CORRUPÇÃO FAZ FIFA SER REJEITADA POR PATROCINADORES

A Fifa teve um prejuízo de US$369 milhões em 2016, o triplo do valor 
das perdas do ano anterior (Foto: Wikimedia)

27/06/2017

Prisão de dirigentes da Fifa acusados de corrupção ainda repercute na obtenção de patrocínio para a Copa do Mundo de 2018, na Rússia

No Museu do Futebol Mundial da Federação Internacional de Futebol (Fifa) em Zurique, os visitantes tiram fotos com a taça da Copa do Mundo, arriscam um palpite em um comentário de um jogo e olham as peças exibidas, como o documento original manuscrito das regras do jogo e o famoso cartão amarelo dado ao jogador de futebol inglês, Paul Gascoigne, em 1990. Mas os visitantes que querem ver os lençóis que cobriram os dirigentes da Fifa, ao saírem de um hotel suíço de luxo em 2015, após serem presos por acusação de corrupção, decepcionam-se, porque não estão em exibição.

Se o museu ignora esse triste episódio na história da Federação, seu balanço patrimonial é um reflexo do impacto da prisão de seus dirigentes na reputação da entidade. A Fifa teve um prejuízo de US$369 milhões em 2016, o triplo do valor das perdas do ano anterior e a previsão é de uma perda de US$489 milhões em 2017. As reservas financeiras, que ultrapassaram US$1 bilhão desde 2008, deverão diminuir para US$605 milhões no próximo ano.

Os prejuízos são resultado, em parte, do aumento do financiamento das associações de futebol e das mudanças contábeis no registro dos custos e da receita. Porém, os gastos da Fifa com advogados e processos judiciais nos EUA e na Suíça devido à acusação de corrupção aumentaram de US$20 milhões em 2015 para US$50 milhões em 2016. As demonstrações financeiras também indicaram uma série de investimentos com pouco retorno, incluindo o museu, que custou US$190 milhões e não tem atraído muitos visitantes.

A Fifa acredita que irá atingir seu objetivo de obter uma receita de US$5,6 bilhões no período de 2015-18, graças ao patrocínio da Copa do Mundo de 2018 na Rússia. Mas vários patrocinadores, como Sony, Emirates e Castrol, não renovaram seus contratos. Com menos de um ano antes do campeonato, a Fifa conseguiu apenas 12 patrocinadores para as 34 propostas de parceria oferecidas. Os organizadores do evento conseguiram o apoio do banco russo Alfa-Bank, com sede em Moscou, porém ainda não têm uma emissora para transmitir os jogos no país anfitrião. Na mesma etapa da Copa do Mundo de 2014 no Brasil, a maioria dos projetos de parceria já tinha patrocinadores, com diversos acordos assinados com anos de antecedência.

A Fifa assinou com a Vivo, uma fabricante de smartphones, seu terceiro contrato de patrocínio com uma empresa chinesa. O interesse das empresas chinesas em apoiar a Federação talvez seja um sinal de recuperação de sua imagem após o escândalo de corrupção. Mas em maio, a Fifa substituiu um juiz e um promotor, que integravam seu comitê de ética por novos membros. Os dois foram responsáveis ​​pelas investigações que causaram a suspensão de Sepp Blatter, ex-presidente da Fifa e de outros dirigentes. Ambos alegaram que a demissão deles significava o “final do processo de reforma da entidade”. Portanto, ainda restam muitas perguntas sem respostas a respeito da transparência da administração da Federação Internacional de Futebol.

Fonte: Opinião & Notícia

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