Receptividade e obras de mobilidade foram destaques positivos da Copa

20/08/2014

Representante da prefeitura e procurador aposentado debateram, em evento na Ajuris, o legado da realização do Mundial em Porto Alegre

Urbano Schmitt (e) e Jaques Alfonsin (d) 
divergem sobre imagem deixada  
Foto: Marco Quintana/JC
A Copa do Mundo 2014 durou 31 dias. Em Porto Alegre, foram cinco jogos. Muito foi feito para que o Brasil proporcionasse, principalmente aos olhos dos turistas, um grande espetáculo. Além de grandioso, era preciso que fosse eficaz. Agora, pouco mais de um mês após o evento, discute-se o legado da Copa. E ele divide opiniões.

No evento realizado pela Associação dos Juízes do Rio Grande do Sul (Ajuris), ontem à tarde, o secretário de Gestão da prefeitura de Porto Alegre, Urbano Schmitt, descreveu os benefícios sociais trazidos pela Copa como absolutamente positivos. De acordo com ele, a cidade teria se planejado cuidadosamente com relação à infraestrutura, com a construção de grandes obras de mobilidade urbana. Além disso, em âmbito social, destacam-se o envolvimento da cidade para a realização de um megaevento e a visibilidade alcançada por Porto Alegre. 

“Houve uma preocupação em divulgar a cidade como uma capital extremamente aderente e preocupada com a questão da diversidade”, esclarece. Schmitt acredita, ainda, que essa imagem deva se perpetuar. Para ele, não houve legado negativo, uma vez que Porto Alegre demonstrou um engajamento muito forte da sociedade em termos de convivência e boa receptividade.

Já o ativista de direitos humanos e procurador aposentado do Estado Jacques Alfonsin, vê a situação de forma completamente diferente. Para ele, essas manifestações que exaltam o que a Copa trouxe de melhor são capciosas. Alfonsin trabalha diretamente com três grupos de famílias residentes no alargamento da avenida Tronco, na cabeceira Leste do Aeroporto Salgado Filho e no morro Santa Tereza. “Os moradores da região do aeroporto, por exemplo, seriam removidos para o prolongamento da pista. Até hoje, essa pista não foi alterada e a Copa transcorreu normalmente”, pondera. Com a intervenção do Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejuscon), foi possível demonstrar aos órgãos do governo que um evento desse porte não justificava a remoção apressadamente de famílias que já habitavam o local há mais de 20 anos. “Foi uma vitória espetacular. Os moradores, inclusive, serão realocados na Vila Camaquã, que já vinha sendo preparada para recebê-las”, comemora Alfonsin.  

Para o procurador aposentado, o Brasil teve tempo de se preparar para modificar a estrutura do País de modo a receber a Copa sem desrespeitar as prioridades dos direitos humanos e fundamentais. “A Copa provocou efeitos danosos para a sociedade. Até o que foi positivo foi feito às pressas e está sendo refeito, como as obras do corredor de ônibus da Padre Cacique”, relata. Além disso, o processo de remoção de moradores para as obras da Copa teria sido realizado com bastante arbitrariedade.

O secretário Schmitt, entretanto, afirma que, aos moradores que precisaram ser relocados, sempre foram oferecidas oportunidades, como o Aluguel Social e o Bônus Moradia. “Em nenhum momento, a remoção foi feita de modo truculento. Foi realizada, sempre, na base da negociação”, afirma. Alfonsin argumenta que mais de 1.500 famílias já tiveram suas casas demolidas. De qualquer modo, o procurador acredita que o principal legado foi o reconhecimento, por parte da população, de que eles não devem acatar políticas públicas que desrespeitem direitos humanos e fundamentais. “Eles não podem permitir a simples remoção. É preciso que se organizem e resistam, procurando soluções alternativas”, reflete.



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