Shows, casa cheia e mais receitas: os desafios após 1 ano do novo Beira-Rio

Beira-Rio foi inaugurado em 5 e 6 de abril de 2014, com show e 
amistoso (Foto: Rafaella Fraga/GloboEsporte.com)
06/04/2015

Gestora do estádio ainda busca fechar comercialização de metade das lojas previstas e direção do clube confia em injeção de R$ 85 milhões e 150 mil sócios no fim do ano

Um dia de alegria para os colorados. Afinal, nesta segunda-feira, 6 de abril, o Beira-Rio completa 46 anos e, mais do que isso, chega a um ano desde sua reinauguração. E, se o público ainda está aquém do esperado pela direção - a média não supera 50% da capacidade total - 24.752 -, o time se sente em casa e faz prevalecer o mando de campo. Afinal, o Inter acumula um aproveitamento de 75,86%. O foco agora é de passar da média de 30 mil por partida e impulsionar a receita do clube. 

Nem tudo é motivo para comemorações. Até hoje, porém, o palco segue quase como apenas um estádio de futebol, muito embora já esteja alinhavado em outras frentes fora de campo. O objetivo de transformá-lo em um polo de shows e confraternização permanece ativo. Além de receber Roberto Carlos, há a proximidade do anúncio oficial de Rolling Stones. Durante o ano, passará por mais inovações, seja na finalização das "intervenções", ou na abertura de outras lojas para oferecer mais atrativos aos cidadãos. Desafios que o GloboEsporte.com cita a seguir.


SHOWS

A remodelação da casa colorada ocorreu através da parceria com a Sociedade de Propósito Específico (SPE) Holding Beira-Rio S/A, a BRio. A empresa ainda busca recuperar o investimento e angariar o lucro projetado quando acertou com a antiga gestão. Alguns passos começam a ser dados. O primeiro grande show será neste final de semana, com Roberto Carlos entoando os sucessos "Como é grande o meu amor por você", "Nossa Senhora", "Emoções" e atirando rosas. A gestora ainda estuda outras datas para preencher na agenda. A grande expectativa reina no grupo capitaneado por Mick Jagger e Keith Richards. Tudo é tratado em sigilo, até por questões contratuais. Porém, o quarteto britânico é a grande aposta.

O Beira-Rio não se restringirá aos grandes eventos. Até por isso, a SPE tratou de criar novos espaços. Um deles é o Anfiteatro. Ele será dentro do estádio, mas atrás do antigo gol do placar eletrônico. O ambiente ficará voltado para as arquibancadas, com capacidade que girará entre mil e 14 mil pessoas. A banda Los Hermanos já está confirmada para o dia 17 de outubro. A BRio está em tratativas para trazer Lulu Santos em setembro.

Anfiteatro será usado pela primeira vez em show da banda Los Hermanos 
(Foto: Hype / Reprodução)

SUNSET

O terceiro ambiente que poderá receber shows é o Sunset Beira-Rio. O local - no terraço do edifício-garagem - já até foi "inaugurado" no ano passado, quando recebeu o DJ americano Steve Aoki. Porém, o foco era de fixar o espaço para receber pessoas não só em dias de jogo, já que é possível contemplar o pôr do sol do Guaíba. O executivo-chefe (CEO) da BRio, Marcelo Flores, diz que, em maio, poderá se tomar um chimarrão e desfrutar da região:

- Queremos colocar Sunset como uma estrutura e espaço de gastronomia em maio. Serão estruturas nas quais você poderá ficar, curtir a vista, tomar chimarrão. Terão quiosques ali.

Sunset Beira-Rio ainda não entrou na rotina do estádio 
(Foto: Divulgação / Hype Studio Arquitetura)

STREET MALL

A roupagem do Beira-Rio terá outras inovações. O Street Mall é um dos fatores para trazer mais público ao estádio não apenas nos dias dos jogos. A área comercial que ocupa o entorno da casa colorada tem foco na alimentação, serviços, conveniência e artigos esportivos.

Das 44 lojas, que apresentam módulos entre 65m² a 650m², apenas metade já está fechada. A Copa do Mundo foi um dos fatores que atrasou as negociações, já que a Fifa tinha o direito de ficar com o espaço durante o certame. Porém, a gestora segue as tratativas. Tanto que está prestes a abrir mais estabelecimentos. Um lançamento, no entanto, está descartado.

- Já temos 22 lojas contratadas. Estamos em um período de projetos, para ver se aprovamos ou não. Entre o final de abril e começo de maio, queremos abrir outras lojas. O espaço já é ancorado pelo Beira-Rio. Talvez inauguremos duas em uma semana, outras duas em outro. Até podemos fazer um evento com mais lojas, mas não uma inauguração - diz Marcelo Flores.

Modernização do Beira-Rio contemplará lojas pelo entorno do estádio 
(Foto: Divulgação / Inter)

ÁREA NOBRE NÃO DECOLA

Se fora do estádio os negócios fluem, dentro do campo a BRio tenta captar mais clientes. E, com eles, aumentar os recursos. As metas projetadas não foram atingidas e a gestora já estabeleceu novos prazos. Os principais transtornos residem nas áreas nobres. 

No momento da oficialização da parceria, ficou definido que o clube teria direito a quatro camarotes e os anéis superiores e inferiores. Os outros 66 camarotes - que podem ir de 14 a 18 lugares -, bem como os 55 skyboxes e os 5 mil assentos VIPs são da parceira. O mais delicado diz respeito ao skybox - que pode receber 24 pessoas -, sobre o qual se acredita que precisa ser mostrado mais ao público, até por ser um espaço inédito no estádio:

- O trabalho está sendo feito. As receitas estão aquém do que esperávamos. Esperávamos chegar aos números em 2015 e 2016 e já passamos para 2016 e 2017. Estamos com mais de 1.500 cadeiras VIPs vendidas. Temos quase 50 camarotes comercializados. Os skyboxes não temos vendido tanto. Foram oito até o momento. É um número baixo. É um produto novo, diferenciado. Ninguém ia à marquise antes. Estamos fazendo eventos, apresentando a clientes em potencial. Ele está abaixo da nossa curva, mas temos o plano de comercializá-lo a duas empresas, por exemplo. O skybox tem uma visão panorâmica e sem ninguém saber que você está lá - pondera Marcelo Flores.

Vista das Skyboxes é privilegiada, mas as vendas ainda não decolaram 
(Foto: João Linck / Inter, DVG)

Enquanto prospecta novos fregueses, Flores descarta uma redução dos preços. A estratégia permanece a mesma: valorizar o cliente de médio a longo prazo, que deixa uma receita fixa, por mais que isso ainda deixe em algumas ocasiões espaços vazios no estádio:

- Tenho cadeiras que oscilam de R$ 185 a R$ 500 por mês. Você vai ao estádio e paga R$ 250 em média. Aí, quando precisa, a administrado reduz para R$ 50? Você vai cancelar a assinatura. Valorizamos o cliente que faz um contrato de um a três anos, privilegio o cara assíduo. Não pretendemos mudar esse modelo. Queremos vender essas mensalidades com tudo o que o Premier Club oferece. 

ALTERAÇÕES NO ESTÁDIO

Mesmo que nesta segunda o estádio complete um ano, não pense que ele esteja 100% pronto. Nada disso, ele ainda passa por reformas. A questão operacional e o acabamento recebe a atenção neste momento, o que deve prosseguir ao longo de 2015, como atesta Fernando Balvedi, sócio-diretor da Hype Studio, responsável pelo desenho da modernização do Beira-Rio.

- Estamos trabalhando as demandas do Inter para melhorar a operação do estádio e analisando o que não está funcionando adequadamente para projetarmos as melhorias, bem como a troca de alguns pisos. Provavelmente o ano de 2015 ainda seguirá com essas intervenções - afirma.

Beira-Rio teve corrigido o problema que deixava molhar a torcida 
(Foto: Tomás Hammes / GloboEsporte.com)

Nestas mudanças, não está mais a cobertura. Durante 2014, a membrana - parte mais imponente da reforma do estádio - sofreu contestações. Em alguns jogos com chuva, os torcedores acabaram molhados. Balvedi garante que a situação está equacionada:

- Houve jogos com a membrana por finalizar e, depois, onde o anteparo que dissipa a chuva na ponta da cobertura não estava 100% finalizado. Hoje as questões já estão resolvidas.

POR 60% DA OCUPAÇÃO

Não é só o espaço nobre do Beira-Rio que apresenta dificuldades em preencher todos os assentos. A casa colorada não tem lotado. Apenas na vitória por 2 a 1 sobre o Peñarol - na qual o público não foi divulgado em números -, o estádio teve sua capacidade total. 

Durante 2014 - sem contar o amistoso e os jogos-testes pelo Gauchão, no qual só 10 mil puderam comparecer -, a média foi de 26.818 pessoas, o que alcança 53,49% da capacidade. O maior público foi na vitória por 3 a 1 sobre o Palmeiras, quando 41.148 torcedores estiveram presentes. Neste ano, mesmo com a Libertadores e o Gre-Nal pelo estadual, a média sequer alcançou os números do ano passado. 

Maior público da nova casa foi contra o Palmeiras, com 41.148 torcedores presentes, no Brasileiro

O Colorado tem colocado em média 20.175 por jogo, o que representa 40,24% do total do Beira-Rio. O maior contingente foi no triunfo por 3 a 1 sobre a Universidade de Chile, quando 35.833 pessoas empurraram a equipe. O vice de administração Alexandre Limeira acredita que o fato de o Inter estar envolvido em duas competições e o horário dos confrontos têm complicado um maior comparecimento.

- Temos uma média de 35 mil pessoas nos jogos da Libertadores. Há uma atenção especial nessa competição por tudo o que ela representa. O Gauchão fica de uma forma secundária. Em algumas vezes jogamos com um time misto, tivemos muitas partidas às 19h30, quase nunca atuamos no final de semana no Beira-Rio. Estamos buscando atrativos para colocar cada vez mais gente - explica Limeira.

Apesar da média atual, o dirigente aposta no crescimento no decorrer da temporada. E a meta é ousada, passar dos 30 mil por jogo:

- Queremos colocar 60% de média do Beira-Rio.

R$ 85 MILHÕES E 150 MIL SÓCIOS

Além de aumentar o número de torcedores no Beira-Rio, a direção espera impulsionar o lucro do clube. A Libertadores aparece como o carro-chefe, que traz na carona mais sócios e outras formas de receita aos cofres colorados, aposta o vice de finanças Luiz Henrique Nuñez:

- O Beira-Rio tem receitas que advém de mensalidades dos sócios, bilheterias, eventos, consumos diversos, visitas coloradas, museu, loja, entre outras. Muitas destas receitas são variáveis e sofrem influência direta dos jogos e do desempenho da equipe nas competições. Entretanto, estimamos um número superior a R$ 85 milhões.

O Inter tem 107 mil sócios em dia e espera ir a 150 mil até o fim do ano; estádio reformulado já rendeu mais 18 mil novos sócios ao clube

O reencontro com o Beira-Rio despertou o interesse dos torcedores. Nuñez revela que, após o retorno do estádio ao Inter, o clube angariou 18 mil novos sócios. Atualmente, 130 mil fãs estão cadastrados no clube. Deste contingente, 107 mil são ativos, o que representa 17,7% de inadimplência. Para 2015, o clube espera aumentar a adimplência, bem como o número de torcedores fidelizados. Lógico que com um bom desempenho no futebol.

- Esperamos um incremento mínimo de 25%, número que poderá crescer dependendo do bom andamento da temporada. Temos historicamente 10% de inadimplência. Perseguimos uma meta que reflita um equilíbrio entre número de novos sócios e boa prestação de serviços para estes. Ficaremos satisfeitos se alcançarmos 150 mil sócios até o final deste primeiro ano de nossa gestão - finaliza Luiz Henrique Nuñez.

TIME MANDA

Enquanto busca alcançar metas, o Beira-Rio já pode se orgulhar de sua força. Afinal, quando o time joga dentro de seus domínios, é quase imbatível. Em 29 partidas, ostenta a marca de 21 vitórias, três empates e cinco derrotas, o que dá um aproveitamento de 75,86%. O último revés ocorreu há quase seis meses. No dia 19 de outubro, perdeu por 2 a 1 para o Corinthians.

O Inter espera manter o estádio como seu grande alicerce dos títulos. As duas Libertadores (2006 e 2010), as Recopas (2007 e 2011), Sul-Americana (2008), três Brasileirões (1975, 76 e 79) e Copa do Brasil (1992) foram conquistadas no local. Mais moderno e confortável, pode fechar a temporada com um novo título continental e/ou nacional.

Torcida colorada marca presença no Beira-Rio e vê muitas vitórias desde a reforma 
(Foto: Alexandre Lops/Inter)



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