. Algo que se viu constantemente nestas Eliminatórias.

Agora, o momento é de aproveitar a conquista. A apaixonada torcida iraniana lotou o Estádio Azadi nesta segunda, criando uma atmosfera arrepiante. Sempre é pertinente lembrar a importância que a Copa do Mundo possui ao povo local, auxiliando até mesmo em uma conquista (infelizmente, momentânea) pela liberdade das mulheres. O cenário geral no país e no Oriente Médio pode não ser tão favorável, em meio a diversas tensões. De qualquer maneira, a classificação ao Mundial serve de pretexto para extravasar o cotidiano. Justamente o que se vê pelas ruas de Teerã.

Fonte: Trivela

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