América do Sul pode perder vaga na Copa 2018

20/04/2018

Conmebol é a associação regional mais representada proporcionalmente no Mundial

Sem poder mais contar com a influência de João Havelange, Julio Grondona e Ricardo Teixeira e com um resultado esportivo abaixo de sua média histórica, a América do Sul corre o risco de perder uma vaga para a Copa do Mundo de 2018. Em maio, a Fifa vai anunciar quantos lugares dará para cada continente no Mundial e, em plena campanha eleitoral, o presidente da entidade Joseph Blatter não hesita em fatiar a competição para ganhar apoio. Enquanto isso, a Europa avisa: quer mais vagas para suas seleções que venceram os três últimos Mundiais.

Hoje, a Conmebol é a associação regional mais representada proporcionalmente em um Mundial. Dos dez países que formam parte do bloco, quatro ganham classificação direta e um quinto lugar disputa repescagem, normalmente contra uma equipe fraca da Ásia, América Central ou Oceania. Desta vez, porém, a Europa deixa claro que chegou o momento de rever a divisão de vagas para as 32 seleções que irão à Copa. Para 2018, a Uefa quer passar de 13 para 14 ou 15 seleções no torneio, incluindo os anfitriões russos.

A proposta foi oficialmente apresentada em março por Gianni Infantino, secretário-geral da Uefa, aos 54 membros do bloco europeu, em reunião em Viena. "Temos uma grande chance de ter mais de 13 lugares", disse. "Se considerarmos fatos objetivos, temos 19 seleções nas 32 primeiras posições do ranking mundial. Os vencedores das três últimas Copas foram europeus (Itália, Espanha e Alemanha) e, portanto, seria justo pedir mais uma vaga", insistiu. Para ele, a Copa precisa ocorrer "entre os melhores".

Para os europeus, está muito claro: a Conmebol terá de ceder. Na prática, se tal redução ocorrer, a disputa por vagas entre as seleções da região promete se transformar em uma das mais emocionantes. Se há dez anos Brasil, Argentina e Uruguai eram os líderes incontestáveis do continente, hoje precisam disputar o espaço com Colômbia, Chile, Paraguai e Equador. Peru, Bolívia e Venezuela correm por fora.

Em março, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo, o ex-presidente da CBF, José Maria Marin, deixou claro que as Eliminatórias da Copa de 2018 podem ser o momento mais delicado da história do futebol nacional. Entre cartolas da Conmebol, a expectativa é de que, mesmo sem o corte de uma vaga, a disputa seja a mais emocionante já vivida pela região. "Pelo menos seis seleções têm chance real de ter uma vaga na Copa", disse um deles, na condição de não ter o nome revelado.


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