Pintor aproveita Copa, colore ruas de verde e amarelo e incrementa renda

Vanderlei já tem 20 pedidos de pinturas para o mês de maio em Porto Alegre (Foto: Gabriel Galli / G1)

15/05/2014

Ex-mineiro arrecada R$ 200 por dia fazendo pinturas temáticas do evento em Porto Alegre. Ele sustenta família de seis pessoas com apoio de mulher aposentada.

Se para alguns a Copa do Mundo é um momento de diversão, para o pintor Vanderlei de Moraes, de 55 anos, o evento é sinônimo de oportunidade. Nesta época ele tem conseguido uma renda de até R$ 200 por dia fazendo pinturas temáticas do evento, como a que realizava na tarde desta quarta-feira, na calçada de uma escola de Porto Alegre.

O pintor conta que só no mês de maio, 20 empresas o procuraram pedindo pelos serviços. A maioria é para a pintura de murais e de partes exteriores de prédios com bandeiras ou retratos de jogadores.

Em meio aos carros que passavam, Vanderlei pincelava o cordão da calçada de verde e amarelo “fardado” com a camisa da seleção brasileira. Esta é apenas uma das várias que diz ter em casa, mas revela que a sua verdadeira paixão é outra. 

- Da seleção eu gosto, mas eu sou apaixonado mesmo é pelo meu Colorado - conta.

Em meio ao sobe e desce de pessoas na parada de ônibus em frente à escola, ele xingava aqueles que pisavam na tinta fresca. O temperamento sério, entretanto, dá lugar a sorrisos quando fala da família, seu principal orgulho. E só com uma personalidade forte para sustentar seis pessoas apenas com o apoio da modesta aposendatoria da companheira e de seu trabalho como autônomo. Em casa moram, além dele e da mulher (também de 55 anos), o filho de 18 anos e quatro netos. O mais novo tem 2 meses e o mais velho quatro anos de idade.

O pintor precisa sustentar família de seis pessoas com 

ajuda da esposa (Foto: Gabriel Galli / G1)
Vanderlei nasceu em Minas do Leão, na Região Carbonífera do Rio Grande do Sul, e pôde estudar apenas até a quinta série do ensino fundamental, já que sua família não tinha condições de mantê-lo na escola. Trabalhou por cerca de 20 anos em uma mina de carvão e, ao ser demitido, buscou emprego em Porto Alegre. Foi quando descobriu o dom para a pintura. Desde então, faz 17 anos que segue no ofício. “Hoje me considero bem profissionalmente, mas estes eventos que aparecem me ajudam a ter uma situação mais confortável no futuro”, revela.

Além da pintura, Moraes também trabalha como gaiteiro e é frequentador assíduo do Parque Harmonia, onde são montados piquetes, em uma edição especial do Acampamento Farroupilha. A atividade, que tradicionalmente acontece no mês de setembro na cidade, este ano será realizada também de 12 de junho a 15 de julho. Como músico, prefere as canções tradicionalistas gaúchas e afirma que o dinheiro extra é importante quando há menos demandas de outros serviços. “Quanto mais eu trabalho, mais consigo ganhar para ajudar em casa”, conta.



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