Comprado por R$ 121mi, Firmino fala da vida no Liverpool, garante que o Brasil vai à Copa, admite ser corintiano e diz por que não ficou no São Paulo

Firmino comemora gol contra a Venezuela na Copa América
 (Rafael Martinez/Gazeta Press)

30/08/2015

Um ano atrás, ele passaria despercebido por muitos até na frente do Pacaembu lotado em dia de clássico. Mas os últimos 365 dias foram agitados para Roberto Firmino. O alagoano que deixou o Brasil sem muito alarde em 2011 virou figurinha carimbada nas convocações de Dunga para a seleção e foi comprado no mês passado pelo Liverpool por R$ 121 milhões — é a negociação envolvendo brasileiro mais cara da última janela de transferências e a quarta maior do mundo. Diretamente de Liverpool, dias após estrear como titular e ser eleito o melhor em campo no empate em 0 a 0 com o Arsenal, Firmino atendeu ao Blog e falou sobre a reviravolta na vida, o fim do anonimato no em seu país, as chances do Brasil nas Eliminatórias e na Copa do Mundo de 2018… O garoto de 23 anos, que é extremamente tímido, também reconheceu que é corintiano roxo e contou que fez teste para jogar na base do São Paulo, mas não ficou, entre outras coisas, por falta de alojamento.

BLOG_ A sua primeira convocação para a seleção, em novembro do ano passado, causou muita surpresa no Brasil. Você imaginava que poderia ser chamado?

ROBERTO FIRMINO_ O que eu posso dizer é que fiquei muito feliz. Vinha fazendo um bom trabalho no Hoffenheim e estava me destacando por lá. Tanto é que a imprensa alemã sempre comentava sobre uma possível convocação para a seleção.

Você já tem dez jogos, com quatro gols, pela seleção. Guardou alguma das camisas de jogo? O que fez com elas?

Para falar a verdade, guardei a primeira (do jogo contra a Turquia, em 11 de novembro de 2014). Fui presenteando os meus pais e familiares com as outras nove que usei.

Depois do fracasso na Copa América deste ano, quando foi eliminado nas quartas de final, o Brasil corre algum risco de não ir para a Copa do Mundo, por causa da dificuldade das Eliminatórias?
As Eliminatórias serão complicadas, realmente, mas a seleção brasileira tem de se impor em campo e jogar para estar na Copa. Nós vamos conseguir.

A seleção pode ser campeã mundial em 2018? Quem são os países que mais ameaçam o Brasil, na sua opinião?

A Copa de 2018 está muito longe, mas a seleção sempre é favorita. Temos excelentes jogadores nos maiores clubes do mundo e isso nos credencia sempre como favoritos. Assim como Alemanha, Inglaterra, Itália, Espanha e Argentina.

Você é famoso, rico, joga na seleção… Ainda há lugares no Brasil em que ande na rua sem ser reconhecido?

Hoje é mais difícil isso acontecer. A seleção dá uma visibilidade muito grande. Já não dá mais para sair sem ser notado.

O que você ainda sonha conseguir com o futebol?

Tem muita coisa para conquistar, ainda. Quero ser campeão na Europa, ganhar um título importante com a seleção brasileira, dar uma vida tranquila para a minha família…

Desde o Ronaldo Fenômeno, nenhum atacante conseguiu se consolidar com a 9 do Brasil. Apesar de só jogar nessa posição na seleção, você pode ser o cara a acabar com esse jejum?

Quem sabe. Eu trabalho muito todos os dias no meu clube buscando o melhor. Quando vou para a seleção, não é diferente. Você só se firma se trabalhar intensamente e sempre manter um alto nível.

Você nunca escondeu dos amigos que é corintiano. Acha que o Corinthians é o favorito ao título do Brasileirão? 

Acompanho o Corinthians desde pequeno. Não dá para se esquecer do título de campeão da Libertadores, do Mundial contra o Vasco… Sempre tive um carinho a mais pelo Corinthians, virei corintiano roxo. Sobre o Brasileirão, o Corinthians tem bons jogadores e está acostumado a ganhar, então…

Antes de jogar no Figueirense, você fez testes no São Paulo. Por que não ficou?

Foi uma avaliação muito rápida e um pouco conturbada. Não tinha lugar no alojamento para eu ficar e acabei indo para o Figueirense depois disso.

Mas, então, você passou no teste e só não ficou no São Paulo por causa do alojamento?

Além de não ter alojamento, treinei pouco com bola, não deu tempo de me avaliarem direito. São coisas que acontecem no futebol. Muitos outros também passaram pelo clube e deram certo em outro lugar. O futebol é assim mesmo.

O Neymar é o melhor jogador com quem você já atuou?

O Neymar é fora de série. Muito bom jogador. Ele se movimenta, dá opção e sabe o que fazer com a bola. É sensacional jogar ao lado dele. Ele faz com que as coisas fiquem mais simples dentro de campo.

Quem era o seu ídolo na infância?

O Ronaldinho Gaúcho sempre foi um cara que gostei de ver jogar. O estilo dele e a maneira como faz as coisas acontecerem de uma forma simples é muito legal.

Além de ser um dos jogadores mais bem pagos do Liverpool, você ainda assinou recentemente um contrato milionário com a Adidas. Como investe todo esse dinheiro?

São questões particulares, que costumo não comentar.

Quantas tatuagens você tem pelo corpo? 

Ah, não sei. Gosto muito de tatuagens e tenho algumas espalhadas pelo corpo todo. Tem tatuagem em alemão, em grego… São marcas que trago, como minha família, agradecimentos e lembranças.

É verdade que você usou um tradutor de línguas online para fazer uma tatuagem em alemão e quase se deu mal?

Foi um pouco antes de ir para o Hoffenheim. Tatuei “Familie unaufhorliche liebe”, que significa “Família, amor eterno”. Só que descobri que faltou o trema no “ö”, senão, a palavra “unaufhorliche” ficaria sem sentido. Acabei colocando o trema na Alemanha.

Como é para você ser uma pessoa famosa, apesar de toda a timidez que demonstra?

Posso dizer que é legal ter seu trabalho reconhecido pelas pessoas. O futebol proporciona isso, por ser um esporte muito popular, e eu tento aproveitar.

Firmino é capa da última edição da revista do Liverpool (Divulgação)

Você tinha propostas de vários grandes clubes da Europa em julho, após quatro boas temporadas pelo Hoffenheim. Por que o Liverpool?

O Liverpool é um gigante, cheio de tradição na Europa e tem quatro títulos de Liga dos Campeões. Eu e a Rogon (empresa que administra sua carreira) sentamos e decidimos juntos. Tenho muita confiança neles, porque gerenciam a minha carreira de uma forma muito profissional.

Como está sendo a adaptação à vida na cidade consagrada por ser a casa dos Beatles?

Tudo é novidade por aqui. Mas está sendo ótimo. Estamos gostando muito de viver em Liverpool. Uma experiência diferente daquela que tivemos na Alemanha, que também foi maravilhosa, sem dúvida alguma.

O futebol inglês tem a liga mais famosa e vista do mundo e você joga ao lado de muitos astros. Como está sendo atuar na Premier League?

A Bundesliga também é uma liga forte. Mas, na Inglaterra, a competição é mais equilibrada.  São grandes clubes com grandes jogadores disputando o título. Então, estou achando tudo ótimo.

O Liverpool não vence o Campeonato Inglês desde 1990. Com as contratações do Benteke, do Clyne e a sua, por exemplo, dá para acabar com esse jejum?

Claro que dá. Esse é o nosso objetivo. Temos elenco para isso e começamos muito bem a temporada (são duas vitórias, um empate e uma derrota em quatro rodadas).

Você foi eleito o melhor em campo no jogo contra o Arsenal, na semana passada, em um clássico na cidade de Londres. Ainda bate um frio na barriga nesse tipo de jogo?

Foi o meu primeiro jogo como titular do Liverpool e um clássico de muita tradição na Inglaterra. Então, isso mexe com qualquer jogador. Mas você fica nervoso até a bola começar a rolar. Depois, tudo entra na normalidade e as coisas funcionam como têm de ser.

O que você mais gosta de fazer fora dos campos?

Sou um cara caseiro. Gosto de curtir a minha família e sair para jantar. Acho que é o meu principal passatempo quando não estou jogando.

Qual o gol mais bonito que já marcou?

Para mim, todo gol é bonito (risos). Fiz alguns muito bonitos pelo Hoffenheim e, também, aquele contra a Áustria, pela seleção brasileira, que foi bem legal (o Brasil venceu por 2 a 1, no último amistoso disputado no ano passado).

Você tem o sonho de voltar a jogar um dia em algum clube do futebol brasileiro?

Não digo que seja um sonho. Hoje, estou focado na minha carreira na Europa, penso em ficar mais um bom tempo no continente. Mas quero voltar um dia a jogar no Brasil, sim. Só que deixa isso para o futuro.

Fonte: Yahoo


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