Índia na fase preliminar das Eliminatórias 2018: o fundo do poço continua

Sunil Chhetri, capitão da seleção indiana (Foto: AP)

13/02/2015

A Confederação Asiática de Futebol sorteou os confrontos da fase preliminar das Eliminatórias para a Copa do Mundo 2018 – sim, a competição vai começar já no próximo dia 12 de março. São 12 seleções, as piores de acordo com o Ranking da Fifa, na luta por uma vaga na segunda fase. Curiosamente, pela primeira vez na história, a Índia vai figurar nesta etapa, o que evidencia a imensa falta de qualidade dos jogadores locais, bem como da liga nacional.

Como de praxe, desde que o qualificatório asiático passou a ter a primeira fase em mata-mata, algumas equipes sempre se fazem presentes nesta fase, como Macau, Mongólia e Timor Leste. Nas eliminatórias para o Mundial 2010, os indianos também jogaram a fase preliminar, mas nota-se que, diferente das outras edições, esta contou com 38 seleções, incluindo China, Jordânia, Kuwait, Uzbequistão, entre outras, consideradas de médio porte.

A distribuição das seleções se deu via Ranking da Fifa, o que sempre é motivo de reclamações, em razão dos critérios confusos e nebulosos. A Índia, por exemplo, figura na 171ª posição geral, sendo a 35ª melhor da Ásia. A equipe está seis posições atrás de Bangladesh e apenas uma à frente de Sri Lanka, a melhor seleção da fase preliminar. Pode-se contestar o Ranking da Fifa, mas não se pode negar os maus resultados dos indianos nos últimos anos.

AFC Challenge Cup 2014 - O torneio reúne as piores seleções da Ásia e dá ao campeão vaga na Copa da Ásia – em 2015,  Coreia do Norte e Palestina jogaram a principal competição do continente após levarem a taça da AFC Challenge Cup. Este era um bom caminho para a Índia voltar a jogar o torneio, mas o problema é que a equipe sequer participou da fase final. Nas eliminatórias, os indianos venceram Taiwan e Guam, mas foram superados por Mianmar, atual 141º no Ranking da Fifa.

Campeonato Sul-Asiático 2013 - A competição conta com as seleções do sul da Ásia e na época apenas o Afeganistão estava melhor ranqueado que a Índia. E o adversário venceu os indianos na final, por 2 a 0.

Jogos Asiáticos 2014 - Com a equipe sub-23, a Índia participou da espécie de Olimpíadas do continente, mas foi muito mal. Nos dois jogos disputados, derrotas para Emirados Árabes (5 a 0) e Jordânia (2 a 0), resultados que não foram computados no Ranking da Fifa.

Amistosos em 2014 - Sabe-se que a pontuação no ranking também é computada levando-se em conta os resultados e a força do adversário. Quanto mais forte ele for, mais pontos a seleção ganha. Evidentemente, a quantidade de jogos conta para uma posição melhor. E o problema é que a Índia só teve dois amistosos oficiais em 2014: empate de 2 a 2 com Bangladesh, em 5 de março, e derrota de 3 a 2 para a Palestina, em 6 de outubro.

Momento complicado

Elano comemora gol de Chennaiyin (Divulgação)

Quase dois meses depois do fim da Indian Super League, edição inaugural do torneio que contou com vários craques aposentados e a quarta maior média de público do mundo, o futebol da Índia ganhou os holofotes internacionais, mas a realidade da seleção e dos clubes locais é totalmente diferente.

A federação local trocou de técnico em outubro de 2014, justamente após a vexaminosa derrota para a Palestina. O holandês Wim Koevermans estava à frente da equipe desde 1º de julho de 2012 e comandou a Índia em 20 partidas, com oito vitórias, quatro empates e oito derrotas, ou 40% de aproveitamento. Ele tentou melhorar desde a infraestrutura de treinamento até o rendimento dos atletas dentro de campo, mas não teve sucesso.

Para o seu lugar veio o inglês Stephen Constantine, 52 anos, que comandava a seleção de Ruanda e já treinou os indianos, entre 2002 e 2005 – foram seis vitórias, cinco empates e dez derrotas na época, apenas 28,6% de aproveitamento. A experiência do novo técnico é basicamente em seleções, como Nepal (1999/01), Malaui (2007/08) e Sudão (2009/10), além de dois times do Chipre.

Todos os jogadores que vêm sendo convocados atuam na liga indiana, até mesmo o grande craque do país, o atacante Sunil Chhetri, 30 anos, que já teve demasiadas chances no exterior, com as camisas de Kansas City Wizards (Estados Unidos) e Sporting Lisboa B, sem qualquer sucesso. Para piorar, a média de idade do elenco que perdeu para a Palestina é alta: 26,7 anos, com a maioria dos jogadores com 27, 28 anos.

Passagem garantida? Mesmo com todos os problemas, a seleção da Índia é ampla favorita a jogar a fase de grupos das eliminatórias asiáticas. Para isso, a equipe terá de superar o Nepal, com o primeiro jogo em casa (12 de março) e a volta em solo adversário (17 de março). O histórico de confrontos mostra domínio indiano, com dez vitórias, dois empates e uma derrota, além de 25 gols marcados e seis sofridos.

Pena que, pelo menos no médio prazo, não há esperança de a Índia seguir para a fase final das eliminatórias. Só com o passar dos anos é que o futebol doméstico poderá crescer. Iniciativas como a Indian Super League e a Copa do Mundo sub-17 de 2017 são positivas, mas não solucionam a carência de qualidade sozinhas. Vai demorar um pouco até que os indianos acompanhem sua seleção numa Copa do Mundo.

Veja os outros embates da fase preliminar das eliminatórias 2018 (entre parênteses o Ranking da Fifa de cada seleção):

Índia (171º) x Nepal (186º)

Iêmen (176º) x Paquistão (188º)

Timor Leste (185º) x Mongólia (194º)

Camboja (179º) x Macau (186º)

Taiwan (182º) x Brunei (198º)

Sri Lanka  (172º)x Butão (209º e último colocado geral)

Fonte: Trivela


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