PUTIN ENDURECE CONTRA HOOLIGANS E VIOLÊNCIA NA COPA 2018

Vladimir Putin promete mão forte contra hooligans e terrorismo na Copa 2018

17/04/2017

Vladimir Putin, entre uma reunião e outra para discutir o conflito na Síria, em apoio ao seu aliado Bashar al-Assad, baixou nesta segunda-feira um decreto com penalidades aos hooligans russos e estrangeiros para vigorar na Copa das Confederações, em junho agora, e na Copa do Mundo de 2018. Putin teme que a violência dos “torcedores” possa prejudicar os dois eventos. O presidente sabe que não vai ser uma tarefa fácil. Hooligans do seu país estão entre os mais violentos da Europa e já deram uma pequena mostra do que são capazes na Eurocopa de 2016, na França, quando quebraram bares e praças, arrancaram sangue de outros vândalos e também se machucaram com certa gravidade em confrontos nas cidades francesas.

A nova lei de Putin prevê que “torcedores que violarem flagrantemente as regras durante competições desportivas serão multados em até 20 mil rublos (pouco mais de 300 euros) e será preso por 15 dias ou ainda será privado de acesso a um estádio por um período de um a sete anos”.

Hooligans estrangeiros também vão entrar na dança. Decreto diz que se o “infrator for um seguidor (torcedor) estrangeiro, ele vai receber uma multa similar” e “também serão deportados os que se envolverem em confrontos”. É o mesmo código adotado na França na Eurocopa do ano passado quando ultras russos foram despachados de volta ao seu país depois de se envolverem em confrontos sangrentos com torcedores de outros países. Estrangeiros podem ainda ficar detidos por 15 dias em cárceres da Rússia.

De acordo com a lei antiviolência decretada por Putin, se o tribunal considerar que a “deportação é excessiva, a multa pode ser aumentada para 50 mil rublos (mais de 800 euros) e o infrator em questão não poderá entrar em um estádio por um período de até sete anos”. Torcedores com ficha corrida em atos de violência em outros países poderão ser impedidos de entrar na Rússia.

Boa parte desse decreto do presidente russo tem como base as decisões tomadas pelo governo e Justiça da França quando hooligans russos foram deportados no período de disputa do torneio de seleções da Europa. A situação chegou ao seu ponto crítico no momento em que Uefa esteve muito perto de excluir a seleção russa da Eurocopa. A exclusão se daria no caso de novos incidentes violentos por parte dos vândalos. Acordos entre diplomatas e a Uefa garantiram a presença do time russo na competição.

Com o advento da Copa do Mundo, Putin precisava de apresentar à Fifa e governos de outros países, em especial europeus, que vai atuar com mão forte contra os hooligans. Aliás, o presidente da Federação de Futebol Russo (UFR, na sigla em inglês), Vitali Mutkó, mandou dissolver a União de Torcedores da Rússia, entidade que abriga facções organizadas, após a prisão de Alexandr Shpriguin, líder dessa associação. Ele foi detido em setembro de 2016 no hotel onde eram realizadas as eleições para a presidência da UFR.


Investimento em segurança

O problema maior da Rússia não são os hooligans, apesar do enorme transtorno que eles provocam em eventos de futebol. Pesa contra o Vladimir Putin a sua política externa. A pouco menos de um ano para a Copa do Mundo e a menos de dois meses da Copa das Confederações, o mundo do futebol quer saber como vai funcionar o esquema de segurança no País. Putin ainda não informou quanto o país vai gastar com a segurança nos dois eventos. Sua preocupação aumentou com o atentado no metrô de São Petersburgo, cidade-sede da Copa e das Confederações, que provocou a morte de 14 pessoas e feriu outras 47 em março.

De acordo com decretos publicados, ele criou a Guarda Nacional em abril de 2016 para ampliar as forças de segurança do país. “Estamos criando a Guarda Nacional, que vai lutar contra o terrorismo, o crime organizado e, em contato direto com o Ministério do Interior, continuará exercendo as funções que eram conduzidas pela Unidade de Mobilidade para Propósitos Específicos, pela Unidade Especial de Resposta Rápida e assim por diante”, disse Putin, em uma reunião com os chefes dos órgãos de segurança, no Kremlin, segundo publicou o site Gazeta Russa em sua edição em português.

No final deste mês de março de 2017, Putin anunciou que a Guarda Nacional vai atuar nos dois eventos esportivos. “O trabalho para garantir a segurança na próxima Copa do Mundo e Copa das Confederações vai exigir muitos esforços. Quem vai cuidar desse assunto é a Guarda Nacional, que deve prestar atenção especial a tudo isso”. Ao mesmo tempo, ele autorizou o aumento do contingente militar do país em mais 19 mil militares, que deve alcançar cerca de 1,9 milhão até 1.º de julho.

A última Copa do Mundo disputada em continente europeu foi a de 2006 na Alemanha. Segundo relatórios do governo alemão foi “a maior mobilização de segurança depois da Segunda Guerra Mundial”. Levantamento do jornalista Christian Russau mostra que a Alemanha mobilizou “sete mil soldados do Exército alemão (Bundeswehr), mais 250 mil policiais e 20 mil segurancas particulares. Aviões de reconhecimento AWAC supervisionaram o espaço aéreo. De outros países, a Alemanha ganhou um reforco de mais 700 policiais. Além de tudo isso, 12 mil voluntários assumiram tarefas de seguranca nos espaços públicos temporariamente privatizados pela Fifa para festas de torcedores. E a vigilância por vídeo do espaco público na Alemanha foi triplicada durante a Copa: se antes do evento só havia vigilância por vídeo em meia dúzia de cidades, esse número pulou para 30 durante a Copa”.

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