Atacado em coletiva, Blatter se defende: “Preso? Por qual motivo?”

Presidente da Fifa evitou respostas sobre corrupção em entrevista marcada por perguntas 
diretas sobre escândalo e criticou Uefa: "Eles precisam dar o exemplo" 
(Foto: Arnd Wiegmann/Reuters)

31/01/2015

Reeleito presidente da Fifa para seu quinto mandato, Joseph Blatter tentou minimizar o escândalo de corrupção que gerou a prisão de sete dirigentes ligados à entidade, mas não conseguiu fugir do tema durante entrevista coletiva neste sábado (30), na sede da organização, em Zurique.

A imprensa, principalmente, inglesa, bombardeou o suíço com perguntas sobre propinas e a investigação da Justiça americana.  Um repórter chegou a perguntar se Blatter temia ser preso: “Preso? Por qual motivo”, respondeu o suíço.

Alguns jornalistas perguntaram diretamente para Blatter se ele sabia o nome do dirigente citado no relatório americano que teria dado 10 milhões  de dólares de propinas a Jack Warner, ex-presidente da Concacaf (Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe).

O suíço afirmou que não tem a informação em todas as respostas. “Eu não conheço essas alegações. Se ela se encontra em algum lugar da investigação, vamos deixar que a investigação prossiga e traga resultados.”

A entrevista foi realizada após a reunião do Comitê Executivo que definiu que a divisão das vagas nas duas próximas Copas do Mundo seguirá a mesma adotada atualmente (ou seja, a América do Sul segue com quatro seleções garantidas e mais uma chance na repescagem).

Durante a coletiva, Blatter reclamou bastante da posição da Uefa na crise e citou a ausência do inglês David Gill, vice-presidente da Fifa que abandonou o cargo após a reeleição do suíço. “Se você é parte da Fifa, deve estar ali para ajudar a organizar. A Uefa é a maior e mais rica, tem os melhores campeonatos e jogadores, mas quando se trata de clubes se você não tiver jogadores de outros continentes não vai ser tão bom. Eles precisam dar o exemplo e assumir responsabilidades. E responsabilidade não pode ser assumida quando você não comparece à primeira reunião. É preciso comparecer.”

Blatter abriu a entrevista coletiva garantindo que a entidade debaterá em reuniões os últimos escândalos de corrupção e que pretende terminar sua passagem pelo cargo com uma organização “mais robusta e bela”. Para o suíço, a crise envolvendo as prisões e investigação americana não é uma “furacão”: “Todos estes eventos que aconteceram culminaram em uma tempestade. Reafirmamos a nossa a unidade para ir em frente. Trabalhar com todas as instituições, federações, Justiça. Neste caminho vamos evitar algumas situações no futuro. Surpresas que nos pegaram por trás. Estou aqui como presidente da Fifa. Vou continuar a trabalhar e a lutar por boas coisas. Não estou sozinho.”

Fonte: O Sul


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