Estrangeiros apreciam cultura e se encantam com povo gaúcho no Acampamento Farroupilha

Grupo de argelinos provou o chimarrão em sua visita ao Acampamento 

Farroupilha - Foto: Dani Barcellos/CAM POA.

22/06/2014

Torcedores argelinos, argentinos e, até, australianos e italianos - estes últimos nem sequer têm jogo da sua seleção em Porto Alegre - curtiram a tarde de sol em Porto Alegre, neste sábado (21). Com elogios às belezas do Estado, à inesperada temperatura fria e, sobretudo, à hospitalidade do povo, os turistas se diziam encantados com dois cartões-postais da cidade. O primeiro, o Acampamento Farroupilha, realizado extraordinariamente para a Copa, no Parque Harmonia; e o segundo, o próprio povo gaúcho.

A Copa do Mundo tem como uma de suas principais características a troca de experiências entre anfitriões e os povos que recebe. É um meio para mostrar-se e conhecer o resto do mundo. Foi o que aconteceu com os argelinos Redouane, Walid, Salim, Amar e sua esposa Hakima, todos de Argel, capital do país africano, que vieram para ver apenas uma partida na Copa do Mundo, Argélia e Coreia, às 16h de domingo (22), no Beira-Rio. Chegados na sexta-feira e com volta marcada para a segunda, toda e qualquer impressão que terão do Brasil será porto-alegrense. Quiseram, assim, aproveitar bem o sábado, já que no dia seguinte assistirão o jogo.

“Só sendo muito apaixonado pela seleção para aguentar um voo de 22 horas. Mas estamos adorando. A população nos trata muito bem. A cultura é um pouco diferente do que imaginávamos. Francamente, não esperava que fosse assim. O que mais me surpreendeu foi a temperatura”, disse Redouane.

Eles foram ao acampamento conhecer a cultura gaúcha e o famoso churrasco, mesmo não podendo comer. Não porque não gostassem, mas porque não podiam. Eles, por religião, só têm permissão para comer alimentos “Halal”, regra do Alcorão, livro sagrado muçulmano, que especifica como devem ser preparadas e consumidas as comidas. São proibidos para eles carnes com sangue, também sendo vedadas as de porco, de aves de rapina, de cachorro, entre outros. 

Mas, se não podiam comer, beber estava permitido. Nada melhor que experimentar o tradicional chimarrão para ficar mais à vontade com nossos costumes. Contudo, embora felizes, acharam o sabor forte demais. 

Hóspede da Austrália

Com uma bagagem maior de cultura gaudéria, já há cinco dias em solo gaúcho, Kien Luu, nascido na cidade de Ho Chi Minh, no Vietname, mas crescido em Adelaide, na Austrália, aproveitava o sol que tornava menos fria a tarde na capital, com uma cuia na mão. Estava acompanhado de um casal porto-alegrense que o hospedava. Enquanto quase todos os compatriotas já haviam deixado Porto Alegre para assistir à próxima partida da Austrália pela Copa, em Curitiba, Kien continuou no Estado, conhecendo a cultura local.

“Fiquei mais porque gostei daqui. Gostei muito do Marcus e da Juliana, que me receberam muito bem. A cidade é muito bonita e o povo muito amistoso. Fiz amigos aqui nos últimos dias e pretendo voltar”, contou o australiano.

Ele segue viagem neste domingo para acompanhar sua seleção, em Curitiba, contra a eliminada Espanha. O Mundial é um sonho antigo dele, cuja preparação iniciou há cinco anos. Queria conhecer a terra que seus amigos brasileiros tanto falavam. "Preferi vir para cá do que para a África do Sul, já tinha alguns amigos e gosto muito da cultura", contou Kien. 

Os anfitriões, Marcus e Juliana, alugaram um quarto de sua casa em um site de hospedagem. Primeiro, receberam um francês, agora um australiano e, depois, receberão dois canadenses. Essas interações podem criar laços que fazem com que os estrangeiros que chegam queiram retornar à cidade ou que brasileiros conheçam o exterior. Também há aqueles que se conhecem fora do país e acabam atraindo turistas.

Amigas italianas

Foi exatamente o que ocorreu com os amigos Alexandre Gavronski, brasileiro, e Chiara Duvia e Angelica Villa, italianas. Os três se conheceram fazendo o Caminho de Santiago de Compostela, em 2012, quando conviveram durante o percurso de quase 600 quilômetros, na Espanha, que dura por volta de 30 dias. Tornaram-se próximos. Desde então, mantiveram contato. As jovens europeias, com 23 anos, decidiram conhecer o Brasil em meio à Copa, mesmo não tendo grande relação com o futebol.

O ponto de partida foi a cidade do amigo gaúcho, Porto Alegre. Depois, devem conhecer o Vale dos Vinhedos, na Serra gaúcha. Permanecem por uma semana no Rio Grande do Sul. "É uma grande festa. Uma oportunidade de intercâmbio cultural. É diferente do que conhecemos sobre o Brasil lá fora. Não conhecia o churrasco", contou Chiara. 

Angelica já conhecia Porto Alegre em função de seus estudos. Ela é cientista política e, enquanto pesquisava sobre democracia participativa entrou em contato com o Orçamento Participativo da capital gaúcha. "Pelos meus estudos e meu envolvimento com política, acabei conhecendo Porto Alegre como uma referência em relação ao Orçamento Participativo. Sei que aqui também houve o Fórum Social Mundial", explica.

O Acampamento Farroupilha Extraordinário da Copa do Mundo segue até o dia 13 de julho, no Parque Harmonia. Com estrutura menor que o evento tradicional no mês de setembro, conta com produtos e motivos relacionados a temas como o tradicionalismo, o Rio Grande do Sul, o churrasco e as comidas campeiras. Em dias de jogos em Porto Alegre, o funcionamento será das 9h à meia-noite. Nos sábados e domingos, o horário de fechamento passa para as 2h e, nos demais dias, o horário vai das 10h às 22 horas. 



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