Histórias da Copa no RS: hotel faz sala de orações e barbearia para argelinos

Fachada do hotel foi decorada com luzes verdes para recepcionar a Argélia (Foto: Hotel Deville/Divulgação)

21/07/2014

Deville recebeu quatro seleções durante o Mundial em Porto Alegre.
No dia do aniversário de 27 anos, Messi ganhou um bolo da equipe.

Os corredores dos hotéis em que as seleções ficaram hospedadas durante a Copa do Mundo guardarão, por anos, histórias do evento sediado no Brasil em 2014. Em Porto Alegre, além do Holiday Inn, o Deville, que fica localizado a pouco mais de 800 metros do Aeroporto Internacional Salgado Filho, na zona norte da capital gaúcha, recebeu quatro delegações em 15 dias: Honduras, Holanda, Argentina e Argélia, a última por duas vezes.

Não foi só nas arquibancadas que os africanos se destacaram com o grito de "Vive l'Algérie". O andar reservado para a hospedagem da equipe precisou passar por algumas alterações: uma sala de convenções tornou-se espaço para orações, já que a maioria dos integrantes segue as tradições da religião muçulmana. Na segunda passagem pela capital gaúcha, o despertar dos funcionários da cozinha do hotel era no meio da madrugada. Tudo para preparar o buffet do café da manhã, antecipado para as 5h em função do Ramadã, período em que os adeptos devem permanecer em jejum entre o amanhecer e o entardecer. Além disso, uma barbearia improvisada foi montada para atender os "vaidosos" jogadores argelinos.

Também foi no hotel que Messi festejou seu 27º aniversário, na concentração antes da partida contra a Nigéria no Estádio Beira-Rio. Para marcar a data, a equipe do hotel preparou um bolo especial para o craque. 

De terça-feira (15) a domingo (20), o G1 contou episódios curiosos observados pelos gaúchos enquanto Porto Alegre recebia milhares de turistas. No encerramento da série de reportagens, o gerente do hotel Deville e o chef de cozinha do estabelecimento falaram sobre a experiência de receber e atender quatro diferentes seleções durante o Mundial.

Jogadores da Argélia fazem caminhada em hotel de Porto Alegre (Foto: Jorge Natan/GloboEsporte.com)

Nada de bebidas alcoólicas nos frigobares dos dormitórios e apenas alimentos típicos do país africano. Os cuidados com a alimentação dos argelinos não são poucos, já que a grande maioria dos integrantes da equipe é muçulmana, o que prevê algumas restrições na dieta. “Era uma verdadeira marcação cerrada nessa parte de alimentação”, conta a gerente-geral do Hotel Deville, Nelson Vila Nova Garcia.

O chef Alex Fiúza dividiu a cozinha do hotel com os  profissionais, trazidos por cada delegação. No caso dos argelinos, um nutricionista fez o acompanhamento, para que fossem preparados os alimentos “halal” [permitidos para consumo dos muçulmanos]. “Eles possuem várias restrições alimentares, não consomem carne de porco, por exemplo. E nem se pode higienizar nada [utensílios de cozinha] com uso de álcool. Apenas com água e sabão”, revela.

A Argélia esteve em Porto Alegre em duas ocasiões: para a partida contra a Coreia do Sul, em 22 de junho, pela primeira fase da Copa, e no dia 29, para enfrentar no dia seguinte a Alemanha.

Na segunda visita, os membros da equipe técnica desembarcaram seguindo a tradição do Ramadã, período em que os adeptos da religião devem permanecer 29 dias em jejum entre o amanhecer e o entardecer. Para os atletas até poderia haver uma exceção. “O café da manhã foi antecipado para 5h. Às 18h, eles faziam uma nova refeição. E era bastante comida mesmo”, relata o chef.

O mais inusitado, porém, foi o cuidado com a vaidade: todos os jogadores da seleção argelina usam o corte de cabelo bastante parecido. Para isso, hotel montou uma espécie de barbearia, onde dois profissionais atenderam os membros da delegação da Argélia.

“Os argelinos são extremamente vaidosos. Eles não costumam usar cabelos longos, diferente dos argentinos, por exemplo. Eles mantêm o cabelo bem curto e a barba rala. Em um dia foram quase 30 atendimentos”, afirma Garcia.

Também para os argelinos, uma das salas usadas para reuniões e convenções foi adaptada para ser sala de orações. “Um povo muito cerimonioso, nem sapato ou chinelo entram na sala. Eles deixam tudo na porta. Um dia eu passei ali e tinham 50 pares de calçados amontoados na entrada”, recorda.

Bolo entregue a Messi no hotel no dia de seu
aniversário (Foto: Hotel Deville/Divulgação)
Consumo de 100 kg de farinha e bolo para Messi

Um dos hábitos em comum entre países tão distintos e que também impressionou os executivos do Hotel Deville foi o apreço por pães. Segundo eles, apenas as delegações de Holanda e Argélia consumiram 100 kg de farinha. “Eles gostaram muito, acima da média dos demais hóspedes”, destaca o executivo.

Uma data marcante para todos foi 24 de junho, quando Lionel Messi completou 27 anos de idade. O dia era a véspera do confronto contra a Nigéria no Beira-Rio, pela fase de grupos da competição. Para celebrar, a equipe do Deville fez um bolo, entregue nas mãos d camisa 10 argentino com um sonoro parabéns. “A receita do doce mistura abacaxi, leite condensado e coco, decorado com as cores azul e branco”, afirma Fiúza. No bolo, ainda foram ilustrados uma mensagem e a camisa 10 da Argentina, usada pelo ídolo.

Mais numerosa que as demais, a delegação sul-americana foi a que menos causou “trabalho” aos funcionários do hotel, segundo o gerente-geral do Deville. “Mas o assédio era muito grande. Era impressionante. Os torcedores tomaram a frente do hotel, ficou uma loucura. O torcedor argentino é muito apaixonado. Tive que fechar restaurante e bar para o público. Se não fechasse, não teria como”, ressalta, ao lembrar da invasão argentina ao Rio Grande do Sul.

Fonte: G1



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