SEGUIR A SELEÇÃO NA COPA DE 2018 PODE CUSTAR ATÉ R$ 27 MIL

Neymar após o gol para o Paraguai: ao menos um passaporte com carimbo
AFP / Miguel SCHINCARIOL

04/04/2017

Passagem aérea a R$ 3 mil, acredite, não será o maior problema

Especialistas avisam: apesar da desvalorização do rublo frente ao dólar, seguir a Seleção na Copa do Mundo da Rússia em 2018 pode custar até R$ 27 mil. Depois de golear o Paraguai por 3 x 0 na terça-feira, na Arena Corinthians, o Brasil teve de esperar a vitória do Peru sobre o Uruguai para garantir matematicamente a vaga para a 21ª edição do torneio. As primeiras horas após a confirmação da presença dos pentacampeões no evento foi marcada pelas pesquisas para acompanhar a competição in loco.

Passagens, hotel, gastos diários, ingressos… Todos esses valores foram objetos de estudo do universitário Gabriel Pagotti. O acadêmico pretende economizar no que for possível. “Eu não preciso de luxo, vou ficar onde for mais barato e tentar as passagens mais baratas”, argumenta o estudante. Ele pretende comprar bilhetes aéreos para Madri, e da capital espanhola seguir para o país do Mundial.

O paranaense vive em Brasília há seis anos e tem experiência na Europa. Na sede da próxima Copa, foi a Moscou e São Petersburgo, duas das 11 cidades que receberão partidas da competição. As outras são Kaliningrado, Rostov, Sochi, Nizhny Novgorod, Samara, Saransk, Kazan, Volvogrado e Ekaterimburgo. “Eu achei as coisas baratas por lá. O país é bem organizado, só a língua que é difícil. O pessoal não domina o inglês e as placas são todas em cirílico. Tive que fazer mímica para me virar”, conta Gabriel.

A impressão que o torcedor brasileiro teve na Rússia é verdadeira em relação aos gastos de uma viagem para a Rússia. A explicação fica por conta da baixa cotação do rublo, moeda local. Na cotação de hoje, com R$ 1 é possível comprar 18,19 rublos. Com US$ 1, o interessado garante 56,7 rublos. Um euro vale 60,9 rublos. Para se ter uma ideia de preço em Moscou, uma garrafa de cerveja de 500 ml custa R$ 3,80.

A inflação da Copa

Catedral de São Basílio é um dos pontos turísticos 
de Moscou - REUTERS/Sergei Karpukhin
Mas, em época de Copa do Mundo, a inflação deve tomar conta dos preços russos. Assim como aconteceu no Brasil, a expectativa é de que os produtos fiquem mais caros na sede do Mundial em 2018. Segundo Sérgio Delduque, funcionário da Tchayka, empresa especializada em pacotes de viagens para a Rússia, a expectativa é de que acompanhar a competição do ano que vem será mais caro em relação ao último torneio. “O turista que for para lá vai gastar 30% a mais comparando com a Copa do Mundo no Brasil”, estima.

Porém, Sérgio ainda não consegue projetar o valor exato de quanto será gasto em um pacote para acompanhar a Seleção Brasileira, caso o time verde-amarelo chegue à decisão do campeonato. “Ainda é muito cedo, até o fim da semana, acredito que teremos valores mais concretos e detalhados”, disse em entrevista ao Correio, logo depois de participar de uma reunião com a empresa responsável pelos ingressos do Mundial.

Não precisa de visto

Pela legislação russa, brasileiros não precisam de visto de turista se forem ficar no máximo 90 dias. O governo local liberará pessoas de qualquer nacionalidade da necessidade de autorização, desde que elas tenham ingressos para os jogos e passaporte válido.

Devido a distância entre Brasil e Rússia, não existem passagens diretas para o país europeu. O brasileiro faz o trajeto com companhias europeias, asiáticas, americanas ou africanas. Segundo Denis Carvalho, editor chefe do Melhores Destinos, site especializado em passagens aéreas, um bilhete para Moscou custa em média R$ 3 mil ida e volta. Porém, a demanda por conta da Copa deve elevar as tarifas. “Por conta da alta procura, é bem previsível que haja poucas promoções para junho do ano que vem”, alerta o executivo. Comprar com antecedência e tentar viajar em datas alternativas são duas dicas de Denis Carvalho. Outro conselho é calcular 80 euros por dia com gastos como alimentação, transporte e lembrancinhas.

Caso o Brasil chegue à decisão da Copa, o torcedor terá de desembolsar, no mínimo, R$ 4.206. O valor é referente aos tíquetes mais baratos que um estrangeiro poderá pagar na Rússia.

Fora de época, a hospedagem na Rússia não é das mais caras. Nos aplicativos especializados em reservas de hotéis, é possível encontrar um quarto compartilhado em Moscou por pouco mais de R$ 30 a diária. Se a busca é por conforto, existem acomodações que chegam a cobrar R$ 400 por dia. Mas vale lembrar aos viajantes o que aconteceu aqui no Brasil há três anos, durante a Copa do Mundo de 2014: os hotéis inflacionaram os preços em 25%.

Transporte de graça

Um alento para quem pretende investir em uma viagem para a Copa de 2018: o transporte entre as cidades sede do torneio será gratuito. Para conseguir o benefício, o interessado deve se cadastrar antes no site tickets.transport2018.com. O serviço está funcionando para quem vai assistir às partidas da Copa das Confederações, em junho. Para o Mundial, a data de início do cadastramento ainda não está disponível.

Para a planejadora financeira da Fundação Getúlio Vargas, Myrian Lund, quem ainda não começou a se planejar está atrasado. “Era para ter começado a juntar dinheiro, tem que economizar em tudo: passagem, hotel, absolutamente tudo”, alerta a especialista.

Ela também disse que, pela relativa proximidade do evento, guardar dinheiro na poupança não é o mais adequado. “Até a Copa do Mundo, esse dinheiro vai render muito pouco. Nesse tempo não há muito o que fazer. A melhor opção é aplicar tudo em um fundo de renda fixa, para poder sacar sempre que precisar”, aconselha.

A Copa do Mundo está marcada para o verão russo, entre junho e julho. Devido a extensão territorial do país, as temperaturas variam bastante. Em São Petersburgo, a média na época é de 20ºC. Em Moscou, 25ºC.

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