Blatter, Platini e Valcke são suspensos pela Fifa por 90 dias

Blatter, Valcke e Platini foram suspensos por 90 dias
09/10/2015

A Fifa anunciou nesta quinta-feira a suspensão de seu presidente, Joseph Blatter, por 90 dias.

Também foram suspensos pelo mesmo período Jérôme Valcke e Michel Platini, respectivamente, secretário-geral e vice-presidente da entidade esportiva.

A suspensão ainda pode ser estendida por 45 dias e foi anunciada pelo Comitê de Ética da Fifa.

O ex-vice-presidente da entidade esportiva, o sul-coreano Chung Mong-joon, foi banido por seis anos e multado em 100 mil francos suíços (R$ 400 mil).

Blatter, Valcke e Platini, que também é presidente da Uefa (a entidade que comanda o futebol europeu), estão sendo investigados pela Fifa por acusações de corrupção.

"Os fundamentos para essas decisões são as investigações que estão sendo conduzidas pelo órgão de investigação do comitê de ética", informou a entidade esportiva por meio de um comunicado.

Durante o período da suspensão, Blatter, Valcke e Platini estão proibidos de exercer qualquer atividade ligada ao futebol. Os três negam as acusações.

O Comitê de Ética da Fifa começou a investigar Blatter depois que a Justiça suíça abriu investigação criminal contra ele.

Blatter é acusado de assinar um contrato "desfavorável" para a Fifa e fazer um "pagamento desleal" a Platini ─ que também é presidente da Uefa, a entidade que comanda o futebol europeu.

O Comitê de Ética também abriu uma investigação contra Platini sobre um pagamento de 2 milhões de euros ─ que foi feito nove anos depois que o francês realizou um trabalho de consultoria para Blatter.

Valcke já estava licenciado de seu cargo na Fifa depois que acusações feitas por um jornal no mês passado o associavam a um esquema de corrupção envolvendo as vendas de ingressos da Copa do Mundo.

No início deste ano, autoridades dos Estados Unidos indiciaram 14 funcionários da Fifa e associados por acusações de suborno e extorsão. Paralelamente, a Justiça da Suíça iniciou uma investigação sobre o processo de escolha da Rússia e do Catar como sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022, respectivamente.

Dois dias depois, no dia 29 de maio, Blatter foi reeleito pela quinta vez consecutiva presidente da Fifa. No entanto, no dia 2 de junho, ele anunciou sua decisão de renunciar ao cargo por causa das acusações de corrupção.

Ele deve terminar seu mandato em um congresso extraordinário da Fifa no dia 26 de fevereiro do ano que vem.

Na semana passada, alguns dos principais patrocinadores da Fifa ─ como Coca-Cola, Mc Donald's e Visa ─ recomendaram a saída do presidente do cargo imediatamente "pelo bem do jogo".

No entanto, o advogado de Blatter já afirmou que o suíço não abandonará o posto.

Conheça quem é o homem que está no comando da Fifa há quase duas décadas.

Carreira

Blatter nasceu em uma família humilde na cidade alpina de Visp. Segundo relatos, ele era o "rei do playground" na escola primária, nos anos 1940, e o único menino local com talentos futebolísticos de nível profissional.

Terminada a escola, Blatter seguiu um caminho comum entre homens suíços nos anos 1960 e 1970: fez o serviço militar obrigatório, chegando ao cargo de coronel. No Exército, ele fez contatos que lhe seriam úteis mais tarde.

Blatter trabalhou, então, na indústria de relógios e cresceu no ramo de gerenciamento esportivo, atuando na Federação Suíça de Hóquei no Gelo antes de entrar na Fifa como diretor técnico, em 1975.

Quando ele foi eleito presidente da entidade pela primeira vez, em 1998, houve uma certa celebração nacional no país natal de Blatter, segundo o parlamentar suíço Roland Buechel, defensor de mais transparência no comando do futebol.

Blatter havia acabado de conquistar um quinto mandato à frente da Fifa, 
mas sofria pressões para renunciar - AP

"Ficamos orgulhosos de ter um suíço no comando de uma organização internacional tão importante", disse ele à BBC no início deste ano.

Em Visp, a antiga escola de Blatter foi rebatizada em homenagem a ele. Seu retrato está pendurado na parede, e dias esportivos geralmente são batizados com seu nome. Ele costuma ser recebido afetuosamente quando visita a cidade.

"Ele é muito descomplicado, muito acessível", contou Hans-Peter Berchtold, editor de esporte do jornal local Walliserbote.

No entanto, Berchtold admitiu que, no que diz respeito às acusações de corrupção na Fifa, até mesmo os velhos conhecidos de Blatter "não são cegos".

"Todo o mundo sabe que há problemas na Fifa", ele disse. "Mas eles não acham que Sepp Blatter deva ser responsabilizado por todos eles."

Ceticismo

Berchtold argumentou que há muitos aspectos positivos na gestão de Blatter, como a promoção do futebol em países em desenvolvimento, o fato de uma primeira Copa do Mundo ter sido realizada na África e, mais recentemente, o compromisso com um processo de reforma na Fifa.

Mas é exatamente disso que alguns dos críticos de Blatter discordam. "Ele teve 17 anos para melhorar a governança na Fifa", disse Eric Martin, chefe do setor suíço da ONG anticorrupção Transparência Internacional.

Em 2011, um painel independente reunido pela Fifa propôs um pacote de reformas. A decisão da entidade - de ignorar as recomendações para mandatos fixos, limites de idade e divulgação total da renda obtida - foi criticada pela ONG.

"Na Suíça, mudamos regularmente de presidente", agregou Martin. "Tenho certeza que a Fifa conseguiria fazer o mesmo depois de 17 anos (de mandato de Blatter)."

E, enquanto alguns velhos amigos o descrevem como sensato e aberto, outros que trabalharam com Blatter afirmam que ele não gosta de enfrentar oposição - e citam a rápida saída de cena de colegas que ousaram questioná-lo.

Um jornal suíço o chamou de 'Poderoso Chefão' e 'Don Blatterone' - AFP

Blatter rejeitou bruscamente uma sugestão para participar de um debate televisionado ao lado dos demais candidatos à presidência da Fifa.

Questionado certa vez a respeito das críticas a seu comando da entidade - sendo as mais estridentes delas vindas de Alemanha e Inglaterra -, Blatter respondeu que ele poderia "perdoar, mas não esquecer".

'Don Blatterone'

Na Suíça, muitos se perguntavam como Blatter conseguiu manter o controle da Fifa por tanto tempo, em meio a tantas acusações de corrupção, e ainda assim parecer intocável.

Um jornal suíço o chamou, em tom jocoso, de "Poderoso Chefão, o Don Blatterone" - mas nenhuma investigação conseguiu encontrar provas de seu eventual envolvimento em subornos.

"Ele foi um sobrevivente", disse Buechel. "Nada colava nele, sempre há alguém entre ele e (casos de) suborno."

"Posso lhe dizer com segurança que ele não é 'subornável'", defendeu Hans-Peter Berchtold. "Dinheiro não é o que o motiva."

Buechel e Martin acreditam que a determinação de Blatter em manter seu cargo tornou-se prejudicial à entidade, ao não dar espaço para o surgimento de sucessores.

O que emerge, então, é um homem com uma carreira mais longeva do que seus três casamentos e que tanto críticos como simpatizantes apontam como alguém que não conseguia imaginar sua vida longe da Fifa. No entanto, sem o mesmo apoio de antes, ele parece ter sido forçado a mudar de ideia.

Fonte: BBC Brasil


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