'Queridinho' na Rússia, volante brasileiro busca naturalização: 'Sonho todo dia com a Copa'



10/03/2016

Após seis temporadas no Terek Grozny, Maurício, agora no Zenit, já se vê como 'intruso' no Brasil nos próximos anos

Ele surgiu nas categorias de base do Corinthians, fez sucesso imediato no Fluminense entre 2007 e 2009 e rapidamente foi negociado com o futebol da Rússia. Depois de seis temporadas atuando pelo Terek Grozny, Maurício já se considera um verdadeiro russo. Agora, com a camisa do milionário Zenit, o volante brasileiro quer transformar a consideração em naturalização. Motivo? Defender a seleção anfitriã na Copa do Mundo de 2018.

"Já iniciei as primeiras conversas para iniciar o processo (de naturalização), vou dar entrada em breve. Sonho todo dia com a Copa do Mundo, todo dia, todo dia mesmo. Hoje, meu maior objetivo é ser campeão com o Zenit, que, vale ressaltar, se colocou à disposição para me ajudar juridicamente. Mas admito que não paro de pensar na Copa", revelou Maurício, em entrevista ao Blog Ora Bolas.

"Ainda não conversei com ninguém da Federação, mas todos sabem da minha vontade. Sempre almejei a seleção brasileira, mas será um prazer e uma honra defender a seleção russa. Cheguei aqui com 21 anos, sem falar russo, com pouca noção do inglês... Me esforcei, trabalhei sério, cresci dentro e fora de campo, evolui e conquistei o respeito de todos. O reconhecimento que tenho na Rússia é enorme", reforçou.

Aos 27 anos, o volante assinou no começo de janeiro um contrato válido por apenas seis meses com a equipe do "por enquanto" compatriota Hulk. O vínculo, no entanto, poderá ser renovado por mais três anos.

"Imagina se acontecer mesmo de renovar? Completarei uma década na Rússia e, provavelmente, me sentirei um intruso quando pisar no Brasil [risos]", brincou.

Apesar da ironia, o brasileiro sente-se em casa mesmo tão distante de São José dos Campos, interior de São Paulo, onde nasceu e cresceu. Nos tempos de Terek Grozny, por exemplo, ele era um dos queridinhos de Akhmadovich Ramzan Kadyrov, dono do clube e também presidente da república da Chechênia. 

"O presidente é sensacional. Ele é um cara muito ocupado, mas sempre que tinha tempo convidava os jogadores para jantares em casa. O negócio era fora do comum... Muita comida, shows com artistas famosos e tudo mais. Eu, quando completei 100 jogos pelo Terek [foram 162 no total, com 28 gols], ganhei um carro importado (Corolla, da Toyota) de presente. A relação com ele era maravilhosa", lembrou.

Como todo típico cidadão russo, Maurício aprendeu a ser "frio" e ter mais tranquilidade no momento das decisões. Características, aliás, que foram fundamentais antes do acordo com o Zenit.

"Faltando poucas semanas para o término do meu contrato com o Terek [fim de 2015], eu já tinha uma conversa avançada com o Schalke 04. Cheguei a viajar à Alemanha, fiquei quatro dias em Düsseldorf. Sentei com diretor, treinador... Voltei de férias para o Brasil acreditando que o negócio estava fechado, me considerava jogador do Schalke em 2016. Não sei ao certo o que rolou, mas surgiram problemas e negócio acabou melando. Ficou uma coisa muito estranha no ar", explicou.

"Apesar da frustração, fiquei tranquilo e fiz valer a frieza russa. Me tornei uma pessoa mais séria e tranquila morando aqui. Nem sempre as coisas acontecem quando a gente quer, não é? Faz parte. Poucos dias depois, o Olympique de Marselha e o Málaga procuraram meu representante. Ele (Pierre Fernandes) estava na Espanha e já tinha tudo certo para passar na França quando surgiu o Zenit. Foi do dia para noite. Eles foram diretos, negociaram seriamente e fecharam comigo em menos de dois dias. O Zenit, com certeza, vai me fazer subir mais nível na carreira. É um grande clube", completou.

Fonte: Goal

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