Dia Nacional do Treinador de Futebol: tudo começa fora das quatro linhas

15/01/2015

Os profissionais que tanto sofrem à beira do campo são imprescindíveis para o sucesso de um time de futebol. Mas, nem sempre foi assim.

Nesta quarta-feira (14/01), o futebol brasileiro comemora o dia nacional do treinador de futebol. Em alusão a esta data, o Portal Futebol Interior, como não podia deixar passar, preparou uma matéria especial sobre estes profissionais, que sofrem à beira do campo e, na maioria das vezes, levam a culpa nas derrotas mas não recebem os créditos nos triunfos.

Nos primeiros momentos da história do futebol pouco ouvíamos falar de treinadores e sua importância era pouco notada nos desempenhos dos times. Com o passar dos anos o futebol se tornou mais competitivo e a demanda física aumentou consideravelmente, assim sendo era necessário a busca de pessoas que pudessem ministrar treinamentos físicos aos jogadores.

Luxemburgo tornou-se um dos maiores técnico do futebol brasileiro
(Crédito: Divulgação)
O futebol se tornou o maior esporte mundial e algumas gerações de jogadores foram obrigadas a parar de jogar pela idade e pela própria necessidade física do jogo. Sendo assim alguns desses ex-jogadores passaram a assumir o papel de treinadores e se utilizando de sua experiência prática adquirida ao longo da carreira de jogador, fez com que o treinamento de futebol evoluísse.

Logo, treinamento de futebol ganhou importância imprescindível e os estudos gradativamente mostravam que eram muitas as vertentes a atuar no desempenho do atleta de futebol . Outros profissionais, de área médica, humana e social, começaram a assumir cargos dentro do trabalho do atleta e da equipe. As comissões técnicas se tornaram multidisciplinares contribuindo assim com o trabalho do treinador.

Contudo o futebol ganhou notoriedade e a repercussão de resultados se tornou o fator principal em todo o trabalho realizado. Com todo o investimento feito e com os jogos sendo assistidos cada vez por mais pessoas, a figura do treinador antes pouco notada ficou exposta a responsável por todos os resultados da equipe , principalmente os ruins . Qualquer que fosse o resultado negativo o treinador era e ainda é taxado de burro.

Muitos são os casos de ex-jogadores que tornaram-se treinador de sucesso e que mudaram a história do futebol brasileiro e mundial, como Zagallo, Telê Santana, Luxemburgo, Luis Felipe Scolari, Leão, Tite, Muricy Ramalho e tantos outros. A maioria desses citados não chegou a fazer grande sucesso dentro de campo, mas fora das quatro linhas, à beira do campo, eles entraram na história do futebol comandando times que alcançaram a glória.

Há também os treinadores "estudiosos", que não disputaram partidas dentro de campo como jogadores, mas cursaram universidades de educação física visando tornar-se treinador de futebol e, conseguiram aplicar a teoria na prática, alcançando o mais alto nível do futebol à frente de seus clubes, como aconteceu com Carlos Alberto Parreira, Sebastião Lazaroni e Paulo Autuori.

O treinador de futebol nada mais é que parte de uma engrenagem que se tiver todos componentes necessários tem tudo para alcançar o sucesso.

NA SELEÇÃO BRASILEIRA...
Poucos sabem, mas a Seleção Brasileira teve o seu primeiro treinador em 1914. O escolhido foi Rubens Salles, que curiosamente também era o capitão da equipe. A extinta Federação Brasileira de Sports (FBS), na época, convocou também Sylvio Lagreca para ajudar na função. O sucesso da dupla rendeu ao primeiro a missão de ser o primeiro treinador da história do São Paulo da Floresta, o atual São Paulo Futebol Clube.

Muitos já puderam comandar a Seleção Brasileira, mas "apenas" cinco tiveram o prazer de levar o país do futebol ao topo do Mundo.Em 1958, o Brasil conquistou o seu primeiro título Mundial. O primeira a conquistar tal façanha foi Vicente Feola, que teve o prazer de comandar uma equipe com tremendos craques como Pelé, Garrincha, Vavá, Zito, Nilton Santos e muitos outros. Apesar do feito, era muito contestado por sua forma tranquilo. Há quem diga, que dormia no banco de reservas durante as partidas.

Em 1962, o Brasil levou o bi com o técnico Aymoré Moreira, treinador que ficou marcado por convocar pela primeira vez nomes como Rivelino e Tostão. Mais tarde, em 1970, na conquista do tri, a Seleção era comandada por Zagallo. Campeão como técnico e como jogador, Mario Lobo foi o que mais esteve à frente da equipe canarinho, 133 jogos. Após a conquista, voltou em 1998, mas caiu diante da França.

Felipão e Parreira foram campeões do Mundo, mas foram marcados pelo vexame em 2014
(Crédito: Divulgação)

Os últimos dois da lista são Carlos Alberto Parreira e Luiz Felipe Scolari. O primeiro foi o auxiliar do segundo em 2014 e conquistou o tetra, em 1994, com uma pequena ajuda do "baixinho" Romário. Felipão, por sua vez, montou uma equipe contestada e trouxe o pentacampeonato, em 2002, com uma equipe composta por nomes como Ronaldo, Rivaldo e Marcos. Neste ano, ambos acabaram marcados com o vexame diante da Alemanha, derrota por 7 a 1. Ambos já comandaram grandes clubes do futebol brasileiro e passaram por algumas experiências fora do país.

Parreira comandou a África do Sul na Copa de 2010, mas caiu no "grupo da morte" e não obteve o sucesso esperado. Felipão se aventurou no sonhado time do Chelsea, porém, acabou sendo contestados pelos próprios jogadores, que teriam pedido a sua saída. Luxemburgo não levou a Copa do Mundo, mas esteve no comando do Real Madrid. O "Pofexô" também não agradou os merengues e mesmo com uma boa campanha acabou deixando o clube, ficando longe do sucesso que teve, por exemplo, no Palmeiras, onde esteve no comando da chamada "Terceira Academia".

NEGROS NO FUTEBOL...
Não é comum, nenhum motivo explica, mas é raro ter um treinador negro no futebol brasileiro. Podemos citar pouquíssimos exemplos, como Didi, que iniciou a carreira de treinador, administrando juntamente a de jogador, nos tempos de Sporting Cristal, do Peru. Assumiu também a Seleção do país e obteve sucesso, classificando-a para a sua segunda Copa do Mundo e levando até às quartas de final do Mundial. Comandou também Cruzeiro, Fluminense e Botafogo, além de Fernebahçe e River Plate. Dizem as más línguas que só não assumiu a Seleção Brasileira pela cor da pele.

Crédito: Marcia Feitosa/VIPCOMM

Anos se passaram e poucos treinadores negros se destacaram no cenário nacional. Nos últimos anos, temos três exemplos de bons trabalhos, claro, após receberem chances em boas equipes, com a estrutura para tal. Andrade assumiu o Flamengo de forma interina, ficou, e levou o clube ao título brasileiro. Após deixar o Mengão, sentiu dificuldade em conseguir outra equipe e hoje treina o modesto Jacobina, da Bahia.

Podemos citar também Cristovão Borges, que está no comando do Fluminense, mas já dirigiu clubes como Vasco da Gama, Juventude e Coritiba, e Hemerson Maria, este conquistou o Campeonato Brasileiro da Série B com o Joinville na temporada passada e deve ficar no clube durante a disputa do Brasileirão deste ano.

ASPAS DO TREINADOR
O dia nacional do treinador de futebol traz desavenças entre os profissionais. Alguns comemoram, outros reclamam. O futebol vive uma fase conturbada em que um trabalho a longo prazo é quase impossível. Podemos citar poucos casos hoje em dia. Dos quatro grandes paulistas, o São Paulo é o time que manteve o treinador por mais tempo. Muricy Ramalho está no clube desde 2013. Já Santos, Palmeiras e Corinthians trocaram de treinador há pouco tempo. A profissão ainda diverge entre salários astronômicos e desemprego, assim como acontece com os próprios jogadores.

O Portal Futebol Interior aproveitou o dia para conversar com alguns treinadores. O atual treinador da Ponte Preta, Guto Ferreira, falou da importância da profissão no futebol, enquanto que Tarcísio Pugliese, técnico do Ituano, elogiou a classe, mas acredita que a mesma tem muito a melhorar, já Emerson Leão criticou a forma como a profissão é tratada nos dias de hoje.

GUTO FERREIRA
"Todo trabalho bem feito precisa de uma liderança e dentro do futebol isso não pode faltar. Não apenas nas partidas, mas desde do início na preparação, nos treinamentos. O treinador dá uma contribuição a mais para o show, para o espetáculo que é o futebol. O treinador precisa estudar muito para realizar o melhor trabalho em uma determinada equipe e isso faz a diferença na hora de se comunicar com os jogadores e mostrar o trabalho antes, no momento e depois do jogo."

TARCÍSIO PUGLIESE
"O treinador está sendo mais valorizado nos dias de hoje e tem um peso maior para as equipes. Mas, ainda falta uma união maior entre a classe. Precisamos lutar por melhorias e ainda temos também muito o que aprender. Precisamos nos reinventar e estudar sempre. Toda equipe precisa de um treinador qualificado para colher grandes frutos."

Emerson Leão criticou como a profissão é tratada nos dias de hoje
(Crédito: Divulgação)

EMERSON LEÃO
"Infelizmente, a profissão de treinador de futebol está muito desprestigiada. É desagradável o modelo de administração nos dias de hoje. É lamentável uma equipe trocar cinco treinadores em um único ano. Na hierarquia, o técnico só perdia para o presidente. Hoje é o último. É algo que me incomoda e que eu não concorde, por isso resolvi me afastar. Sou um filho do futebol. Virei jogador aos 15 anos, me formei em Educação Física e acabei virando treinador após um convite do presidente do Sport e logo fomos campeões do brasileiro em cima do Guarani. A transição foi algo bem tranquila. Vivi bons momentos na área técnica, mas hoje só tenho o que lamentar a respeito da profissão. Lógico, tem treinador ganhando milhões, mas também tem os que ficam implorando para serem empregados."


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